domingo, 31 de maio de 2015

Maria da Conceição Tavares

Perdemos de novo, professora Maria da Conceição?

Mal ou bem, forças progressistas estão à frente do governo há 12 anos: o 'enrosco', com ela diz , é pilotado pelo campo progressista. E o atinge diretamente.

por: Saul Leblon 

A professora Maria da Conceição Tavares tem dois motivos para não querer falar nesse momento.

A gripe alegada, que acentua o grave característico da voz,  é o menor deles.

O quadro difícil da crise brasileira, o mais contundente.

Estamos falando, porém, de uma mulher que não costuma deixar desaforo esperando na soleira da porta.  

-Perdemos, professora Conceição?

Ela hesita um pouco, tergiversa, mas só um pouco.

Em seguida dispara o grave com a inflexão de ordem unida famosa, capaz de acionar todas as atenções ao redor, seja qual for o redor, tenha ele a solenidade que tiver.

‘Perdemos. Isso está à vista, não? --devolve com a força de uma pedrada.

Mas em seguida vem outra, mais na mira: ‘O primeiro tempo, por certo’.

Num átimo recolhe o grave com a  inflexão que vai buscar o distraído até no fundo do auditório e o submete às prontidões incontornáveis:

‘Não digo que perdemos o jogo, que todavia é muito duro’.

Abriu a avenida para uma narrativa de longo curso, mas se contém.

A dificuldade em extrair da decana dos economistas brasileiros uma avaliação mais desabrida do governo de sua amiga Dilma Rousseff, sendo ela a economista a quem todos ligam quando o mundo despenca e é preciso saber para onde ir, é ilustrativa da gravidade do momento brasileiro.

Não qualquer gravidade.

Desta vez, o ‘enrosco’, com ela diz , é pilotado pelo campo progressista. E o atinge diretamente.  

Mal ou bem, forças progressistas estão à frente do governo há 12 anos  -- ainda que não no poder e, sobretudo, na companhia não propriamente opcional de parceiros de uma ambígua ‘governabilidade’, em xeque nesse ‘momento Cunha’ da vida nacional.

Esse protagonismo singular explica a perplexidade do olhar crítico que se enxerga no próprio objeto da crítica e não gosta do que vê.

A história não é um closet no qual se possa trocar o figurino e recomeçar do zero. Neste filme, os protagonistas se defrontam com um enredo de urdidura que pode ser modificada, mas não ignorada.

A correlação de forças é uma delas. Frequentemente evocada para justificar rendições e traições, nem por isso deixa de existir.

É prima política das vantagens comparativas na economia –também e não raro evocadas para justificar a submissão ao poder econômico existente e o entreguismo conveniente.

Nem um, nem outro são fatalidade, mas construções históricas.

Até que ponto a camisa de força atual reflete recuos que contribuíram para enrijecer essas circunstâncias quando a hora era de avançar e dilatar os espaços, é uma questão em aberto.

Avaliações díspares que essa pergunta enseja retardam agora a unificação de forças e agendas que dispersas se mostram incapazes de afrontar a ofensiva conservadora em marcha.

Maria da Conceição Tavares é economista, não analista política. Faz questão de observar a diferença.

Mas é uma personagem da história brasileira.

Sua experiência engajada nos principais acontecimentos nacionais remonta a 1957, três anos depois de chegar de Portugal, onde nasceu--   quando se naturalizou, passou a estudar economia, ingressou no BNDES, conheceu Furtado, Ignácio Rangel, Darcy e outros gigantes aos quais hoje se ombreia no referencial dos que lutam por aquilo que eles sempre lutaram: o desenvolvimento que conduza à construção de uma democracia social efetiva no país.

Conceição desembarcou no Brasil no ano em que Getúlio Vargas com um único tiro impôs uma década de protelação ao golpe que a coalizão empresarial-militar lograria desfechar em 1964.

A professora participou ativamente do esforço progressista para dilatar esse prazo e empurrar a roda do desenvolvimento até um ponto que o tornasse autossustentado pelas próprias forças sociais com ele beneficiadas.

O percurso foi interrompido à força no meio do caminho, como se sabe. Uma retomada seria ensaiada depois, nos anos 70/80, com a derrubada do regime militar e a tentativa frustrada do Cruzado –da qual participou--  igualmente decepada com a ascensão neoliberal nos anos 90.

Finalmente, em 2002, a agenda da construção de uma democracia social tardia na oitava maior economia da terra seria resgatada com a vitória presidencial do metalúrgico, seu amigo, Luís Inácio Lula da Silva.

Daí a pergunta inicial que a incita a romper o silencio diante da encruzilhada que se ergue outra vez em seu caminho, aos 85 anos de idade, e no do país, no seu ‘longo amanhecer’, como previu Celso Furtado, sua maior referência.

Perdemos de novo, professora Conceição?’

Ouvi-la extrapola a curiosidade. É uma necessidade, aqui entremeada da recuperação de reflexões anteriores que completam as atuais.

‘Essa crise não se parece com nenhuma outra que vivi’, adverte com vagar escolhendo as palavras para comentar a gravidade do fator político que trava a iniciativa progressista  –repita-se--  confrontada agora com a própria imagem no espelho dos desafios a vencer.

‘Nenhuma das que acompanhei mais de perto –o pós-Getúlio e a do golpe de 1964, para não falar das outras, como a do fim da ditadura—envolvia um travamento estrutural e político tão difícil’, explica para sublinhar em contraponto: ‘ Sem falar no quadro internacional, que é completamente outro, marcado pelo ambiente financeiro destrambelhado’.

A diferença estrutural –‘estamos em uma transição de ciclo estrutural’, diz ela—é que nos anos 50 e nos anos 70, depois do suicídio de Getúlio, assim como após o golpe militar, havia espaço para se agregar novos setores à estrutura econômica brasileira.

“Agregar é mais fácil do que reformar’, ensina a decana.

A agregação amortece a colisão dos interesses instalados com os novos.

O que fez, afinal, Getúlio quando foi reconduzido ao poder em apoteótica votação nas eleições de 1950, com o Brasil desordenado pela ‘malta liberal’ de Dutra?

Getúlio viu espaço para agregar novos motores na economia.

Seu governo lançaria uma saraivada de iniciativas diante da avenida aberta a sua frente.

O Plano de Eletrificação em 1951, o BNDES em 1952, a Petrobrás em 1953. E o reforço convergente com uma industrialização ainda em fraldas, onde muito havia por fazer.

Vargas modernizou áreas já existentes e acionou novas turbinas: investiu no setor de bens de base  --de base porque produz equipamentos, componentes, insumos universais, para todos os segmentos.

Interligou isso aos duráveis, amalgamando a economia com uma cola política feita de expansão do emprego e extensão de direitos ao florescente operariado urbano.

Aí acharam melhor eliminá-lo.

‘Mas a crise da morte do Vargas’, observa Conceição, ‘embora violenta por todos os seus ingredientes, paradoxalmente  durou pouco’.

Mais à vontade, ela puxa aqui a memória de acontecimentos que acompanhou diretamente, jovem matemática atravessando a fronteira para a economia.

‘Durou pouco porque havia toda uma avenida aberta, aquela que Vargas deixou para JK  agregar: a dos bens de consumo’, interrompe para retomar o fôlego.

‘O que fez JK? Fez o Plano de Metas dilatando a infraestrutura; trouxe o parque automobilístico, deslanchou um novo ciclo de expansão’.

O impasse vivido por Jango seria um primeiro sinal de que a agregação pura já enfrentava gargalos estruturais.

‘Tanto que tivemos um golpe, uma ruptura violenta’, pontua a economista que se exilou no Chile durante a ditadura, onde assessorou a equipe de Allende.

Quando Jango se viu na contingência de ampliar o espaço do brasileiros miseráveis, excluídos do mercado e da cidadania, o que dilataria o fôlego do desenvolvimento pela alavanca do mercado de massa, os interesses estabelecidos reagiram violentamente.

Num certo sentido, em vez de apenas agregar, as reformas de base buscavam democratizar o que antes era um privilégio dos herdeiros da casa grande. A terra, por certo. Mas também a educação, o comando sobre riquezas naturais; o controle sobre a moeda e os capitais; a ampliação da democracia na base da sociedade.

Deu-se o que é sabido.

‘Só que os milicos do golpe eram eles mesmos desenvolvimentistas! ‘, atalha Conceição rindo das ironias da história.

Os ‘milicos’ no entanto tropeçariam feio.

Fizeram o torto por linhas certas.

Em vez de agregar novos polos de ponta da industrialização naquele momento, como eletroeletrônica etc, o regime ditatorial  super-dimensionou os existentes, na siderurgia, por exemplo.

Ainda assim a sobreagregação expandiu o PIB, mas endividou o país sem contrapartida de exportações para os dólares tomados a juros baixos, mas a taxas flutuantes.

Quando elas flutuaram ferozmente para cima, em 1979 --saltaram de 7,5% para 20,18% em 1980-- o regime perdeu o assoalho.

O que se tem agora é mais sério, de qualquer forma, do que a transição de Vargas para JK e de Jango para o golpe.

‘É estrutural’, repete Conceição.

Estrutural no sentido que não se resolve adicionando um novo motor na mesma máquina do crescimento -- como se fez antes para reacomodar o conflito de classe.

‘O Brasil não vai acabar, nem o capitalismo e não temos golpe à vista, embora haja golpistas à solta’, murmura.

Mas há um esgotamento desse correr para frente –típico do sistema--  baseado em aditivos que se sobrepõem à engrenagem anterior claudicante.

Não apenas isso.

O esgotamento, insista-se, acontece  sob as asas de um governo progressista. O que adiciona ao impasse econômico um auto-questionamento político de escolhas passadas e futuras. Tudo coroado por um  ambiente internacional pantanoso, marcado pela mais anêmica, longa e incerta convalescença de uma crise capitalista, desde a ruptura de 1929.

Então é diferente de tudo o que Conceição viveu.

‘Temos uma estrutura econômica montada. É preciso recauchutar a máquina e, sobretudo, reorientar seu rumo’, a professora retoma o fio da meada.

O Brasil viveu um período acelerado de consolidação industrial no 2o PND (1975/79) , o plano de desenvolvimento da ditadura.  Dificilmente repetirá aquele desempenho característico da fase de instalação e consolidação de um parque industrial.

Esse tempo acabou.

Assiste-se a algo oposto até.

A indústria brasileira, na verdade, está sendo corroída por duas inércias que o ciclo iniciado em 2003 não corrigiu.

De um lado, a valorização cambial acumulada nas últimas décadas. Ela favoreceu a asfixia do parque fabril brasileiro sob a avalanche das importações asiáticas (gerando um déficit comercial manufatureiro da ordem de U$ 200 bi nos último anos ).

Simultaneamente, cristalizou-se uma inserção internacional capenga da economia brasileira, que perdeu o bonde tecnológico dos anos 80/90 porque ruminava a dolorida digestão da crise da dívida externa.

O bonde perdido de um ciclo internacional não passa de novo, adverte Conceição. Não existe aula de recuperação na história do desenvolvimento.

‘Não vamos mais competir com os chineses naquilo que eles tomaram de nós e se mostraram líderes no mundo’, adverte ao falar da erosão sofrida em vários setores industriais.

Por isso o pré-sal e o mercado de consumo doméstico, revigorado pelo ganho de poder de compra do ciclo Lula, bem como o PAC na infraestrutura e, objetivamente, a escala do agronegócio, são tão importantes.

É esse o novo chão do desenvolvimento brasileiro no século XXI.

Os encadeamentos inscritos no regime de partilha do pre-sal, e na exigência de conteúdo nacional, ambos demonizados pelos interesses sabidos e seus porta-vozes, encerram impulsos industrializantes de ponta, com escala capaz de criar, aí sim, uma inserção virtuosa do país nas cadeias internacionais.

O mercado de massa, por sua vez,  é capaz de atrair plantas industriais e lastrear segmentos ainda não triturados por décadas de importações baratas.

O PAC arremata o comboio puxando-o pela alavanca do investimento público.

Conceição contextualiza esse tripé de forma realista, ciente de que a areia movediça da crise estreita a margem de manobra e todas as frentes.

‘Hoje isso depende muito do financiamento chinês para se viabilizar. É por aí que vamos completar o investimento público do PAC; não enxergo outra saída com as restrições impostas pelo ajuste fiscal’, suspira.

Seu próprio desalento, porém, sofre um safanão em tom de advertência na frase seguinte: ‘Se não defendermos as políticas sociais, o PAC e o pré-sal não teremos mais modelo nenhum’.

Destravar as concessões, o PAC,  e preservar o pré-sal  poderá desarmar a retranca do investimento privado?

Sim, mas para isso não se pode destruir o mercado de consumo de massa. Se a economia afundar com o estirão de arrocho, cercado de juros altos por todos os lados, ninguém salva o Brasil.

A costura dessa travessia envolve uma operação essencialmente política, como já explicou, porque mexe profundamente em interesses cristalizados.

O nome do jogo não é mais ganha/ganha.

É correlação de forças e se joga na rua.

Não por acaso o debate da reforma tributária conquista audiências nunca registradas na agenda econômica. A audiência das manifestações sindicais contra o ajuste em benefícios trabalhistas, por exemplo, confrontado com a alternativa da taxação das fortunas, do lucro dos bancos, das remessas disfarçadas de assistência, das heranças etc.

´Não existe resposta técnica para o que se tem diante de nós’, sentencia a professora de uma geração inteira de economistas, entre alunos e amigos, que a ouvem e respeitam, mesmo quando dela divergem.

Incluem-se aí nomes como os de Belluzzo, Luciano Coutinho, Mantega, a própria Presidenta, Dilma Rousseff.

Em uma homenagem à mestra, em 2012, Dilma declarou: “Não houve momento importante na história do país, nas últimas décadas, sem as considerações da ‘nossa professora’. Nós hoje não admitimos mais a possibilidade de construir um país forte e rico dissociado de melhorias das condições de vida de nossa população, nem tampouco acreditamos mais na delegação da condução de nosso crescimento exclusivamente às forças de autorregulação  do mercado. Crença, aliás, que Maria da Conceição Tavares sempre, corretamente, criticou”, enfatizou a Presidenta.

Os ventríloquos da autorregulação do mercado preconizam justamente isso agora: estabilizar o impasse desenhado pela professora, com base nas premissas ‘técnicas’ dos mercados.

Ou seja, impedir que a luta pelo comando do crescimento deslize para o campo aberto da disputa política, onde a estrutura de repartição da riqueza e do poder seria questionada, escrutinada e repactuada em confrontos desaguados em amplas negociações.

As considerações da economista enveredam cautelosamente por essa seara.

‘Não é fácil operar essa coisa. Você tem que recauchutar e redirecionar o mecanismo do crescimento com ele andando, entende? Com o trem em movimento’, sobe a voz, refreando-a na volta da respiração: ‘É um enrosco’.

A palavra ‘conservadorismo’ resume o significado do obstáculo maior no caminho.

A operação colide com massas gigantescas de interesses que nada tem a oferecer à sociedade exceto uma obstinada resistência à mudança, associada –aliás, indissociável, de uma não menos obstinada opção pela mórbida liquidez rentista.

Pressões, chantagens, golpes, terrorismos e interditos emanados desse aparato são vocalizados e potencializados diuturnamente pelos veículos do ramo da semi-informação, enquanto o ‘ajuste’ cutuca a recessão com vara curta e a promessa difusa de uma ‘purga redentora’.

É o torniquete dos dias que correm.

E a velocidade aqui não é uma metáfora.

O arrocho já bateu no consumo das famílias, derradeiro lacre de segurança do ciclo petista que avançou de forma quase ininterrupta nos  últimos 12 anos. Esse indicador caiu 1,5% no primeiro trimestre, em relação ao final de 2014.  

O consumo das famílias pesa 63% na demanda da economia e arrastou junto a receita, o investimento, o emprego... O que sobra?

A sobra é insuficiente para sustentar uma nação, um governo e um projeto progressista de desenvolvimento . O IBGE avisa que apenas 25% da economia ainda operava no azul ao final de março.

Não melhorou de lá para cá. Ao contrário.

‘Você não enfrenta isso com debate econômico’, adverte Conceição.

Nem pode paralisar um país para recauchutar a economia, que deixada a sua própria lógica não criará o espaço necessário à mudança.

Uma frente? Uma frente de forças poderia funcionar como a dissonância à espiral descendente em marcha?

‘Sim’, entusiasma-se a economista que sabe dos limites daquilo que a ‘malta’ conservadora chama de ciência econômica.

‘Mas uma frente que apenas reitere o quadro existente não adianta’, pondera, atenta ao jogo que no primeiro tempo, como já disse, mostra que perdemos.

‘É preciso algo amplo, democrático que se imponha’, arrisca para advertir de pronto: ‘Mas não me pergunte como; isso é com os políticos’.

Reserva, todavia, munição para um último disparo certeiro.

Dirigido justamente ao PT.

O partido que ajudou a construir, do qual foi deputada entre 1991 e 1995, com o qual caminhou desde os anos 90 e assim prossegue

‘O PT precisa decidir o que quer; nos anos 60, nós éramos desenvolvimentistas. Mas o PT hoje parece dividido. Temos os ‘desenvolvimentistas’ –brinca com o termo hoje usado apenas como um marcador genérico para o pensamento de esquerda na economia.

‘Ao lado dos desenvolvimentistas noto que há agora no PT uma parcela grande de ‘estacionistas’, diz a professora.

A língua afiada encontrou um jeito de expressar o incômodo que não quer explicitar. Conceição escande o achado com o riso que convida à cumplicidade: ‘Tá cheio de ‘estacionistas’. Vão resolver o Brasil parando o país?’.

É um fugaz momento de descontração na penosa alternância de frases e silêncios sugestivos da intelectual que enxerga a encruzilhada do país como uma encruzilhada também das forças das quais é uma expoente.

“Tem gente que acha que você pode estacionar para estabilizar e que, feito o serviço, os capitais retomam o investimento. Isso num mundo há seis anos mergulhado numa crise em que ninguém investe em lugar nenhum’.

Nem mesmo nos EUA poderia dizer.  

A economia que se notabiliza pela ‘recuperação inequívoca’ –no dizer das colunistas de certezas graníticas em relação à saúde do capitalismo -- acaba de registrar a sua terceira recidiva na crise.

O PIB dos EUA caiu  0,7% no primeiro trimestre, mesmo com taxas de juros entre negativas e zero desde 2008, e sob o efeito de um regime de engorda de liquidez de U$ 1,5 trilhão, recém concluído.

O ‘estacionismo’, naturalmente, rechaça a ideia de uma frente ampla, como a  conjecturada por Conceição, para negociar o passo seguinte do desenvolvimento do país em meio a essa algaravia de sinais e lógicas em litígio, ao sabor do proficiente mercado financeiro global e de suas agências (as de risco).

Basta estabilizar.

O mercado autorregulado que a amiga Presidenta criticou em 2012 fará o resto: os capitais que não investem no mundo voltarão a investir aqui, o mel correrá das vertentes e o leite brotará nas curvas dos rios, acreditam os ‘estacionistas’ cutucados pela professora.

O risco de o ‘estacionismo’ conduzir o Brasil a um beco sem saída na boleia de uma recessão histórica não é pequeno.

Conceição não comenta.

Mas seu silêncio preocupa mais ainda que as palavras.

Fonte: http://cartamaior.com.br/?%2FEditorial%2FPerdemos-de-novo-professora-Conceicao-%2F33617

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Paneleiros

...de novo começaram a bater panelas enfurecidamente e a buzinar quando começou o horário eleitoral do PT. Gente que nunca bateu panelas contra o PP, PPS, PRB, PMDB, PSDB..., o espancamento de professores, a privação, o racismo, a fome, a dengue, a falta de água, a corrupção do Maluf, a entrega da vale do rio doce, o trensalão do PSDB paulista, o escândalo do Banestado dezenas de vezes maior que o mensalão, precatórios... nada, nada. O que se houve agora são apenas ecos ensandecidos de mentes instrumentalizadas que transbordam ódio
Esta histeria seletiva hipócrita da burguesia imbecilizada, antipovo, que odeia o bolsa família e detesta ver pobre em aeroporto e doméstica virando manicure, nos deixa impossibilitados de criticar os muito erros do PT como muitos de nós gostaríamos, pois temos que canalizar a energia para defender o partido dos ataques orquestrados pela grande mídia em aliança com a classe média “útil” e os movimentos facistóides, para achincalhar e CRIMINALIZAR o partido para destruí-lo e estancar os progressos sociais alcançados nos últimos doze anos, pois como vituperam seus arautos, “viajar a Paris agora, perdeu a graça porque se corre o risco de encontrar o porteiro do seu prédio por lá.”
Realmente uma pena não podermos dispender tempo e energia para uma crítica severa ao partido, estando sob ataque máximo. Infelizmente, tantas barbeiragens deram munição aos adversários e ainda por cima, jogou o destino do país no colo de um Eduardo Cunha. Triste!
Poderíamos estar debatendo todos os erros  e as cacas como as MPs 664 e 665 da vida, mas não dá agora. É hora de defender o que foi duro construir no Brasil, mas o quanto estamos chateados  com o PT, só nós que o construímos ao longo de trinta anos, sabemos.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

A QUE PONTO CHEGAMOS !!?

Após mudar de bairro, comecei a frequentar uma loja de materiais de construção de tamanho médio, da região e de tanto comprar coisas para o ajuste fino do Apê, acabei desenvolvendo uma “amizade” com o dono da loja que é um sujeito simpático, cordial e bem humorado. Então toda hora que desço lá para comprar um veda rosca, fita isolante, luva, broca, etc, ficamos algum tempo a conversar e pilheriar sobre assuntos variados, triviais... Até que hoje de manhã fui lá comprar umas conexões para adaptar um ducha higiênica e ele me perguntou:
-Rapaz você já recebeu o whatsUp sobre como vamos paralisar totalmente o Brasil dia 26, né ? Respondi que não tinha recebido. Ele disse; Como não? Então eu disse descontraidamente, que talvez os organizadores desses movimentos soubessem que dou meu apoio crítico ao PT desde sua fundação e ri como habitualmente fazia, só que desta vez ele não achou nenhuma graça e para meu espanto ele subitamente se levantou atrás do Balcão, todo vermelho e começou a gritar assim: Eu até que gostava de você, cara! Como pode você apoiar o “Nove dedos” que era pobre de marré e agora tem um patrimônio de oito bilhões de dólares e o filho do cara também ficou bilionário e dono de inúmeras fazendas de boi... Nisso,e outro cliente que a tudo escutava berrou “É dono da Friboi agora!” e foi chegando mais gente e repisando esses hoax e meio assustado ainda comecei tentar explicar o absurdo da grandeza da cifra citada de oito bilhões de dólares e que estavam repetindo hoax sem a mínima conexão com realidade... e que a despeito dos problemas, o Brasil tinha avançado muito na redução da miséria, e o movimento orquestrado de criminalização do PT tem raízes nos reacionarismos de sempre... e produzindo esses absurdos e que não é bem assim..., quando então sem nem me ouvir, começaram todos dentro da loja a gritar mais absurdos, hoax e todo o tipo de impropério e um mais exaltado disse que barbudinhos assim (como eu) não enganam ninguém e então percebi que aquela insanidade poderia ficar perigosa para minha integridade física e deixei o local rapidamente para o orgasmo geral de todos ali.
Ufa! Já a salvo já na rua me lembrei daquele fotógrafo que foi espancado na rua por se parecer com o Lula e concluí que a mídia rastaquera venceu a batalha da comunicação, tanto que conseguiu bloquear até o bom senso, porque se perdeu até a simples noção de grandeza proporcional matemática: Oito bilhões de dólares ? (risos!) Na sua fúria política insana essas pessoas apenas reproduzem todo tipo de argumento nefasto e sem nem pensar em quantos zeros iriam à frente do numero oito e seu real significado.
Na ausência completa do senso do ridículo, e pelas contas dos odiadores do Lula ele estaria na 136º posição do Ranking dos bilionários da Forbes, ou seja, o biliardário Roman Abramovich seria assim um pé de chinelo se comparado ao ex-presidente rsrsrs...
Seria só engraçado se não fosse assustador a ignorância, virulência e violência verbal dos seguidores desses movimentos tipo Vem pra Rua e seus tocadores de panela em geral.

sábado, 21 de março de 2015

O povo vai bem(?), mas o Brasil vai mal

O Brasil progrediu um pouco nos últimos 10 anos (e chegou até a ser o queridinho da vez da finança mundial por algum tempo), mas agora chega né?!  Hora de andar para trás novamente. Somos um país ciclotímico que avança um passo e retorna dois num ciclo de auto-sabotagem constante comandado pela nossa elite escravagista, reacionária, e extemporanêa.
Nosso Brasilzão católico véio de guerra, um país de matriz conservadora até a medula e escravocrata *distraido /desentendido, está agora cindido ao meio, não mais para disputar título de honestidade ou coisa assim, mas para provar que agora sim todos somos corruptos. Explico: Durante muitas décadas a esquerda combatia a casa grande, os conservadores, acusando-os de corruptos, atrasados, escravocratas, patrimonialistas.  Agora o Jogo se inverteu; Ao chegar ao poder em 2003 a esquerda foi com o tempo perdendo a “castidade” e começou vir á tona, escândalos que antes eram associados às classes dominantes que tradicionalmente, governaram a nação por séculos e este fato, deu a munição conveniente ao argumento nefasto de que políticos e partidos são todos iguais e ninguém presta. Inacreditavelmente esta propaganda colou e hoje estão todos brigando para provar quem é mais ou menos corrupto. Finalmente os conservadores encontraram um discurso (desolador) como que dizendo, tá vendo? Todo mundo é corrupto principalmente vocês que se diziam honestinhos. Agora somos -quase- iguais só que nós temos pedigree, classe, sabemos o nosso lugar e não misturamos as coisas como vocês da senzala. Ato contínuo, tentam também, relativizar  a nomenclatura de esquerda e direita para confundir como se tudo fosse a mesma coisa e assim camuflar comportamentos retrógrados e legitimar a miséria, a concentração de renda, as discriminações, o apartheid social, etc, como acontece com a união supra partidária das bancadas da “bala”, “ruralista” e “evangélica”, mas como ensinou chomsky, não há ainda substitutivo para esquerda e direita para designar -ainda que vagamente-, quem está incondicionalmente alinhado ao lado do capital e a favor da exploração do suor alheio e quem tem um olhar mais humanista sobre ser/estar neste planeta.
Esta tentativa de nivelamento por baixo, serve também para os preguiçosos posarem de inteligentes que dizem que tudo não presta e todos são iguais e com esta tirada esperta, pretendem se destacar e pairar acima dos outros mortais, mas de fato, é apenas um escapismo e uma desculpa pseudo-chique para a alienação e preguiça cívica.
No outro extremos estão os filhos da globo, se matando em manifestações insólitas, para provar quem é menos pior. A senzala ou a Casa grande? Quem rouba mais e melhor? Embora pareça insano, a disputa agora é sobre os desvios alheios. Já nem mais discutimos a possibilidade de retidão. A conversa é só sobre quem são os corruptos mais competentes.
Isto tudo porque as campanhas e a própria manutenção política, nesta democracia de 32 Partidos é movida a caixa dois desde sempre para todos os partidos políticos sem exceção, com a promiscua relação de  orgãos estatais, empreiteiras, etc, sendo que, o que valia sempre, era não deixar nunca aparecer o rabo, que foi que aconteceu nas privatizações, mensalão, carteis do metrô, petrobras etc... e que está agora alimentando o falso discurso da moralidade para objetivos espúrios.
Se quisessem moralizar minimamente esta farra, acabariam com o financiamento privado (doações de campanha) Mas com exceção do PSOL e do PT todos os partidos são contra e os tocadores de panela nem sabem o que é isso. Que moralidade e esta então?  Porque a turma do contra-tudo-isso-que-está-aí, não é minimamente politizada -para além de bater panelas-, e não sabe nada a respeito daquilo que é contra e nem parece interessada em saber. São apenas marionetes arranha-teflon, que enchem as ruas falando do comunismo, da tradição, da família, da propriedade, da roubalheira (dos outros), da venezuela, cuba, bla,bla,bla. rsrs... e assim tudo seguirá do mesmo jeito de sempre. Um passo a frente e dois pra trás!
Surfando nesta onda de que todos são corruptos, turbinada e repisada pela mídia -principalmente o partido que está no poder-,  ressurgiu muito oportunamente o movimento golpista similar ao de 1964, que visa à retomada do poder, sob a desculpa da “moralidade”. Até as faixas são as mesmas, com dizeres da época como, “O Brasil não será uma nova cuba” (risos!), etc... e outras sandices.
O conservadorismo depois de 12 anos engolindo o PT, viu agora a oportunidade de provar que eles (a esquerda), são corruptos também e com a ajuda inestimável do quarto poder (mídia) partiu para o tudo ou nada, aproveitando o momento de debilidade econômica, para virar o jogo a qualquer preço. Então hoje estamos assim: Setores do Judiciário levantam a bola (vazamentos seletivíssimos) o quarto poder amplifica (o mar de lama), jogando no ventilador e a Casa Grande, convoca as manifestações moralistas canalizando a raiva difusa do “povo” do contra-tudo-isso-que-esta-aí, para depor a Presidente eleita como se contra ela pesasse alguma acusação do ministério público.
Desta irracionalidade sinistra, que bem poderia se chamar a guerra de excrementos, claro não poderá vir nada de bom, pois o país está indo à breca e ninguém ganha. Todos perdem. Mesmo que os conservadores consigam efetivar o golpe branco, como vão governar depois? Além disso, as medidas econômicas corretivas possíveis, é o remédio amargo único de tempos neo-liberais e que já está sendo administrado e assim, seja lá quem vencer a guerra do quem é mais corrupto, o remédio será o mesmo.
Rapina á vista;  Empresas transnacionais e outras nações mais bem organizadas mentalmente já estão se assanhando e lambendo os beiços para o pré-sal e outros despojos que virão na esteira desta luta fratricida.
Chega a ser cômico ver as “afinidades”  dos grupos na peleja: de um lado estão o que se poderia chamar genericamente de esquerda mais os movimentos sociais MST, etc, sindicatos, CUT e setores mais intelectualizados, simpatizantes dos direitos humanos e o que sobrou da militância de esquerda.  Do outro lado ficaram os endinheirados, brancos conservadores, a mídia, e uma massa disforme inteligentemente orquestrada anti-tudo-isso-oque-está-aí composta de –pasme- grupos fascistas, simpatizantes da volta do militarismo, anticomunismo, anti-gays, anti-qualquer progressismo como implantação de ciclovias (coisa de petista), proteção dos trabalhadores domésticos, adoção de cotas, bolsa família (que chamam de esmola) etc, e etc.
A âncora do movimento é a criminalização da  esquerda como sendo a mais corrupta da galáxia e todo tipo de maledicência delirante como, querer o fim da família, através da cartilha gay nas escolas, transformar o Brasil numa cuba e/ou venezuela, tomar as propriedades, impedir o agronegócio, comer criancinhas, blábláblá...  
Inacreditável como esta salada vencida, mas bem reembalada está sendo vendida/consumida, como novidade resgatadora na forma de indignação e “Manifestação pelo fim da Corrução”. Incrível o poder da mídia sobre os corações e mentes, sobretudo em nosso país que apesar de continental tem uma única TV que é ao mesmo tempo os olhos e ouvidos da nação e um poderoso tentáculo do conservadorismo.
Depois que a Globo se animou e encampou a batalha, já não se duvida de mais nada e parece nem mais haver ilusões de que um dia veremos um país mais bacana e menos desigual.
Devíamos estar lutando por um país melhor, mais fraterno e menos injusto, mas estamos desperdiçando tempo e energia com esta  “peleja”.  Tudo porque o conservadorismo está com muito medo de que Lula se candidate em 2018. Pensam que a chance de o derrotarem, é agora ou nunca, instituindo um 3º turno disfarçado de "guerra á corrupção" (dos outros)!
Assim, de uma só vez uniram-se todas as forças do atraso, para inviabilizar este governo (e o pais?) direcionando este fluxo caudaloso, para a retomada do poder e se possível derrubá-lo e manter o Michel Temer como uma espécie de Sarney-Provisório até 2018 quando então poderiam colocar a outra mão na Taça com ares de legalidade. Porém há o risco real de que se a presidente cair, o vice Michel Temer também caia por impugnação de chapa e nesse caso o presidente da câmara Eduardo Cunha (investigado na lava jato) assumiria com risco de também ser cassado juntamente com o presidente do senado que também está na lista do MP e aí seria o samba do criolo-doido-sucessório...  Diante deste imponderável, -e sabendo que os militares não estariam interessados em intervir-,  alguns estrategistas da direita defendem a tática de manter o governo continuamente sangrando até 2018 (e o país também?), através do esquema atual e 
que está dando muitíssimo certo com setores do judiciário e PF que continuariam escamoteando o que não favorece o golpe e vazando seletivamente “suspeitas” a conta-gotas contra o governo. Na outra frente, as bancadas conservadoras e “temáticas” no congresso prosseguiriam defendendo os valores da família contra os progressismos dos costumes, dos comunistas, etc, associados ao PT, e finalmente, a mídia com papel de destaque nesta cruzada, seguiria amplificando e turbinando tudo isso, negativando expectativas e jogando no ventilador e nos lares após o jantar. Servido este coquetel,  os endinheirados mais a turma intermediaria com varanda-gourmet, organizam a indignação  da turba/milk-shake dos “contra-tudo-isso-que-está-aí ” na esperança de retomar -no grito- logo o poder que sempre foi deles, com exceção de alguns breves soluços/momentos na historia (Getúlio, Juscelino, Jango, Lula...)   Que foram duramente combatidos quando não defenestrados.
Resta agora saber se a internet fará a diferença desta vez, embora o que interessa mesmo é a economia. Se a economia estivesse indo bem, ninguém iria ás ruas por nenhum motivo, mesmo insuflados pela mídia, como aconteceu com Lula em 2006, mas com a economia cambaleando, ninguém suporta ouvir que milhões estão sendo desviados aqui e acolá.
A esquerda e o PT precisam encontrar tempo e espaço para auto-crítica, reconhecimento dos erros e mudança de rumo, no lugar de usar todo o tempo e energia se defendendo, porque a grande massa do contra-tudo-isso-que-está-aí já está cansada da polarização ricos x pobres e quer mesmo é novidade. E de novo até agora só teve mesmo, a manifestação frankenstein, alcunhada de  "Manifestação contra a corrupção" e contra-tudo-isso-que-está-aí, seja lá o que isso signifique.

domingo, 15 de março de 2015

Trocando o bolo ao invés de eliminar as moscas.

Nunca vi o Brasil tão baixo astral assim desde 1982. Estamos paralisados por um movimento de falso moralismo da direita retrograda que aposta no quanto pior melhor para retomar o poder.
Parece que houve uma despolitização e deseducação muito grande em relação à época da redemocratização do país, o que fica claro nas manifestações com –pasme- pessoas e grupos clamando pela volta da ditadura militar e outras pérolas como vi agora a pouco numa faixa: “pelo fim do Supremo e do Governo Só queremos Ministério publico e Policia federal” (rir ou chorar!?), mas o mais desalentador é ver em curso o processo de auto-sabotagem da nação, através da canalização da raiva para lugar nenhum, ou para todo lado..., paralisando a economia e o país, como se isso fosse levar a algum lugar, porque embora todos sejamos contra a corrupção e baixa politicagem, não será pela autofagia e irracionalidade, que vamos mudar as coisas, mas as pessoas parem ter preguiça de pensar e acham mais fácil eleger um bode expiatório, o que é bem explorado/capitalizado pela mídia e os inconformados com o resultado das últimas eleições e saem por aí replicando palavras, frases, ideias sem nenhuma reflexão.
Causa espanto, ver que as pessoas estão indo à Rua para derrubar a presidente eleita, ao invés de exigirem do congresso uma mudança de postura e as reformas que o país precisa.  Preferem ser manipulados contra a presidente, como se houvesse uma única acusação do ministério público contra ela, ou como se a corrupção fosse algo novo e exclusivo de um partido, esquecendo-se que a matriz dos nossos problemas são desde sempre, o não enfrentamento da reforma política, para desencorajar a corrupção, extinguir privilégios, como foro especial para políticos, etc.
Em outras palavras, preferem trocar o bolo a eliminar as moscas, donde se conclui que a "moralidade" é só um pretexto para um 3º turno. Pobre país!
Chega a ser risível o presidente do congresso e da câmara, sendo investigados por corrupção, e a indignação e a raiva serem capciosa e desonestamente desviados e direcionados a depor a presidente, sem sequer raciocinarem que eles estão na linha sucessória!? Ainda por cima, não percebem que agindo assim estão transformando o Brasil num Paraguai, onde o presidente é deposto toda hora sem mais nem menos e nenhum respeito às regras institucionais.
A raiva da baixa politicagem e corrupção que deveriam ser canalizadas para mudanças estruturais, como a reforma política, fim do fórum privilegiado, fim do financiamento privado de campanhas, que é a raiz da corrupção, estão sendo direcionadas para derrubar a Presidente e desmoralizar o país, nivelando-o ao nível de uma Guiné Equatorial, Paraguai, etc, por puro ressentimento, sexismo, misoginia, machismo, discurso de ódio e burrice.
Pobre nação, onde as pessoas estão indo a rua se indignar e bater panelas sem saber pra quê?  Querem derrubar a presidente, sem nem sequer saberem o que vem depois, o custo e as consequências da quebra das regras eleitorais instituindo o "terceiro turno" a fórceps !?   É inacreditável a burrice. 
Não conseguem ver que não há nenhum valor prático em bater panelas, derrubar uma presidente e manter as mesmas regras e corruptores nos seus devidos lugares. Além do quê, há uma quase total ignorância sobre o que é “república” e as regras constitucionais, federação, divisão de poderes, etc.  Hoje a presidente é crucificada por coisas como buraco na calçada, até a falta de médicos em hospitais estaduais e a seca no sudeste. Tudo ficou tão patético de repente... É o vale tudo para depor a presidente, mulher que ganhou do playboy ungido pelas elites. (Haja misoginia incrustada no inconsciente coletivo deste nosso Brasil!)  Bem poderiam acatar as regras do jogo e tentar novamente em 2018 ao invés de incendiarem o país para desfechar o golpe branco com o auxilio do quarto poder.
Perdeu-se a noção completamente e isso tem sido amplificado pelos bem nascidos e a mídia gorda que em tese, deveriam conduzir o país por caminhos melhores. Para piorar, os ressentidos que perderam as eleições resolveram se vingar, e juntamente com a irmã siamesa mídia, espalham mentiras, incentivando desonestamente a irracionalidade e indignação, para cima da presidente, mesmo sabendo que ela não é culpada, mas não importa. O que importa é dar o golpe, é destituir o partido vencedor das últimas eleições e depois, foda-se!
O ódio ao PT, aos pobres, nordestinos e às mudanças ocorridas nos últimos anos, não foram digeridas pelos conservadores e os reacionários que agora estão aproveitando o “momento”  para se vingarem,  direcionando contra a presidente, a indignação difusa da população contra a corrupção, “criminalizando” o partido, para feri-lo de morte, apenas por raiva, ressentimento e inveja, mas e depois? O que virá? O PMDB assume de vez. É isso? Justamente o partido, cujos caciques são os maiores suspeitos no escândalo da Petrobrás ? Sério isso? Então onde está a preocupação com a corrupção? Qual a lógica dessa indignação, panelaço então ?
Que país é esse ?
Esta manipulação e o ódio incentivado da mídia/direita cegou as pessoas comuns ao ponto de acreditarem que o maior problema do país é o PT. Passaram a acreditar em bobagens comunistas, entre outras coisas fora da realidade.
Está claro que, o maior problema do Brasil não são os pobres, são os ricos. A elite com poder econômico e político é quem poderia tornar o Brasil um país mais justo e menos desigual, mas não quer, nunca quis. São pessoas narcisistas, pouco cultas, que se acham superiores, que se sentem especiais num país tão selvagem e ignorante, tão desigual. Preferem manter essa distância "do povo" para manter esse sentimento de que são "diferenciadas", privilegiadas... gostam do olhar de admiração, inveja, até de 'endeusamento'... Que as novelas globais e cultura de celebridades, sempre souberam explorar tão bem. Quem realmente pode mudar o país, não quer que ele mude, ou quer “mudar” para ficar tudo igual.
Nunca pensei em jogar a toalha antes, mas confesso que desanimei. Não acho que o Brasil vá ser nada diferente do que tem sido durante a minha estadia aqui na terra.

MANISFESTAÇÃO DE 15/03/15  a favor do Impeachment, da ditadura, do emplastro sabiá e da volta do Nokia com o jogo das cobrinhas