quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Miró - Balada literária 2012


Dia 28 próximo começa a Balada Literária que vai até 02/12 com a curadoria de Marcelino Freire que  vai   juntar diversos artistas da palavra abrangendo desde escritores e poetas badalados até a crua poesia de "rua cama mesa e banho" como diz o poeta pernanbucano Miró, grande amigo que, aliás, se apresentará no dia 29/11.
A programação completa pode ser vista clicando aqui.

MIRÓ DIA 29 Nov. 2012 ás 21:00
CENTRO CULTURAL b_arco
Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 426 - Pinheiros.
www.obarco.com.br

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Paulo Moreira Leite

Sem domínio, sem fatos 


 Talvez seja a idade, quem sabe as lembranças ainda vivas de quem atravessou a adolescência e o início da idade adulta em plena ditadura. Mas não consigo conviver com a ideia de que cidadãos como José Genoíno e José Dirceu possam ser condenados por corrupção ativa sem que sejam oferecidas provas consistentes e claras. A Justiça é um direito de todos. Mas não estamos falando de personagens banais. Sei que os mandantes de atos considerados criminosos não assinam papéis, não falam ao telefone nem deixam impressão digital. Isso não me leva a acreditar que toda pessoa que não assina papel, não fala ao telefone nem deixa impressão digital seja chefe de uma quadrilha. Sei que existe a teoria do domínio do fato. Mas ela não é assim, um absoluto. Tanto que, recentemente, o célebre Taradão, apontado, por essa visão, como mandante do assassinato de irmá Dorothy, conseguiu sentença para sair da prisão. Contra Taradão havia confissões, testemunhas variadas, uma soma impressionante de indícios que não vi no mensalão. Mesmo assim, ele foi solto ...(continua)

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Bens Posicionais

O economista e filósofo Eduardo Giannetti, autor de O Valor do Amanhã: Ensaio sobre a Natureza dos Juros e do best-seller Felicidade: Diálogos sobre o Bem-estar na Civilização (ambos Companhia das Letras), acredita que nós brasileiros "estamos vivendo uma corrida armamentista do consumo". Para Giannetti, nós brasileiros estamos dispostos a pagar preços estratosféricos por carros importados (luxuosos e nem tanto), pois eles nos conferem a ilusória ideia de status. São "bens posicionais", que hierarquizam a sociedade na antiga fórmula quanto mais caro, mais exclusivo; quanto mais exclusivo, mais status. "Primeiro é um tênis de marca, depois um carro importado, um iate, um jatinho, uma viagem a Marte. A corrida sempre se renova", diz. É o carro do ano, o look exclusivo da fashion week, o restaurante badalado, a deserta ilha paradisíaca e outras extravagâncias de gente chique. Para serem almejados, os objetos devem continuar um privilégio de poucos, fora do alcance dos plebeus. Nessa lógica, o diamante só brilha se refletir nos olhos dos outros ...(continua)

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Como estará geopolíticamente o mundo em 2025...?

O historiador luis Felipe Alencastro analisa alguns trechos do relatório quinquenal do National Intelligence Council já divulgados sobre as perspectivas geopolíticas, pois o relatório definitivo será entregue em novembro ao próximo presidente dos Estados Unidos, mas os trechos antecipados são muito interessantes uma vez que projetam as tendências globais da política mundial. Vários institutos de estudos estratégicos, jornais e a blogosfera ja comentam o assunto.

"Como observou o jornal parisiense “Le Monde”, a principal análise do relatório consiste em projetar as tendências para 2030 num contexto pós-americano. Nesta perspectiva o relatório traça um o cenário otimista e outro pessimista. O primeiro prevê uma perda de influência gradual dos Estados Unidos, num mundo em que a cooperação internacional se acentuaria e as crises políticas e econômicas seriam resolvidas, pacificamente e em boa ordem, pelas negociações multilaterais. No segundo cenário ocorreria uma “desintegração”. O declínio americano, seguido pela ascensão das potências asiáticas, daria lugar a um mundo fragmentado, no qual as instituições internacionais perderiam sua influência, e os riscos de conflitos armados aumentariam, principalmente na Ásia e no Oriente Médio. Embora a notícia não tenha repercutido no Brasil, o país é citado em várias partes do novo relatório, nos textos preparatórios e nos comentários postados por especialistas. A reforma do Conselho de Segurança da ONU é comentada pelo jurista William Burke-White, que foi professor da Universidade de Princeton e conselheiro do Departamento de Estado. Para ele, o apoio explícito dos EUA à Índia e o incentivo, menos explícito, ao Brasil, para a entrada dos dois países como membros permanentes do Conselho Segurança (CS), não teve ainda maiores consequências. Mas a reforma do CS parece ser inevitável. Num outro texto, o mesmo autor escreve que o próximo CS contaria com o Brasil, China, Índia, Japão, Rússia, Estados Unidos, um ou mais países europeus, e um ou mais países africanos. A situação é mais complicada é a da Europa, onde a Inglaterra e a França já tem assento permanente no Conselho de Segurança (CS), e a Alemanha pleiteia o mesmo privilégio. Segundo Burke-White, quanto mais o tempo passa, mais as pretensões europeias parecem irrealistas. Parece improvável que ainda haja, em 2030, dois assentos concedidos aos países europeus no CS. Outros textos questionam o estatuto do Brasil, China, Índia e África do Sul como potências mundiais, dadas as contradições políticas e sociais existentes nestes países. A situação da China parece particularmente duvidosa. Dada às vulnerabilidades ligadas à sua evolução demográfica, à corrupção endêmica e à erosão da legitimidade do regime, a China pode conhecer sérios problemas num quadro de estagnação econômica. Neste caso, o cenário previsto é o de uma situação de hipernacionalismo, como no Japão e na Alemanha nos anos 1920-1930. As análises mais detalhadas só serão conhecidas na publicação do relatório definitivo, depois das eleições presidenciais americanas. No entanto, há um dado comum na maioria dos cenários esboçados até agora: a hiperpotência americana não se perpetuará ao longo dos próximos anos".

terça-feira, 1 de maio de 2012

Pirataria

“Atenção: Toda vez que você assiste a um filme pirata você pode estar empurrando para a miséria, dezenas de estrelas de hollywood que vivem em mansões de cinco picinas. Já há relatos de alguns casos em que cineastas tiveram que se mudar para mansões menores com apenas quatro picinas”


O que é Pirataria? 
Para o padre Marcelo e os evangélicos do "diante do trono"  que vendem zilhões de DVDs é pecado horroroso e quase sem possibilidade de remissão. Já para estudiosos do assunto e antropólogos do naipe de Adriana Facina, Roberto Damatta, o tema é um pouquinho mais complexo, pois envolve a cidadania no contexto do universo relacional e seus simbolismos ressignificados e mercantilizados ao sabor das conveniências.
Para bandas como o Metallica e cineastas como Esaad Younis, pirataria é a maior patifaria e para o Radiohead é apenas a democratização de bens culturais apropriados, reciclados e ressignificados pela indústria cultural, não estão nem aí!
Para o Governo americano, o pirata Julian Assange merece a pena de morte, mas para muitos entre os quais eu me incluo, o wikileaks prestou um grande favor a humanidade. E o que dizer do Partido Pirata, que já o terceiro  mais mais popular da Alemanha? Hummm num sei!? E os piratas Anonymous hackers ? Ah, esses são glamurosos diriam aquelas que se descabelam ao descobrir que a empregada também tem uma calçinha victoria secret (pirata). 

O fato é que o tema vai além das babozeiras como, DVD pirata estraga aparelho, estrelas de cinema vão passar fome, a qualidade não é boa etc e etc...
Não está claro o que a Nike, pensa sobre os tênis pirateados no Parí e vendidos por 8% do valor de um original, mas as famílias -que vivem com 3/4 de um salário mínimo- devem se sentir "ressignificadas" com a versão vendida no Brás, do simbólico tênis, que proporciona a eles, aquilo que Damatta trata como sendo o mais atávico dos sentimentos humanos: "O pertencer".

Imagino que a nike não se preocupe muito porque deve intuir que uma família que passa o mês com R$200,00 não vai poder ir ao Pátio Higienópolis comprar um tênis por R$650,00.
E as operadoras de TV a cabo que cobram aqui a 2ª tarifa mais cara do sistema solar? Após anos de guerrilha com as favelas que pirateavam o sinal, elas criaram planos acessíveis para estes diferenciados e por certo estão lucrando, ou não?
Apesar de todo o terrorismo a respeito da pirataria que diz que há criançinhas morrendo sufocadas com peçinhas que se desprendem de brinquedos pirateados, cineastas e estrelas passando necessidades em suas mansões com cinco picinas em Hollywood, bla, bla, bla..., não parece que a questão seja tão ...(continua)

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Religiosidade


Intolerância religiosa


Sou ateu e mereço o mesmo respeito que tenho pelos religiosos.
A humanidade inteira segue uma religião ou crê em algum ser ou fenômeno transcendental que dê sentido à existência. Os que não sentem necessidade de teorias para explicar a que viemos e para onde iremos são tão poucos que parecem extraterrestres.
Dono de um cérebro com capacidade de processamento de dados incomparável na escala animal, ao que tudo indica só o homem faz conjecturas sobre o destino depois da morte. A possibilidade de que a última batida do coração decrete o fim do espetáculo é aterradora. Do medo e do inconformismo gerado por ela, nasce a tendência a acreditar que somos eternos, caso único entre os seres vivos.
Todos os povos que deixaram registros manifestaram a crença de que sobreviveriam à decomposição de seus corpos. Para atender esse desejo, o imaginário humano criou uma infinidade de deuses e paraísos celestiais.
Jamais faltaram, entretanto, mulheres e homens avessos à interferências mágicas em assuntos terrenos ... (continua)

terça-feira, 13 de março de 2012

"Enobrecimento" Urbano

GENTRIFICAÇÃO: Que palavra é essa!?
Neologismo que significa; Um conjunto de processos de transformação de espaço urbano, visando à valorização imobiliária pela remoção dos moradores de classes sociais menos favorecidas que estão ocupando áreas POTENCIALMENTE nobres. Isto acontece no mundo inteiro através da interferência ou omissão do estado.
Em São Paulo o enobrecimento de espaços urbanos ocorre o tempo todo seja por incêndios “acidentais” provocados em favelas nobres, ou a simples grilagem mesmo e até como no caso recente do Pinheirinho, com o estado, parcela do poder judiciário e interesses privados, envolvidos numa trama (contra moradores pobres) para favorecer o poder econômico.  
A despeito do adjetivo escolhido para designar o processo, o chavão mais usado na maioria desses casos de enobrecimento de áreas é o mantra da “revitalização” que é a parolagem destinada a maquiar a GENTRIFICAÇAO.
Revitalizar significa insuflar vida, mas não falta vida nesses lugares o que falta é o comparecimento do poder público com escolas, saneamento, quadras esportivas, segurança, emprego, etc...
O que está acontecendo aqui e agora no histórico bairro da Luz, é a mais descarada gentrificação (enobrecimento urbano), para dizer o mínimo, sob a alcunha do projeto Nova Luz.  
O entrosamento do poder público com o mercado imobiliário que é um forte financiador de partidos e políticos enxerga o potencial da região, onde está a Sala São Paulo, Pinacoteca, Universidade livre da Música Tom Jobim, Jardim da Luz, escola  municipal de balé, etc, etc..., mais a boa localização e infraestrutura.
Com a falta de áreas nobres para construir, só falta mesmo remover os habitantes, demolir e transformar a Luz numa quem sabe, Higienópolis com metrô e ótimos aparelhos culturais.  Mas infelizmente para os gentrificadores, na Santa Efigênia não vivem somente os indefesos despossuídos e há resistência sim, como o movimento “Apropriação da Luz” encabeçado pela Jornalista e fotógrafa Paula Ribas e que luta contra este processo como mostra reportagem da TV Brasil.
Um exemplo de como a Governança enxerga a Luz é a finalização da linha amarela: Desapropriaram uma enorme área prometendo, equipamentos urbanos, bulevar, galerias, centro esportivo etc., e no final fizeram uma cerquinha para separar uma tirinha onde construíram uma praçinha de puro concreto sem nenhum equipamento e cuja aridez, grades e calor não convidam ninguém o que também não faz diferença, pois é mais um estacionamento particular. A outra fatia do terreno está abandonada e é onde funciona um criadouro de mosquitos sob patrocínio do governo municipal e estadual. Revitalização é isso!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Contradições

Dia desses li que apesar de morrerem quase um milhão de pessoas todos os anos de malária, quase não há investimento em pesquisas médicas  na áreas seja para encontrar a vacina ou medicamentos para tratar a moléstia evitando as mortes, porque é uma doença tropical que é onde concentra-se a pobreza do planeta e assim os laboratórios não teriam como lucrar ou vender remédios. A lógica então aponta no sentido de pesquisar e produzir para quem pode pagar pelos produtos. 
Vi também um cientista britânico dizer que entre as 50 medidas mais eficazes para frear o desastre ambiental em curso no planeta, nenhuma depende de iniciativas individuais, como usar  bicicleta de bambu, não usar sacolinha de supermercado, tomar banhos rápidos, não comer carne, etc... (o que segundo ele tem impacto zero.) O Buraco seria mais embaixo e medidas de impacto mesmo, estão todas associados  á políticas públicas e mudanças de paradígmas como substituir plantações alagadas por sequeiros, conter vazamentos de gaz das minas de carvão, tratar o esgoto evitando o escape de metano, evitar uso de petróleo, etc...
Agora a OMS diz que o fogão a lenha é o fator ambiental responsável pelo maior número de mortes no mundo, ou seja, a hipocrisia de plantão prega que devemos fazer várias coisas para ajudar o planeta tais como, comprar as sacolinhas ecológicamente corretas (fabricadas com mão de obra escrava na china e vietnan) a venda em todos os supermercados para substituir as gratuitas de polietileno, enquanto os verdadeiros problemas são deixados de lado,  porém essas atitudes verdes, tem impacto positivo para quem as pratica, pois trás sensação de alívio e dever cumprido, ainda que o planeta continue indo à breca por conta da falta de disposição das nações de pactuarem sobre o que interessa.
"Cerca de 3 bilhões das pessoas mais pobres do mundo ainda cozinham e se defendem do frio por meio da queima de biomassa: madeira, carvão e até esterco de gado. A mesma fumaça que encarde as paredes e escurece o teto de suas casas, infelizmente, invade o aparelho respiratório dos moradores causando 2 milhões de óbitos por ano.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera o fogão a lenha o fator ambiental responsável pelo maior número de mortes, no mundo inteiro. Morre mais gente como consequência desse tipo de poluição doméstica do que de ...(leia mais)