sexta-feira, 3 de abril de 2020

Divagações em tempos de covid 19



Nesses dias de Covid-19 tem sido inevitável pensar na morte e no que se fez da vida... e aqui na solidão desse apartamento não avarandado onde só enxergo paredes, fiquei pensando em tudo que armazeno aqui e que para além de serem meus bens posicionais, são as coisas que juntei pela vida a fora... e fiquei pensando se eu morresse hoje o que seria disso tudo e será que alguém iria aproveitar “meus tesouros...”?

Será que alguém iria ver o que tem nos meus Hd´s ou simplesmente formatariam para dar novo uso? E aquele resfriador de nitrogênio para processadores ultrarápidos? Alguém saberia do que se trata ou colocaria no lixo como sucata? E os discos, livros que são parte de mim, fotografias que são fiapos de vida que me conectam com diversas significações, assim como meus filmes eróticos, anotações, revistas, cartas (sim sou desse tempo), escritos variados e por aí vai!? Que fim teriam?  O que é a vida e o que realmente vale?  E a aquela minha caixa que tem todos os tipos de cabos e conexões, conversores, placas, adaptadores, ferramentas, memórias, coolers, multímetros, fontes e tudo que é coisa que eu talvez possa precisar numa madrugada insone caso alguma coisa quebre ou colapse? E o que seria da minha incrível caixa de remédios salvadora que o Miró uma vez apelidou de caixa mágica? Redes sociais sem senhas, contas bancárias, roupas, chocolates e  outras guloseimas escondidas de mim mesmo, planos para o futuro, pensamentos obscuros, coisa por fazer, garrafas por terminar como aquele Hennessy escondido na gavetas de cuecas!? E aquele plano de ir numa casa de swing sempre adiado? Só agora notei como a morte  é desrespeitosa!  Não tem um pingo de consideração...!? ...e nem fiz a transiberiana ainda, pô!

Olhei para para o lado e a Tv não para de falar dos até então invisíveis 30 milhões de pessoas esquecidas em habitações precárias sem agua e esgoto que juntamente com as centenas e milhares de pessoas que vivem nas ruas.. e que agora poderão contaminar e matar os bem-nascidos ou quem sabe até ocupar leitos hospitalares salvadores que poderiam ser destinados a gente de bem(?). Pensei na ironia e na tal lei do retorno ao ouvir isso. Subitamente descobrimos agora que eles existem e passaram a ser objeto de preocupação geral, quem diria!? 
Nessas paranoias e divagações senti uns calafrios de imaginar que caso aconteça algo comigo e resolvam me enterrar Brrrr...!  Tenho pavor disso (tenho falta de ar). Preferiria ser cremado e poderiam distribuir minhas cinzas em quatro lugares: 1- Edifício Copan, 2- o número 102 da Rua Sergipe em Higienópolis, 3-numa praia do litoral norte que pode ser Bonete, praia do alto, Mococa, Felix, e 4- no pé de jatobá a poucos metros da casa onde nasci e cresci e por favor não permitam que nenhum familiar ou amigo pietista promova arenga religiosa e nem choradeira pois tenho vivido uma vida boa -depois que me afastei de religião-, até aqui. Prefiro celebração, música boa, alegria, fotos, boas lembranças, muita caipirinha e torresmo.  

Deitado olhando para o teto  no modo retrospectiva  eu não acho que mudei muito ao longo da vida...  fui apenas sublinhando e negritando o meu sentido de existência sem nunca dar nenhum cavalo de pau e virar outra pessoa como um amigo mais velho da adolescência que me mostrou Pink Floyd, Gênesis, etc e me deu um livro do psicanalista Erick From e outro do Sartre e que foram a centelha para eu me descobrir, quando eu ainda tinha uns 15 anos e sem saber quem eu era direito...  Bom, esse cabra eu reencontrei uns 20 anos depois acidentalmente e a primeira frase que ele falou não foi olá como tem passado, nem algo do tipo sabe, ele simplesmente como todo fundamentalista descerebrado atirou a queima roupa; “Como está sua vida com Deus?” e eu fiquei paralisado sem saber se era uma piada, mas logo percebi que não. O cara tinha virado um intrépido religioso e bolsomínion para minha estupefação. Sem assunto, indaguei sobre sua antiga discoteca com Lp´s progressivos dos anos 70 e ele mudou de assunto e depois eu soube que ele havia quebrado todos numa época que se acreditava que tocados de trás pra frente, os discos de rock conteriam mensagens satânicas segundo a crença patética, com perdão do pleonasmo.

Como é de conhecimento geral Tenho verdadeiro horror à religião (inclusive as que disfarçam/negam que são religiões), a partir da minha vivência e do que ainda hoje vejo ao meu redor a todo instante, mas não faço mais disso um cavalo de batalha, nem perdi minha espiritualidade no sentido de acreditar em uma possibilidade de transcendência, mas sem aderir a nenhum credo disponível nas prateleiras dos hipermercados da fé. É mais uma espécie de reverência aos mistérios insondáveis da vida e seus porquês. Diferentemente do que preconiza o Dawkins e de certa forma também o Christopher Hitchens, modestamente reconheço que há mistérios. 

Até vejo poesia e coisas pontuais interessantes e bacana nos livros religiosos como a Bíblia que é como outro livro qualquer que fica na prateleira de livros, e claro como todo ocidental me simpatizo mais com ela do que com os escritos corânicos, budistas, hinduistas etc.  Tenho muita simpatia pela parte do Jesus histórico, mas verdadeira ojeriza de seus explicadores calvinistas e quejandos. Já aquela parte abraâmica eu não curto muito não. Há também outros quase seis mil mitos de criação mais  -digamos-, divertidos por aí e assim não vejo porque esse monoteismo todo muito chato e exclusivista e que malucos por toda lugar teimam em levar a sério.

Falando nisso, o que tenho visto de conhecidos/amigos cristãos migrando para o Budismo ultimamente é uma enormidade e eu brinco com eles que só trocaram de droga, mas o vício permanece...  Aliás no budismo parecem que ficaram ainda muito mais cegos e fanáticos...  Não entendo!  Converso muito com eles e me parece uma coisa assim bem amalucada e ainda estou por entender o motivo dessa reconversão e suspeito que o budismo por não trabalhar com a "culpa" ele entrega mais por menos. um melhor  custo/benefício talvez. Ainda vejo o taoísmo com mais interesse para assuntos de boteco.

Toda religião claro, é nociva ao desenvolvimento humano sem dúvida, mas mais chato que religião só mesmo seus seguidores com destaque para  os religiosos cristãos e seus argumentos malabares que podem ir de  Karl Barth até Malafaia rs,rs,rs... dependendo da necessidade que é o que define o sofisticação do verniz a ser aplicado sob a pintura.  Dia desses por exemplo, me chegou um texto tão rebuscado e tão erudito para me reconvencer da fé cristã, que logo ví que me superestimaram, afinal não sou um conhecedor profundo do pensamento de Kant, Kierkegaard, Wittgenstein, Paul Tillich etc, e sem isso ficaria muito difícil a compreensão e alcance da mensagem, dadas as idiossincrasias envolvidas para aceitação da proposta redentora que culminaria com a assumpção de uma tonelada de culpa e claro, o pagamento em energia, medo do inferno e também o dízimo, porque ninguém é de ferro.  Neste ponto aliás, o bispo Edir Macedo e seus rivais tem sido bem mais bem-sucedidos porque não gastam tempo com firulas, mas essa já é outra conversa que ficaria melhor e mais produtiva com a presença de Bertrand Russell e algumas  camisas de força, quem sabe!?

Atribuo sem dúvida alguma à religião todas as desgraças da humanidade ao longo da história e que continua ainda hoje. Não me animo de jeito nenhum com aquela conversinha conciliadora (para boi dormir), de sumidades como Marcelo Gleiser passando pano para a religião, dizendo que houveram contribuições... variadas como monges que manipularam ervilhas e deram origem a genética ou porque a religião nos deu Michelangelo bla, bla, bla...!  No final das contas, se com religião e seus horrores a humanidade conseguiu tantos avanços, imagine sem ela?  Provavelmente já teríamos colonizado encéladus e vencido a morte ou pelo menos adiado em muito.

Tento aproveitar a dádiva da vida como posso e se possível avançar um tiquinho e superar limitações com a ajuda da psicanálise, a arte e sobretudo à ciência a quem aliás credito todos os avanços da humanidade desde que descemos das arvores no pleistoceno há três milhões de anos.

Assim pensando me veio aqui dos meus botões um pensamento que pode advir disso tudo, um certo pânico que sempre tenho de voltar à cidade natal (Jataí), cidade onde nasci e vivi até os 17 e remexer nas gavetas da memória e encontrar com meus demônios adormecidos que sempre acordam enfurecidos e também de falar com pessoas do passado ou gente que aparece como fantasmas pretéritos com aquela prosa ruim, pegajosa típicas de figuras tenebrosas e inquisitoriais que paralisaram no tempo, mas ironicamente  são também susceptíveis ao novo corona vírus, embora se julguem protegidas e cujas mortes sempre ganham manchetes por paradoxais.

Nestes dias é quase impossível não lembrar do filme  "O sacrifício" de Tarkovsky com aquele clima apreensivo de merda, espera, medo, fatalismo, impotência e raiva sobretudo.

Bem, acho que está na hora de dar uma atenção para o zé, que não para de miar, abrir um vinho e ler alguma coisa leve como "Variações sobre a vida e a morte"  (Rubem Alves) para acalmar o espírito, ao som de Layle Mays, Toninho Horta... e esperar que essa peste não me leve e nem leve ninguém querido ou distante o que parece difícil, dada às circunstâncias locais Boçalnáricas e mundiais que nos legaram essa praga anunciada e prevista pelos microbiologistas que nunca foram ouvidos pelo Capital.





domingo, 29 de março de 2020

O NOVO SEMPRE VEM !?


Liguei o PC hoje e tudo no mundo parece ser sobre um cantor de nome Gustavo Lima que não sei quem é, e isso me fez pensar que estou “por fora” de tudo que acontece no mundo mainstream da música... e lembrei do meu sobrinho que quase morreu de rir quando contei a ele sobre as “10 mais” dos anos 80 que tinham Milton Nascimento, Caetano, Led Zeppelin, Gil, Queen... e como era difícil conseguir os álbuns logo que saiam...

Por outro lado, um dia desses um amigo entendido dos parangolés musicais me recomendou fortemente observar um projeto-música ou estilo musical: Infinite Bisous - Tema Sex dream marine ***, e demorei a encontrar tempo para ouvir.

Depois de escutar um pouco concluí que não é ruim, mas como na maioria das vezes em se tratando de “novidades”, musicais não foi algo que me comoveu, pois lá como cá, já não tem aparecido muita coisa realmente empolgante para meus ouvidos que estão exigentes ou estou inevitavelmente ficando velho.

Acho que última novidade por assim dizer, que me comoveu foi o “Daft Punk” em 2013 por aí...

Essa coisa de garimpar ou ficar de bar em bar procurando musica boa, cansou. Claro que existe muita coisa bacana rolando por aí em algum lugar recôndito, mas não tenho mais ânimo para o garimpo. Sei lá tá difícil! Só quero escutar alguma coisa que emocione.

Tenho escutado umas coisas "novas" e gostado... até, tipo Oxente Groove, Silibina, Fatoumat, Coletivo Missa, Bixiga 70, kubata, Muntchako, Dharma Samu, Ricardo Primata, Cirilo Amem, applegate, Zoi de Gato, Francisco el Hombre, Anders Helmerson trio, Lianne La Havas e outros, mas não chega a ponto de dar vontade de voltar pra casa logo e ouvir “aquele álbum” como aconteceu por exemplo com “The show of Hands” do Rush, “Terra dos Pássaros” do Toninho Horta, “The dark side of the moon” de Pink Floyd, Clube da esquina, “Ride the Lightning – Metallica” entre outros tantos, na época dos lançamentos.

Não sei se foi o tempo que passou ou se é como o lendário produtor André Midani disse: “Musicalmente somos todos datados fatalmente”, mas ando com a sensação que quase tudo que aparece me soa como uma espécie de “versão” (sofisticada ou vagabunda) de algo que alguém já fez antes e melhor, o que tem me levado a ouvir cada vez mais direto da fonte ou seja, “música velha.” 

Em se tratando de MPB por exemplo o que se vê agora são quase sempre uma espécie de “metamorfoseamento” do que já existia, com maneirismos e/ou toques pessoais, para não dizer imitações/clonagens mesmo.

Penso se essas novidades existiriam para preencher à nossa necessidade atávica de não parecer antigo ou se de fato são vanguarda, pois ao ouvir a coisa passada embalada como novidade, atenderíamos a um impositivo atual de não envelhecer, ao mesmo tempo que nosso ouvido não distanciaria muito da coisa antiga, ou se são de fato criações fantásticas e fui eu que perdi a sensibilidade auditiva ou a capacidade de identificar as novidades... vai saber.

Bem, Isso tudo me faz lembrar meu pai que sempre dizia que depois de Orlando Silva, Sinatra e Elizete Cardoso etc.., nada de interessante aconteceu (risos!) e que aqueles Beatles e a Jovem Guarda (que minha mãe gostava e eu também) eram muito ruinzinhos, o Raul Seixas, esquisito e  Roberto Carlos um Zé Mané que nem sabia cantar. 

É bom lembrar também que paradoxalmente o célebre autor de “Como nossos pais” já dizia que o “novo sempre vem! ” E ele já foi.

O Frejat recentemente tentou explicar esse desalento, dizendo que o que aconteceu, foi que a música desde os anos vinte primava pela melodia e do final dos anos 1990 para cá, o ritmo tomou o seu lugar e a gente (acostumado com a melodia) ficou um pouco órfão... se bem que a música que chamam de sertaneja está aí firme e forte na melodia, mas acho que ele não se referia a essas baladas sobre chifres e bebidas.

O fato é que ando sempre com a sensação de que quase tudo que aparece agora me soa como imitação anêmica de alguma coisa boa que já conheço ou um “Blend” sem alma com vestimenta nova para se vender como novidade e assim tenho me refugiado na música instrumental ou velha mesmo.

Exceções!? Humm..., raramente como o projeto do Leo Gandelman com os feras do Rap brasileiro que está tocando agora enquanto escrevo essas mal traçadas:  ♪...e êta que mundo bom de acabar♪♫

Obs: O Andre Midani provavelmente estava certo porque fui pesquisar o tal Gustavo Lima e achei um lixo.



terça-feira, 24 de março de 2020

A idiotia como lema de vida!




Diante das últimas declarações do Boçalnaro e ao ver os números do Datafolha não dá para não lembrar da famosa frase; “Os idiotas perderam a modéstia” de Nelson Rodrigues.

Pessoas ao fazerem más escolhas sob o pretexto do direito individual, muitas vezes podem prejudicar, contaminar e matar os vizinhos, filhos e eles próprios como já acontece em alguns lugares com aqueles que recusam-se a tomar vacinas por exemplo. Temo que ao votar em boçalnaro, seus eleitores nos colocaram sob grave risco porque ele é um doente mental.

Anteontem falei que tinha impressão que o Jair já era, mas hoje não estou bem certo, pois esses números de certa forma surpreenderam. Isso me fez pensar que provavelmente o boçalnarismo radical seja assim, uma coisa até anterior à existência do próprio Bolsonaro. Uma espécie de seita ou grupo silencioso envergonhado de suas teses desumanas e fascistas sempre dormentes à espera de algum mentecapto que possa vocalizá-las. Só isso explica que 3,5 em cada dez brasileiros continuem a apoiar a necropolítica boçal, que vem praticando a chacina social como política econômica, a negação da realidade, o culto ao atraso, à morte no lugar da saúde, e o ódio a tudo que não compreendem como as artes, o amor, a ciência a solidariedade e a convivência com quem pensa diferente deles.

Porque 35% de viventes se identificam com o boçalnarismo, mesmo diante da tentativa de assassinar sua população dando as costas à saúde diante da ameaça do vírus, por puro cálculo eleitoral? O mais provável é que essas pessoas que em sua canalhice atávica, que abdicaram do direito de pensar, seguem religiosamente um credo, um conjunto de ideias medievais e sempre estiveram por aí caladas à espera de alguém que, sem vergonha se pusesse a verbalizar toda sua mediocridade, estupidez, rancor, idiotia, ressentimento, misoginia e tudo o que há de mais nefasto e abjeto na alma humana. Não há outra explicação. 

Assim não importam, evidências científicas, educação, meio ambiente, saúde ou o que aconteça de absurdo, certo ou errado tanto faz, esses 30% estarão religiosamente sempre ao lado daquele que representa sua interioridade trevosa, que preconiza que meninos vestem azul e meninas rosa, a morte aos lgbtq´s, petistas, pobres, artistas, pretos, etc e agora até -pasmem-, a eles próprios.

Daqui para frente temos que nos preparar e não esquecer que essas pessoas sempre existiram e existirão e nos acautelar delas, porque são cultores da morte por ignorância ou canalhice, não importa.

sexta-feira, 20 de março de 2020

Solidão assistida.

E eu que sempre curti solidão, estou descobrindo que a solidão que gosto mesmo é aquela eletiva, tibetana/indiana que você põe um colar que significa que você não quer se relacionar com ninguém e segue andando no meio da multidão e fazendo tudo que gosta normalmente.

A solidão que gosto é aquela de quando meu celular toca sem parar e não dou a mínima, enquanto convites variados pipocam no whatsApp e você se resguarda para no momento que bem desejar, poder ir tomar todas naquele boteco vulgar quando reunir a diretoria, ...e apreciar o desfile de beldades que saem das aulas de natação na ACM.

Já essa solidão de agora é horrível; já consertei o rádio relógio de 1984 que adoro, com aquele mostrador vermelho que ilumina a casa inteira e orienta as visitas mais displicentes. Fazia muitos anos que queria localiza-lo e tentar reativar o despertador com o rádio e ontem realizei o feito.

O Toca discos Aiwa que estava parado desde 1997 entrou em forma também. Nem acreditei quando toquei o Vinil do Rick Wakeman “Viagem ao centro da terra” com todos os chiados e buracos que os filhos da puta dos amigos chapados fizeram nele nas lendárias reuniões da Rua Sergipe. Oh!

Também realizei a hercúlea tarefa de organizar o quarto do Gabriel que ficou parecendo uma fotografia da casa cor, onde antes eram só coisas jogadas, preservativos esquecidos, computador ligado eternamente, inalador, copos com meias, remédios, lenços, livros apostilas... basicamente um cenário pós-apocalíptico.

Só a Geladeira que ainda não encarei porque aí já é demais. Odeio isso.  Estou achando que vou atacar agora minha caixa de cabos e partes de computador e restos de aparelhos eletrônicos, que acumulo desde a invenção do vídeo cassete, mas ainda preciso de um pouco mais de energia e ímpeto organizador e tenho também, que rever centenas de revistas eróticas que acumulo desde 1978 e que venho postergando por ser uma missão muito dolorosa essa de ter que rever o passado... praticamente o diário de todas as semanas da minha vida desde aquela data.

Aqui estamos eu e o Zé (meu gato preto) que gosta de Tevê, alternando documentários, brincadeiras, internet, filmes pornôs, telejornais que as vezes são mais indecentes que os pornôs e também temos conversado muito. Antes eu brigava com ele por qualquer motivo como por exemplo, usar minha pen-drive como bolinha de futebol e depois eu levar um mês para localiza-la embaixo de um móvel que só era arrastado na limpeza bienal. Agora acho super fofo ele desaparecer com todas as minhas coisas entre as patinhas. Que graça! Apesar de ter umas cinco caixinhas de fio dental na casa, atualmente não encontro nenhuma e as tesourinhas e canetas sumiram todas.

Dormir em cima da impressora, pisotear o teclado que antes era infração gravíssima, também entrou no rol das coisas fofas... e pecados veniais como beber agua na pia do banheiro, lamber as escovas de dentes e dormir em cima das roupas tá super liberado.  Ficar miando sem parar me chamando para brincar ou dar de comer, só quando estou lendo algum livro que antes me causava irritação e raiva, agora acho o máximo da interatividade felina. Avançar na tela da TV dando unhadas quando aparecem imagem de pássaros que anteriormente era ameaçado com berros e juras de doação para Ong´s, agora é compreendido como impulso natural e residual selvagem...

E assim sigo aprendendo que a solidão só é bacana quando é optativa, assistida e seletiva. Essa solidão para valer que a gente fica barbudo, largado e ninguém lembra que você existe, ninguém quer beber contigo e você nem pode ir à rua apreciar os passantes, e o menear dos seus quadris, é um saco!

Como diz o protagonista do filme “Na Natureza Selvagem” na solidão dos seus últimos momentos, “as coisas só fazem sentido, quando podem ser compartilhadas” incluindo aí o isolamento por mais paradoxal que pareça.

Cheers!


                                                       O Zé caçando na tevê... 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Presidente da Funarte proibe rock dizendo que leva a satanismo...

                                                                                                                                                               
Revista Forum
Acho interessante como os colunistas que se pretendem isentos-imparciais, sempre que o Boçalnaro fala ou faz 
caca, dizem que as críticas ao governo boçal prevendo o fim do mundo têm sido exageradas... na grita contra os absurdos que são mesmo condenáveis e coisa e tal, mas no final de seus artigos/análises, apesar de levemente críticos, quase passam pano ao nominar o modo tosco-boçal e apocalíptico de governar, como apenas e singelamente, “o estilo do presidente” ou “retórica um pouco inflamada”, para então finalizar suas análises com a invariável afirmação que apesar disso, “as instituições estão funcionando” e que a “inflação está controlada e os juros baixos” como se esse singelo binômio justificasse o conjunto escatológico da governança boçal de estimular o ódio e emular as trevas, alinhando o país aos costumes do Paquistão e a subserviência a Donald Trump. 
Ora, que o mercado financeiro e a Fiesp se contente com o binômio, nunca foi segredo para ninguém, mas que analistas tentem passar pano ainda que de forma disfarçada é o fim.

Não há um só dia que não comece com algum absurdo ou medida estapafúrdia estimulando a destruição do meio ambiente, minorias etc, ou a completa idiotia na área cultural e educacional entregue a mentecaptos e analfabetos.

Todo o dia dezenas de fake News e mentiras são noticiadas nas redes para animar os tais 30% de eleitores fieis ao boçalnarismo, mas passar pano para mentira como forma de governo, não é pouca coisa.

Será que as instituições estão funcionando mesmo?

Hoje é só o Cinema, a Educação, a Cultura, o Chico Buarque, a Petra...etc, que estão sendo achincalhados, mas amanhã poderemos ser todos. A nomeação de um Nazista para a cultura para Cultura não foi um acidente. Ele foi cuidadosamente escolhido para conduzir a tal guerra cultural e só caiu por pressão da comunidade judaica.

O presidente mesmo sendo um ignorante exaltado ou energúmeno como ele próprio diz, uma vez eleito, deveria governar para todos ao invés de promover o desmonte das instituições democráticas, a divisão do país e perseguição a fantasmas com base nas trevas da ignorância onde ele busca seus auxiliares e conselheiros para seu (des)governo esdrúxulo.

Ao contrário da turma que acha que inflação e juros baixos justifica tudo, acho humildemente que podem estar equivocados e o Brasil acabe jogando fora o bebê da democracia, junto com a água suja do banho.





terça-feira, 21 de janeiro de 2020

UMA FOTO REDESCOBERTA


Meu pai contava que uma das maiores tristezas de sua infância se deu na fazenda em que nasceu  quando sua amiga -uma cadela dele-, que se chamava Campina, pariu seis cachorrinhos  e ele ficou encantado com os bichinhos, mas como meu avô não queria a proliferação de animais em volta do curral ordenou que ele se livrasse deles, atirando-os  todos no rio imediatamente e ele contava que à medida que ele entre lágrimas atirava-os na correnteza, a cadela se jogava na água desesperadamente, nadava e os trazia de volta para a margem sucessivamente e ele então tinha que devolver os bichinhos para a correnteza leva-los, até que vencida pela exaustão  a cadela perdeu a ninhada por afogamento e ele aos prantos se dividia entre o cumprimento da ordem patriarcal e o sentimento de impotência, maldade e traição com sua Campina, mas cumpriu a missão. De outro modo seria um “mariquinhas” ou levaria uma surra...

Conheci meu avô e ele em nada se parecia com uma pessoa cruel. Atribuo a isso à uma época e uma cultura onde os animais não eram considerados seres importantes e ao pragmatismo da dura subsistência da vida no campo nos lá pelos anos 1930/40...

Agora durante as férias de fim de ano em visita ao meu irmão Herculano, encontrei na casa dele uma foto da minha infância onde está o Tifú que foi o único cãozinho da minha infância-adolescência e me lembrei que meu pai me encarregou de exterminar com um tiro na cabeça, quando estava irrecuperavelmente doente, mas só me deu uma bala e pelo nervosismo eu não consegui o tiro perfeito e como ele estava agonizando e sofrendo e eu não tinha mais munição, desesperado passei a picape-rural por cima dele várias vezes num descampado para acabar com aquele sofrimento e cumprir minha missão.

Mais de quatro décadas se passaram e eu nunca me recuperei daquele olhar do tifú para o cano do rifle enquanto eu fazia a mira, ao cair da noite num campo baldio com mata rala e daquela merda toda que se seguiu...

Certa vez ao falar dessa tragédia que me atormenta com meu terapeuta, ele foi ás lágrimas e tive quase um arrependimento daquela sessão, pois o terapeuta ficou com uma ideia errada do meu pai, que também era um homem bom, mas forjado na rudeza da vida rural e na violência que infelizmente repassou.

De lá pra cá muita coisa mudou na maneira de encarar os demais seres que dividem o planeta com a gente, mas há muito espaço para melhorar. Andando pelo interior neste mês, vi muito cachorro enjaulado, acorrentado, abandonado, escorraçado e pouco considerados...

sábado, 4 de janeiro de 2020

O Jatobá da minha vida


Nasci aqui nesse pedaço de cerrado e brinquei a infância toda e parte da adolescência nesse lugar que agora é um parque ecológico e antes era apenas nosso quintal. Minha mãe mora aqui ainda aqui na mesma casa e da vizinhança toda num raio de uns quinhentos metros restam apenas duas famílias daquela época.

Vive ainda nos seus últimos suspiros um ser que é parte da minha vida que é um pé de Jatobá que despontava imponente e frondoso em cuja sombra e galhos eu brincava e que era meu confidente e amigo fiel a quem eu considerava muito e atribuía propriedades anímicas, grande sabedoria e conhecimento desde que meu pai e meu avô contavam que quando nasceram ele já estava ali impassível e exuberante se destacando entre os angicos, maminhas-cadela, barbatimões e seus trinetos jatobás em crescimento lento, mas inexorável.

Hoje ele está velho e decadente sendo devorado por cupins, fungos, com poucos galhos, declinante e sufocado por outra arvores e como não há manutenção no parque, em breve deverá desaparecer rodeado que está de sua exitosa descendência.

Sempre que venho aqui dou uma olhada nele e vejo que ele nem era tão gigante como parecia na infância e receio que levará muitos segredos em breve; Eu adorava comer o fruto do jatobá que é bonito, saboroso, nutritivo mas que tem um cheiro insuportavelmente fedorento para a maior parte das pessoas. Sempre que meu pai sentia aquele cheiro na minha boca, me castigava vigorosamente e me reiterava a proibição de comer "aquilo" e eu no meu íntimo mesmo na meninice, achava ridículo e injusto... comigo e com o Jatobá.

Há um provérbio chinês que diz que “não se deve voltar ao lugar onde se foi feliz ou infeliz” e toda vez que desobedeço e volto aqui sou acossado por mil demônios recônditos que ficam a maior parte do ano desacordados.

Desconfio mesmo que os Jatobás se comunicam e têm parte nisso... Sinto que ele se ressente da minha traição, quando desapareci daqui numa madrugada de janeiro de 1978 sem me despedir e nunca mais voltei.

Ontem lhe pedi desculpas e tentei me justificar explicando sobre a idiotia e egoísmo da passagem para a vida adulta e outras ruindades que vamos adquirindo conforme vamos nos distanciando da infância, comparando com os pleógafos que vão aderindo à sua casca assim como as vicissitudes da vida blá, blá,blá... e que nunca o esqueci nem o substitui pelas sequoias, abetos, jequitibás, angelins de outras paragens..., e de repente, percebi que ele já não ouve mais direito, mas murmurou qualquer coisa sobre o passar do tempo, que não entendi bem..., voltou a cochilar e mais, não falou.


Fruto do Jatobá (imagem ilustrativa)

sábado, 21 de dezembro de 2019

Ah, o natal...!


Bernard Shaw, o brilhante dramaturgo e frasista irlandês, disse certa vez que o melhor lugar para passar o Natal era um longínquo país oriental no qual a data não fosse comemorada. Concordo com ele e vou além porque fico raivoso com o povaréu me abalroando e  movendo-se bovinamente nas ruas, supermercados e shoppings estupidamente sem nem ao menos saber porque e transformando tarefas simples como ato de entrar num supermercado para apanhar nossa cerveja de cada dia num verdadeiro inferno. O Trânsito então nem se fala. Aquelas luzinhas chinesas cafonas até mais não poder, o chato do papai noel e a famigerada árvore de natal... Uma coisa sem sentido algum!? E o que dizer da histeria geral e comercial? Afff! 
Bem, em princípio não tenho nada contra festas, mas tenho tudo contra a babaquice e a HISTERIA geral por causa do Natal e ano novo e seu zero-significado.  O mais enervante de tudo é  aquele contaminante estado de anti-climax de que vai acontecer algo grandiloquente e o desespero para comprar lixo e comidas horrorosas como chester, tender, peru, etc. Hoje mesmo, fui comprar um barbeador e peguei um fila de uns dez metros no caixa com aquela musiquinha intragável de fundo e todo mundo com o carrinho lotado de espumante vagabundo, panetone ordinário, uma alegria postiça contrabandeada sabe-se lá de onde e os inexpugnáveis rojões que já começam a estourar anunciando que "grande momento" se aproxima (danem-se os animais de estimação).
Segundo um estudo ("Scroogenomics- Why You Shouldn't Buy Presents for the Holidays") da famosa escola de administração da Universidade da Pensilvânia, Para quem os recebe, nossos presentes valem apenas 53% ou seja 47% gasto com presentes são dinheiro jogado no lixo. O Psicalista Contardo Calligaris analisando o estudo, levanta questões interessantes:


... Por que oferecemos presentes de natal? Resposta óbvia: para produzir a maior satisfação possível no presenteado, para fazê-lo feliz. Talvez, mas vamos devagar. Por exemplo, é bem possível que a troca natalina de presentes seja sobre tudo um gigantesco "potlatch", como dizem os antropólogos, ou seja, uma maneira de torrarmos festivamente nossos recursos (dinheiro, bens e tempo) só para manifestar nossa riqueza (grande ou pequena) aos outros, ao céu e a nós mesmos. Além disso, cada um presenteia amigos e inimigos por razões que pouco têm a ver com a intenção de fazer o outro feliz. Há presentes pedagógicos e paternalistas (ofereço um vale-livros ao primo que não gosta de ler e uma camiseta P ao maridão que virou um boto), assim como há presentes que servem só para cumprir o protocolo ou para intimidar os presenteados (no estilo: "Este, meu caro, você nunca vai poder retribuir".)

... Quando alguém que amo (e que me ama) me oferece um presente, não espero receber aquele objeto que quero e procuro há tempo -claro, vou gostar de receber isso, e vai ser uma festa, mas, cá entre nós, esse tipo de coisa posso encontrar e comprar sozinho. De quem me ama, espero muito mais: espero receber algo que, até então, literalmente, eu não sabia que eu queria.
O verdadeiro presente é aquele que me revela meu próprio desejo.
 ...(continua
Publicado originalmente no Diário da Manhã em 24/12/2011 e de lá pra cá só piorou

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Curiosidade pela vida


Sempre achei esquisito pessoas que gostam de dirigir, não se interessarem por saber o básico do básico, sobre o funcionamento do motor e transmissão que faz o seu objeto do desejo –automóvel-, se mover,  que é uma ideia simples, fascinante e pode ser explicada e compreendida em menos de dez minutos, mas à cada tentativa, há desinteresse e tédio em 98,7% das vezes. Me pergunto o porquê dessa não curiosidade pelas coisas?  Como pode alguém cruzar uma ponte magistral e sequer se perguntar como aquilo pôde ser erigido!?  Como pode alguém pretender questionar decisões do STF sem ter noção de direito constitucional ou discutir política sem ler nada sobre o tema, ou mesmo criticar um jogador por não fazer gol se a função dele não é essa!? A meu ver a falta de curiosidade tem nos conduzido a um contagiante barateamento mental que nivela tudo por baixo e onde a pasmaceira triunfa.
Para mim a curiosidade pela vida em toda sua amplitude e um mínimo de conhecimento sobre o que nos cerca é o combustível da existência. Não vejo sentido nem graça em viver gastando o tempo somente com distrações frívolas ou pouco interesse pelas coisas que nos rodeiam sejam físicas ou intangíveis!?  Longe de mim achar que entendo de alguma coisa mais que os outros, mas seguramente sou curioso e estava pensando em voltar a estudar alguma coisa nova tipo geologia..., mas me sentido velho demais quando hoje topei com esta entrevista inspiradora de um cara com 96 anos que continua estudando.




quarta-feira, 27 de novembro de 2019

O Mundo imaginário dos mínions e beatificação da boçalidade


A internet esta ferramenta fantástica, também tem um lado ruim que é a proliferação de notícias falsas e boatos. Tento explicar aos adoradores de fake news, que da mesma maneira que procuramos o médico para saúde, o engenheiro espacial para explicar eventos atmosféricos, um alfaiate para cortar um terno e um agrônomo para tratar das plantas, temos que recorrer ao Jornalismo profissional para nos informar.

De outro modo, ficamos todos sujeitos às fake News já que todo mundo pode escrever notícias, confeccionar um banner ou editar um vídeo no youtube etc, difamando ou exaltando o time ou político de estimação e veicular nas redes sem nenhuma conexão com a verdade factual.

Infelizmente a verdade factual não importa mais neste momento ridículo que estamos vivendo no Brasil. Importa somente se a “notícia” nos agrada ou não, ou seja, vivemos agora o tempo da ambiguidade e da auto-verdade, que é um termo técnico para designar narrativas descoladas da realidade.

Coisa de uns dois meses atrás fui adicionado a um grupo WhatsApp da turma de 1980 da Escola Agrotécnica Federal de Goiás onde fiz o 2º grau em regime de internato. Tipo uma prisão rs... Era uma escola fazenda onde estudávamos teoria de manhã, aulas práticas a tarde e ocasionalmente, reforço à noite. Só podíamos sair do alojamento sábado à tarde e tínhamos que estar de volta no Domingo até as 22:00hs.

Decorridos 39 anos alguém começou a localizar os membros da nossa turma que eram 120 inicialmente e 83 foram localizados, alguns morreram, outros não foram encontrados e está rolando o maior tricô como direito a fotos e lembranças variadas e diabruras do tempo de internato e já tem alguns professores também incluídos no grupo e vai até rolar um grande encontro ainda neste mês ou no próximo.

Naquela época as Escolas Técnicas Federais com internato, eram super procuradas porque o ensino era bom, com laboratórios e mais alimentação e hospedagem gratuitos e eram o sonho das famílias rs... Tinha até cursinho e Vestibulinho para entrar.

Em um grupo tão grande como o nosso e com gente de todo o Brasil, de todas as origens, cor, raça, rico, pobre, milionário, remediado, preto, branco desdentado e de idades variadas  e nesta altura da vida, era de se esperar uma mínima pluralidade mental..., mas -pasmem-, a despeito de tudo isso, não há nenhum sinal de disso atá agora.

O que era para ser um espaço de congraçamento foi se transformando num palanque rastaquera do ideário mais reacionário possível, um verdadeiro palco de fake news, com vídeos e informações falsas jorrando aos borbotões. É aterrador constatar esse lado maluco da internet entre pessoas escolarizadas.
Pior que isso é a   assustadora unanimidade e distanciamento do pensamento crítico com automático alinhamento de ideias que me faz sentir um estranho e passam o dia inteiro com um discurso uníssono sobre o "mito' e dizendo que os jornais e tevês mentem o tempo todo, mas eles têm notícias de fonte limpa e despejam o dia todo centenas de fake news sobre todos os assuntos e gostos. Tem desde aquelas fakes com aparência de seriedade e mais elaboradas para os mais exigentes até as mais idiotas possíveis com erros infantis e absurdos ou descoladas da mínima ligação com a concretude.

Atacam tudo e todos daqui e de fora que não aderem à cartilha boçal. É como se fosse um grupo de mídia antagônica à realidade. Um fábrica de falsidades. Para cada fato real noticiado, imediatamente aparecem os contra-ataques boçalnaristas em pelo menos cinco versões falsas para; O bolsominion ilustrado, o néscio-ingênuo, o imbecil rematado, o supostamente letrado e o paranoico-terraplanista, de tal forma que ninguém fique de fora da “auto-verdade” que segundo eles, a grande imprensa e os jornais tradicionais teimam em esconder ou distorcer, porque para eles o Brasil não para de melhorar velozmente desde que o boçal se elegeu e tem até os dados estatísticos nessas “notícias” de sites apócrifos ou banners sem identificação, procedência ou fonte Crível.

O quadro é desolador.

Não há sinal de questionamento ou debate. Só adesão, unanimidade, absolutismo cego e aplausos de torcida.
O ódio aos 9 dedos e a prisão em 2º instância é como o oxigênio para todo bolsomínion que também aposta todas as suas fichas no herói Sergio Moro.

Não saí do Grupo ainda porque tenho uma memória afetiva/nostálgica desse tempo  e com alguns membros queridos do grupo, mas  aquilo que era para ser  união e reencontro para relembrar os tempos de internato virou um palco por onde escorrem mentiras e ilusões do boçalnarismo o tempo todo. Tenho claro carinho por essa época e por muitas pessoas do grupo, mas agora virou mais um laboratório para me ajudar a entender o que diabos está acontecendo com o Brasil?  Antes eu achava que essa ideia de "conspiração" tinha a ver com pouca instrução alienação, falta de senso crítico etc.…, mas não é tão simples assim visto que até professores que ali estão, propagam essas difamações e notícias sem fontes críveis e boatos e calunias  contra qualquer figura pública que questione o Mito, como Caetano Veloso etc....

De onde será que vem essa ideia de que o mito e o entorno são “iluminados” e destinados pelo divino para salvar o Brasil do descaminho e da corrupção, e que a mídia tradicional e a ciência são apenas petralhas que mentem e batalham contra o país, meodeusdoceo !?????

Agora, suprema ironia, é pensar que a mídia gorda que estimulou esse estado de coisas, acreditando que iria emplacar um candidato centrista, é agora taxada pelos boçalnaristas de serem inimigas da “verdade”, comunistas e por aí vai... Quem diria!?
O País atualmente virou um hospício para alguns e a suíça para os mínions em seu mundo imaginário, mesmo com o dólar passando de R$ 4,00 a gasolina caminhando pra R$ 6,00 e o botijão de gás a R$ 93,00. O mais engraçado é que os bolsomíniosn tem uma explicação (risível) pra tudo, porque a política deixou de ser a ciência da organização, direção e administração de estados ou nações voltadas para o bem coletivo, e passou a ser uma paixão nacional, uma nova religião com pessoas se comportando como torcedores de futebol e a razão foi para a lata do lixo, tanto que hoje somos 200 bilhões de Constitucionalistas e Cientistas políticos enquanto o país marcha para o abismo como se pode constatar se informando por jornais e revistas especializadas como Financial Time, Estadão, The Guardian, Folha de São Paulo etc... porque Mínion que se preza, diz que é tudo mentira e se informa por fake news, lives do mito e nos telejornais do bispo boçalnarista e similares.

Obs: Não precisam perder tempo me xingando de petralha, porque não sou comunista, nem petista, nem leninista, nem marxista, nem nenhum outro desses rótulos. Só não sou cego, obscurantista e nem adepto de teorias conspiratórias. Acredito que política não é religião nem torcida de futebol, mas uma arte e uma ciência complexa destinada à gestão de estados e nações de maneira equitativa e democrática atendendo a TODOS e que deve estar sendo sempre fisicalizada por todos.


Heróis e mitos só nos livros e gibís

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Era uma vez, um país pouco dado à leitura, que foi tragado por fantasmas.


Dentre 76 países pesquisados, pelo PISA international , o Brasil ocupa o vergonhoso 59 º lugar no índice de leitura e segundo o Market Research World, 44% dos brasileiros nunca lê e 30% nunca adquiriu um livro, o que por si só já explica muita coisa, pois como dizia Ray Bradbury “Não é preciso queimar livros para destruir uma nação. Basta que as pessoas não os leiam!”

Nos últimos quatro dias o presidente Bolsonaro falou e fez tantos absurdos que qualquer pessoa minimamente instruída está em choque, como se pôde ver pela resposta do diretor do INPE diante das estúpidas interpelações do obtuso chefe do executivo.

Diante de tanta ignorância pergunta-se o que levou tantas pessoas a se identificarem com o projeto de asnice em contraposição ao conhecimento? O que as levaram a eleger um grupo de pessoas desqualificadas, atrasadas e ineptas para a direção do país? Provavelmente uma meia dúzia de motivos igualmente insanos, mas parece que mais uma vez o mantra do combate a corrupção funcionou como carro chefe da alienação. O Fantasma que assombra a Brasil de tempos em tempos.

A despeito da “corrupção” ser vendida como responsável pela totalidade das mazelas nacionais, ela representa apenas 2,3% do PIB, mas esse dado é muito bem escondido e, como quase ninguém quer ler e se informar em fontes críveis, o que disserem que é, ganha imediatamente status de verdade. Isso por si só fortalece a tática de promover a indignação popular com o “velho fantasma da corrupção” quando convém e a proliferação das fake news e conseqüentes “viradas de mesa”, golpes... etc.

Como indagou o sociólogo Jessé de Souza “Como se Imbecilizou o povo a ponto de levá-lo a pensar que o problema do país é a corrupção política? Como se retira o poder de reflexão do povo inteiro a esse ponto? O alfa e o ômega da história brasileira é criminalizar a soberania popular e os pobres e ter o Estado para os ricos, roubar com isenções fiscais, não pagar imposto. Trata-se de uma conjuntura bastante difícil para o país, que vê dominado por um sistema racista de uma elite cínica, que manipula a classe média com uma falsa narrativa anticorrupção e, na verdade, usa o Estado em benefício de uma minoria desde sempre.

O fato é que a corrupção tem sido usada desde sempre para mobilizar as massas e os alienados com propósitos eleitoreiros e retomada do poder, porque de fato a posição do Brasil no ranking da percepção da corrupção mundial nunca alterou muito significativamente, na linha do tempo, ou seja, independente do governo, partido ou ideologia, a corrupção permanece mais ou menos no mesmo patamar, porque as causas e seu enraizamento na cultura, são muito mais complexos e difíceis de lidar e erradicar do que sugerem os discursos demagógicos caça-votos.

Porém, sempre que necessário, esse mote é utilizado com sucesso pela direita para desviar os sentidos daquilo que realmente importa, que é a redução das desigualdades com desenvolvimento econômico tentadas por governos populares.

Em 1954 criaram o “mar de lama” para designar a corrupção do governo Getúlio Vargas. Jânio Quadros também recorreu à corrupção quando fez sua meteórica carreira, tendo como símbolo uma vassoura, com a qual iria varrer a corrupção. Em 1964 o golpe teve como um dos motores o combate a “corrupção e aos esquerdistas, subversivos e comunistas”. Depois tivemos Fernando Collor que se elegeu como caçador de marajás, demonizando o governo anterior (Sarney) que seria o mais corrupto da galáxia segundo ele.
Enfim é uma narrativa que tem sido vitoriosa apesar de ser um engodo. Esta retórica funciona bem porque existe uma massa de ignorantes muito grande que desconhece a história e trata a política como loteria e/ou entretenimento e, como disse Edmund Burke, “Um povo que não conhece a própria história está condenado a repeti-la.”

A retórica utilizada com sucesso para provocar indignação e atingir e derrubar governos populares que tentaram tirar o país do calabouço da subserviência e ser mero produtor de matérias primas para as nações desenvolvidas, desta vez jogou o país nas mãos de um “desgraçado” e seu séquito de idiotas que estão destruindo tudo o que encontram pela frente, tal e qual os talibãs destruíram estátuas milenares (patrimônio da humanidade), porque não entendiam do que se tratava e se sentiam ameaçados pela simbologia em sua imensa burrice.

Este infeliz, seus cúmplices e apoiadores são os talibãs tupiniquins de agora. Por rancor e ignorância estão desmontando a estrutura educacional e cultural que levou décadas para ser construídos e destruindo todo o estado de bem estar social implementado a partir da constituição de 1988.
Estimulando toda sorte de desgraças, incentivaram o desmatamento e o garimpo na Amazônia, extinguiram conselhos civis e brandindo o fantasma do esquerdismo, seguem corroendo tudo que não compreendem ou julgam desimportante na maquina governamental. Até medidas protetivas erigidas em governos conservadores anteriores ao PT estão sendo trucidadas.

Recentemente o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), divulgou uma pesquisa mostrando que os brasileiros confiam mais em líderes religiosos do que em cientistas. Até 2015 data da última pesquisa a ciência gozava de melhor reputação e a religião mantinha a sua. A construção de uma imagem negativa da ciência, foi incentivada pela ascensão de representantes da extrema-direita, conforme se vê nos constantes embates obscurantistas deste governo, com Jesus na goiabeira, etc.

Pode ser que até consigam algum fôlego econômico com o dinheiro da tunga da previdência e outras por vir, mas o Brasil levará anos para reconstruir e se recuperar desse obscurantismo em que mergulhou por escolha própria, mas nunca antes um governo foi tão capacho, destrutivo e ignorante quanto esse. Todo dia agora é dia de vergonha e ignomínia. O mundo está boquiaberto diante do que está acontecendo e pasmo ao ver o Brasil se distanciar da ciência e do conhecimento e se perfilar ao lado de Paquistão, Arábia Saudita e votar semelhantemente aos Duterte, Arif Alvi, Erdogan da vida.

O mais curioso deste momento, porém, é a subversão dos métodos informativos e estratégia de marketing que consegue o impensável, como transformar mentiras em verdades e direcionar de uma maneira assombrosa, seus seguidores a bovinamente acreditarem em tudo que propagam. Durante a eleição nocautearam os adversários ao transformarem a verdade factual em algo obsoleto!

Repentinamente a verdade passou a ser aquilo que é propagado não mais pelo jornalismo tradicional, mas pelo whatsApp e outras redes. Assim não importa mais o quão absurdo, fantasioso ou estapafúrdia seja a mensagem, ela cola! Conseguiram difamar as universidades, a classe artística, os conselhos, INPE, INEP, ENEM, IBAMA, ANCINE e tudo o mais que se interponha em seu caminho de burrice ou sirva ao seu propósito de criar factóides. Todo o falsiê veiculado no whatsApp se tornou verdade no país do pouco apreço pela leitura e desenvolvimento do senso crítico.

Deste ponto de vista os estrategistas de marketing inovaram, saíram na frente em mobilizar diariamente seu público ainda que ludibriando-os, mantendo mais ou menos o mesmo índice de apoio e lograram êxito em conseguir que até os pobres sacrificassem a própria aposentadoria, o que convenhamos, foi um grande feito só comparável à venda do Partido dos Trabalhadores como o mais corrupto da história, apesar deste ocupar o modesto 9º lugar no ranking. Bem atrás do PP (partido do atual presidente antes de sua eleição), que ocupa o 3 º lugar na lista dos mais corruptos.

É a nova era chegando onde a verdade como conhecemos não vale mais. Agora o que conta é a mensagem que for melhor embalada e vendida para cada público específico. (vide o sucesso da mamadeira de piroca e similares).

Assim, a questão que se coloca acima de tudo agora é; Como enfrentar essa manipulação da linguagem e propagação de “(in)verdades” ? Sem esta resposta, vamos continuar perdendo a floresta, o ar, os corações e a vida... pois, todo regime autoritário se preocupa muito com a linguagem e a comunicação de sua mensagem. E os autoritários não ficam apenas focados em só desmoralizar a divergência: costumam também submeter a língua a uma torção que reinventa o sentido das palavras e fatos.

Quando adolescente li Admirável mundo novo com estupor, fascínio e medo, mas nunca imaginei que a ficção que se passa no ano de 2540, fosse flertar tão rápido com a realidade
Como esquecer o duplipensar:
Ignorância é Força;
Guerra é Paz;
Liberdade é Escravidão