quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Os iluminados e Torquemadas da era digital

Olha..., não tá facil pra ninguém, mas esse povo do “cancelamento” está cada dia mais bizarro. Agora resolveram linchar a Lilia Schwarcz, a Maria Rita Kehl, o Wilson Gomes... e o cancelamento tem um aspecto curioso que -independente do mérito das questões-, é ser o oposto do debate tão mais necessário para não cair em tentações inquisitoriais. O argumento normalmente se ancora no badalado "lugar de fala"

Dia desses vi em algum lugar, uma dessas celebridades fiscais do fiofó alheio, falando que pediu pitú ou lagostim num quiosque chique e os bichos vieram inteiros... “tipo animal mesmo sabe!?” assim com "o rabo e os olhos" e aí ela já começou a chorar... Disse que adorava os decápodes, mas só os havia consumido em patê ou em cubos e que nunca tinha visto nada brutal "daquele jeito

Devia ser assim algo sugestivo de que os crustáceos dão em árvore tipo Pé-de-lagostim, né!? Achei muito fofa essa ideia.

Bem, esse é o tipo de gente que atualmente diz reciclar tudo (até papel higiênico), são os novos arautos da pureza eco-epistêmica e que engordam o exército dos corretos, encorpam a cultura do cancelamento nas redes, das patrulhas do politicamente ok e bizarrices como usar uma camiseta com a frase “eu apoio a causa animal” enquanto saboreiam seu patê de Pitú supostamente vegetal, pensando no próximo “ogro carnícula” ou intelectual “inconveniente” que vão cancelar.
 
Dificil arranjar paciência para o lero-lero dessa gente fofa que diz fazer a própria pasta de dente e desodorante em casa..., que usam o creme antirugas mais caro das divisões eco-ok, das gigantes multinacionais dos cométicos (sem saber, claro), mas propagam que o dentifrício e desodorante da mesma companhia é cancerígeno. Deslocam-se em carrões ultra sofisticados, viajam sob turbinas rolls royce, mas escovam dente com pasta de carvão e borrifam acido cítrico nas axililas, porque só eles sabem o que ninguém mais sabe. Ai meu Deus do céu!

E pode notar que todo fiscalzinho do c... alheio, faz discursinho fofo nas redes, mas deixa a roupa suja para a mãe botar na máquina, estender/recolher, a pia entulhada de louça para alguém lidar e pegam auxilio pandemia para gastar com gasolina. São enfim uns bostas.

Ando com o saco cheio desses tipinhos todos; Patrulhadores das palavras alheias, do cú alheio, das risadas, do útero, do lixo alheio, do pensamento, da comida, etc, etc... sempre escudando em alguma “sacralidade” para lacrar.
 
...e como os ungidos tem muito tempo e energia para caçar "heresias" tem também agora o cancelamento de estátuas, monumentos e personalidades do passado sem contextualizar o período em que viveram e principalmente sem debate.

E aí de você se cuspir um chiclete mascado na lata de lixo de cor errada. Será cancelado também

Eita povinho custoso e duro de aguentar, viu !?
 
Agora topei com um artigo do Christan Dunker sobre os cancelantes que quase lacrou também rs,rs. Para ler a matéria desse grande pensador, Clique aqui.
 
Enfim, não seja aquela pessoa que leva as outras a odiar a sua pauta ou o seu candidato. A sua vontade de encher o saco dos outros ou o seu fervor, não deve ser maior do que sua causa senão fica improdutivo e/ou até obtém efeito contrário.

domingo, 2 de agosto de 2020

A Vacina da Rússia


Segundo agências de notícias russas, o país poderá ser o primeiro a iniciar uma campanha de imunização da população. Ainda há poucas informações divulgadas sobre a vacina e sua eficácia. O ministro da Saúde russo, Mikhail Murashko, declarou que o Centro Nacional de Pesquisa para Epidemiologia e Microbiologia Gamalei terminou os testes clínicos e está se preparando para começar a campanha de vacinação em outubro

Organizações científicas internacionais criticam a rapidez com que a Rússia está anunciando resultados. Há o temor de que influências políticas estejam sendo colocadas à frente da saúde da população, ponderou o jornal norte-americano "The New York Times". Na Rússia, a notícia foi anunciada como vitória política. O chefe do Fundo Russo de Investimento Direto, Kirill Dmitriev, associou o desenvolvimento da vacina, que usa adenovírus como base, ao lançamento do Sputinik 1 pela União Soviética, que foi o primeiro satélite a ser colocado em órbita, em 1957, e surpreendeu o mundo que subestimava as capacidades dos russos e esse acontecimento da ciência russa, além de marco histórico, iniciou a corrida espacial.

Para os críticos da vacina é bom lembrar as palavras de um russólogo citado por Fernando Morais: “A Rússia herdou da União Soviética o maior centro de pesquisas de guerra biológica do mundo, o Instituto Vector. Eles temiam ataques biológicos desde os anos 1920, ao final da Revolução, e começaram a pesquisar antídotos. No tempo da Guerra Fria isso cresceu, perdeu um pouco a importância depois do fim da URSS, mas a Rússia não descartou suas pesquisas e cepas biológicas. Eles têm culturas preservadas até de doenças erradicadas. Ao chegar ao poder, Putin voltou a investir no centro de pesquisas Vector, que hoje é o maior do mundo. Se há um lugar capaz de descobrir uma vacina rapidamente, é lá, pois esta é a função dos cientistas especializados que trabalham no Instituto Vector. Como se trata de uma instalação militar, dificilmente irão divulgar dados da pesquisa, mas pela experiência deles, jogo minhas fichas lá.”

quinta-feira, 11 de junho de 2020

O Novo Normal

Muito ja se falou sobre a expressão “novo normal” que tem sido objeto de debates constantes, mas como encontrei (virtualmente) uma amiga anteontem que desconhecia o novo termo e estava toda serelepe esperando pela volta da “normalidade”, achei oportuno lembrar que a normalidade tal como conhecíamos talvez não volte tão cedo ou nunca mais...  Pelo menos até a descoberta de uma vacina e sua completa cobertura vacinal a nível mundial o novo normal vai imperar.

Devido as características de roleta russa do novo corona vírus e a descoberta de outros 472 irmãos deles hospedados em mamíferos e prontinhos para dar o tal “salto” entre espécies a vida daqui para a frente será bem diferente do que foi.

Entender isso e se preparar para o “novo normal” desde já poderá evitar muitas frustrações e depressão, pois muita coisa já mudou e vai mudar nas relações que serão mais esparsas, raras, distantes, com poucos ou nenhum evento, aglomerações, muitos parceiros, Jogos, shows, bares, hábitos de consumo... e principalmente o mundo será mais virtualizado/digital em todas as áreas.

Portanto ficar esperando a normalização da vida, pode ser uma espécie de autoengano que pode sair caro em termos de perda de tempo e frustração.

Segundo especialistas, o “Novo Normal” que é uma expressão cunhada por Mohamed El-Erian para caracterizar o fato novo, esta crise não é como as que vivemos nas últimas décadas, com repercussões basicamente cíclicas, mas uma crise que está provocando uma ruptura estrutural: quando ela passar e as coisas voltarem ao normal, esse não vai ser o mesmo normal de antes. Não reconhecer isso é arriscar a surpresa de se planejar para a volta do normal anterior e se descobrir numa realidade bem diferente.

Todo o cenário atual decorrente da pandemia está causando um redesenho do futuro da educação, da saúde, da gestão, da economia, da política, das relações pessoais, internacionais, nacionais e regionais. Por outro lado, se sairmos dessa crise simplesmente apenas mais resilientes, como muitos desejam, estaremos assumindo nossa incapacidade de mudar, aprender e colocar em prática o que se discute há anos em termos de inovação, colaboração, compartilhamento e sustentabilidade e colocando a vida em risco permanente por desinteligência. Precisamos aceitar o novo normal em curso e temos a obrigação de sairmos dessa pandemia melhores.”

Para saber mais clique aqui

domingo, 24 de maio de 2020

A carta da esposa de Aldous Huxley após injetar LSD no marido em seu leito de morte

 Não resisti e copiei/colei da Hypeness

O escritor inglês Aldous Huxley não foi somente um desbravador da literatura, mas também da consciência humana. Autor de clássicos imortais como Admiravel Mundo Novo e As Portas da Percepção, Huxley explorou o uso de alucinógenos como a mescalina, o LSD e outros psicodélicos a fim de expandir a consciência e descobrir, através da abertura justo das portas da percepção, novos horizontes do pensamento humano. A experiência com drogas psicodélicas foi tão importante para Huxley, que o autor planejou deixar a vida em uma viagem de LSD – e, com a ajuda de sua mulher, assim o fez.

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Laura e Aldous Huxley

Aldou Huxley morreu em novembro de 1963 – curiosamente no mesmo dia em que o presidente dos EUA John Kennedy foi assassinado – depois de três anos de luta contra um câncer e, após o diagnóstico derradeiro de um médico, horas antes de sua morte, conforme seu pedido, sua mulher, Laura, lhe injetou diversas doses de LSD. Em uma impressionante carta endereçada ao irmão de Huxley, Laura conta em detalhes como se deu a morte de um dos grandes autores do século XX, sob o efeito do ácido.

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O jovem Huxley

“Eu fui avisada de que pela manhã ele poderia ter convulsões perturbadoras, próximo ao fim, ou algum tipo de contração pulmonar, com ruídos. As pessoas tentaram me preparar para reações físicas horríveis que ocorreriam. Nada disso aconteceu, na realidade o cessar da respiração não foi em nada dramático, pois aconteceu tão lentamente, tão gentilmente, como uma peça musical simplesmente encerrando em um sempre piu piano dolcement”, ela escreveu. “As cinco pessoas presentes na sala disseram que foi a mais serena e bonita morte. Ambos os médicos e a enfermeira disseram jamais ter visto alguém em tais condições físicas ir embora tão completamente sem dor ou sofrimento”, escreveu Laura Huxley.

Mais adiante, na carta, ela descreve o último momento em que Aldous reagiu às suas palavras, no qual ela passou a incentiva-lo que deixasse a vida com calma e sem dor. “‘Vá, vá, deixe ir, querido; pra frente e adiante. Vá na direção da luz. Por vontade própria e consciente você está indo, e está indo de forma linda. Está fazendo isso com tanta beleza – indo na direção de um amor maior. É tão gracioso e lindo. Leve e livre. Você está indo na direção de algo melhor, de um amor maior’, eu disse a ele, bem perto de seu ouvido. Então perguntei se ele estava me ouvindo, e ele apertou a minha mão. Algum tempo depois ele me pediu que não mais fizesse perguntas, que estava tudo bem”.

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Por fim, ela comenta sobre a sensação que pairou sobre todos, de que havia sido uma morte especialmente tranquila e bonita. “Nunca saberemos se tudo isso foi uma autossugestão nossa, ou se foi real, mas certamente todos os sinais e nossos sentimentos internos deram a indicação de que foi lindo, pacífico e leve”.

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Aldous Huxley morreu aos 69 anos em sua casa, em Los Angeles, da forma que quis – o que parece ser realmente uma saída bonita para a própria vida. A carta na integra, em inglês, está nesse link – e pode ser ouvida, também em inglês, no vídeo abaixo, lida pela própria Laura.


terça-feira, 19 de maio de 2020

a desumanidade da ganância sem limites


Desumano o não reconhecimento de vacina que nem foi descoberta ainda como um "bem público mundial para a saúde" como propõe a OMS. O governo americano, rejeitou a ideia. Quer garantir às farmacêuticas os lucros ilimitados para os desenvolvedores, mesmo que milhares morram como moscas nos países que não puderem pagar... e segue o baile.

Poderia ser uma boa oportunidade para todos os seres refletirem e exigir e mudanças na selvageria do capitalismo vigente no mundo que está destruindo o planeta e colocando em risco nossa própria existência a médio prazo.

Além da insustentabilidade do capitalismo mundial tal como está, há ainda neste caso um gritante exemplo de injustiça, ausência de empatia e reafirmação da brutal desigualdade com pretextos irracionais como regulação de patentes e outras baboseiras, tudo para justificar a ganância sem fim de uma minoria poderosa no planeta que ao fim poderá levar tudo e todos à extinção.

Veja a reportagem de Jamil Chade sobre esse absurdo aqui.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Como em 1964 !?


A história se repetindo...
Novamente, empresários, banqueiros com apoio dos idiotas/perversos e militares de pijama, pressionaram o presidente da câmara e do senado nos bastidores a contemporizarem com a política de extermínio social via peste e/ou privação em curso, comandada por Guedes que em tese perpetuaria os lucros dessa galera altruísta, ainda que milhares pereçam.


A ideia central é romper a política de isolamento social e fazer a economia andar que na visão desse pessoal é o que importa e é o que garantiria a continuidade deles no poder, do contrário viria o caos... bla,bla,bla...

Segundo essa turma, se deixarem o Guedes trabalhar o Brasil seria o único país do globo que driblaria a recessão mundial que se avizinha (provavelmente por ação divina).
Apesar do absurdo plano genocida, vê-se que Maia voltou a namorar o Boçal, Alcolumbre se recolheu, o toma lá dá cá desabrido entrou na ordem do dia, o velho Mourão colocou as asinhas pra fora novamente espalhando o terror em artigo no estadão, parte da mídia fechou com a turma de genocidas e se o ministro da saúde não colaborar, a ideia é forçar a demissão e colocar mais um militar na cadeira.

Assim estaria pavimentado de vez o caminho da pizza-autocrata metade verde oliva e metade civil miliciana narco-evangélica, para manter as aparências de democracia. Tudo isso claro, com o apoio incondicional de 30% de insanos irrecuperáveis que querem ver o país livre do cumunismo (sic). Resta saber o que farão os governadores não alinhados e o que pensam os demais 70% da população.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Divagações em tempos de covid 19



Nesses dias de Covid-19 tem sido inevitável pensar na morte e no que se fez da vida... e aqui na solidão desse apartamento não avarandado onde só enxergo paredes, fiquei pensando em tudo que armazeno aqui e que para além de serem meus bens posicionais, são as coisas que juntei pela vida a fora... e fiquei pensando se eu morresse hoje o que seria disso tudo e será que alguém iria aproveitar “meus tesouros...”?

Será que alguém iria ver o que tem nos meus Hd´s ou simplesmente formatariam para dar novo uso? E aquele resfriador de nitrogênio para processadores ultrarápidos? Alguém saberia do que se trata ou colocaria no lixo como sucata? E os discos, livros que são parte de mim, fotografias que são fiapos de vida que me conectam com diversas significações, assim como meus filmes eróticos, anotações, revistas, cartas (sim sou desse tempo), escritos variados e por aí vai!? Que fim teriam?  O que é a vida e o que realmente vale?  E a aquela minha caixa que tem todos os tipos de cabos e conexões, conversores, placas, adaptadores, ferramentas, memórias, coolers, multímetros, fontes e tudo que é coisa que eu talvez possa precisar numa madrugada insone caso alguma coisa quebre ou colapse? E o que seria da minha incrível caixa de remédios salvadora que o Miró uma vez apelidou de caixa mágica? Redes sociais sem senhas, contas bancárias, roupas, chocolates e  outras guloseimas escondidas de mim mesmo, planos para o futuro, pensamentos obscuros, coisa por fazer, garrafas por terminar como aquele Hennessy escondido na gavetas de cuecas!? E aquele plano de ir numa casa de swing sempre adiado? Só agora notei como a morte  é desrespeitosa!  Não tem um pingo de consideração...!? ...e nem fiz a transiberiana ainda, pô!

Olhei para para o lado e a Tv não para de falar dos até então invisíveis 30 milhões de pessoas esquecidas em habitações precárias sem agua e esgoto que juntamente com as centenas e milhares de pessoas que vivem nas ruas.. e que agora poderão contaminar e matar os bem-nascidos ou quem sabe até ocupar leitos hospitalares salvadores que poderiam ser destinados a gente de bem(?). Pensei na ironia e na tal lei do retorno ao ouvir isso. Subitamente descobrimos agora que eles existem e passaram a ser objeto de preocupação geral, quem diria!? 
Nessas paranoias e divagações senti uns calafrios de imaginar que caso aconteça algo comigo e resolvam me enterrar Brrrr...!  Tenho pavor disso (tenho falta de ar). Preferiria ser cremado e poderiam distribuir minhas cinzas em quatro lugares: 1- Edifício Copan, 2- o número 102 da Rua Sergipe em Higienópolis, 3-numa praia do litoral norte que pode ser Bonete, praia do alto, Mococa, Felix, e 4- no pé de jatobá a poucos metros da casa onde nasci e cresci e por favor não permitam que nenhum familiar ou amigo pietista promova arenga religiosa e nem choradeira pois tenho vivido uma vida boa -depois que me afastei de religião-, até aqui. Prefiro celebração, música boa, alegria, fotos, boas lembranças, muita caipirinha e torresmo.  

Deitado olhando para o teto  no modo retrospectiva  eu não acho que mudei muito ao longo da vida...  fui apenas sublinhando e negritando o meu sentido de existência sem nunca dar nenhum cavalo de pau e virar outra pessoa como um amigo mais velho da adolescência que me mostrou Pink Floyd, Gênesis, etc e me deu um livro do psicanalista Erick From e outro do Sartre e que foram a centelha para eu me descobrir, quando eu ainda tinha uns 15 anos e sem saber quem eu era direito...  Bom, esse cabra eu reencontrei uns 20 anos depois acidentalmente e a primeira frase que ele falou não foi olá como tem passado, nem algo do tipo sabe, ele simplesmente como todo fundamentalista descerebrado atirou a queima roupa; “Como está sua vida com Deus?” e eu fiquei paralisado sem saber se era uma piada, mas logo percebi que não. O cara tinha virado um intrépido religioso e bolsomínion para minha estupefação. Sem assunto, indaguei sobre sua antiga discoteca com Lp´s progressivos dos anos 70 e ele mudou de assunto e depois eu soube que ele havia quebrado todos numa época que se acreditava que tocados de trás pra frente, os discos de rock conteriam mensagens satânicas segundo a crença patética, com perdão do pleonasmo.

Como é de conhecimento geral Tenho verdadeiro horror à religião (inclusive as que disfarçam/negam que são religiões), a partir da minha vivência e do que ainda hoje vejo ao meu redor a todo instante, mas não faço mais disso um cavalo de batalha, nem perdi minha espiritualidade no sentido de acreditar em uma possibilidade de transcendência, mas sem aderir a nenhum credo disponível nas prateleiras dos hipermercados da fé. É mais uma espécie de reverência aos mistérios insondáveis da vida e seus porquês. Diferentemente do que preconiza o Dawkins e de certa forma também o Christopher Hitchens, modestamente reconheço que há mistérios. 

Até vejo poesia e coisas pontuais interessantes e bacana nos livros religiosos como a Bíblia que é como outro livro qualquer que fica na prateleira de livros, e claro como todo ocidental me simpatizo mais com ela do que com os escritos corânicos, budistas, hinduistas etc.  Tenho muita simpatia pela parte do Jesus histórico, mas verdadeira ojeriza de seus explicadores calvinistas e quejandos. Já aquela parte abraâmica eu não curto muito não. Há também outros quase seis mil mitos de criação mais  -digamos-, divertidos por aí e assim não vejo porque esse monoteismo todo muito chato e exclusivista e que malucos por toda lugar teimam em levar a sério.

Falando nisso, o que tenho visto de conhecidos/amigos cristãos migrando para o Budismo ultimamente é uma enormidade e eu brinco com eles que só trocaram de droga, mas o vício permanece...  Aliás no budismo parecem que ficaram ainda muito mais cegos e fanáticos...  Não entendo!  Converso muito com eles e me parece uma coisa assim bem amalucada e ainda estou por entender o motivo dessa reconversão e suspeito que o budismo por não trabalhar com a "culpa" ele entrega mais por menos. um melhor  custo/benefício talvez. Ainda vejo o taoísmo com mais interesse para assuntos de boteco.

Toda religião claro, é nociva ao desenvolvimento humano sem dúvida, mas mais chato que religião só mesmo seus seguidores com destaque para  os religiosos cristãos e seus argumentos malabares que podem ir de  Karl Barth até Malafaia rs,rs,rs... dependendo da necessidade que é o que define o sofisticação do verniz a ser aplicado sob a pintura.  Dia desses por exemplo, me chegou um texto tão rebuscado e tão erudito para me reconvencer da fé cristã, que logo ví que me superestimaram, afinal não sou um conhecedor profundo do pensamento de Kant, Kierkegaard, Wittgenstein, Paul Tillich etc, e sem isso ficaria muito difícil a compreensão e alcance da mensagem, dadas as idiossincrasias envolvidas para aceitação da proposta redentora que culminaria com a assumpção de uma tonelada de culpa e claro, o pagamento em energia, medo do inferno e também o dízimo, porque ninguém é de ferro.  Neste ponto aliás, o bispo Edir Macedo e seus rivais tem sido bem mais bem-sucedidos porque não gastam tempo com firulas, mas essa já é outra conversa que ficaria melhor e mais produtiva com a presença de Bertrand Russell e algumas  camisas de força, quem sabe!?

Atribuo sem dúvida alguma à religião todas as desgraças da humanidade ao longo da história e que continua ainda hoje. Não me animo de jeito nenhum com aquela conversinha conciliadora (para boi dormir), de sumidades como Marcelo Gleiser passando pano para a religião, dizendo que houveram contribuições... variadas como monges que manipularam ervilhas e deram origem a genética ou porque a religião nos deu Michelangelo bla, bla, bla...!  No final das contas, se com religião e seus horrores a humanidade conseguiu tantos avanços, imagine sem ela?  Provavelmente já teríamos colonizado encéladus e vencido a morte ou pelo menos adiado em muito.

Tento aproveitar a dádiva da vida como posso e se possível avançar um tiquinho e superar limitações com a ajuda da psicanálise, a arte e sobretudo à ciência a quem aliás credito todos os avanços da humanidade desde que descemos das arvores no pleistoceno há três milhões de anos.

Assim pensando me veio aqui dos meus botões um pensamento que pode advir disso tudo, um certo pânico que sempre tenho de voltar à cidade natal (Jataí), cidade onde nasci e vivi até os 17 e remexer nas gavetas da memória e encontrar com meus demônios adormecidos que sempre acordam enfurecidos e também de falar com pessoas do passado ou gente que aparece como fantasmas pretéritos com aquela prosa ruim, pegajosa típicas de figuras tenebrosas e inquisitoriais que paralisaram no tempo, mas ironicamente  são também susceptíveis ao novo corona vírus, embora se julguem protegidas e cujas mortes sempre ganham manchetes por paradoxais.

Nestes dias é quase impossível não lembrar do filme  "O sacrifício" de Tarkovsky com aquele clima apreensivo de merda, espera, medo, fatalismo, impotência e raiva sobretudo.

Bem, acho que está na hora de dar uma atenção para o zé, que não para de miar, abrir um vinho e ler alguma coisa leve como "Variações sobre a vida e a morte"  (Rubem Alves) para acalmar o espírito, ao som de Layle Mays, Toninho Horta... e esperar que essa peste não me leve e nem leve ninguém querido ou distante o que parece difícil, dada às circunstâncias locais Boçalnáricas e mundiais que nos legaram essa praga anunciada e prevista pelos microbiologistas que nunca foram ouvidos pelo Capital.





domingo, 29 de março de 2020

O NOVO SEMPRE VEM !?


Liguei o PC hoje e tudo no mundo parece ser sobre um cantor de nome Gustavo Lima que não sei quem é, e isso me fez pensar que estou “por fora” de tudo que acontece no mundo mainstream da música... e lembrei do meu sobrinho que quase morreu de rir quando contei a ele sobre as “10 mais” dos anos 80 que tinham Milton Nascimento, Caetano, Led Zeppelin, Gil, Queen... e como era difícil conseguir os álbuns logo que saiam...

Por outro lado, um dia desses um amigo entendido dos parangolés musicais me recomendou fortemente observar um projeto-música ou estilo musical: Infinite Bisous - Tema Sex dream marine ***, e demorei a encontrar tempo para ouvir.

Depois de escutar um pouco concluí que não é ruim, mas como na maioria das vezes em se tratando de “novidades”, musicais não foi algo que me comoveu, pois lá como cá, já não tem aparecido muita coisa realmente empolgante para meus ouvidos que estão exigentes ou estou inevitavelmente ficando velho.

Acho que última novidade por assim dizer, que me comoveu foi o “Daft Punk” em 2013 por aí...

Essa coisa de garimpar ou ficar de bar em bar procurando musica boa, cansou. Claro que existe muita coisa bacana rolando por aí em algum lugar recôndito, mas não tenho mais ânimo para o garimpo. Sei lá tá difícil! Só quero escutar alguma coisa que emocione.

Tenho escutado umas coisas "novas" e gostado... até, tipo Oxente Groove, Silibina, Fatoumat, Coletivo Missa, Bixiga 70, kubata, Muntchako, Dharma Samu, Ricardo Primata, Cirilo Amem, applegate, Zoi de Gato, Francisco el Hombre, Anders Helmerson trio, Lianne La Havas e outros, mas não chega a ponto de dar vontade de voltar pra casa logo e ouvir “aquele álbum” como aconteceu por exemplo com “The show of Hands” do Rush, “Terra dos Pássaros” do Toninho Horta, “The dark side of the moon” de Pink Floyd, Clube da esquina, “Ride the Lightning – Metallica” entre outros tantos, na época dos lançamentos.

Não sei se foi o tempo que passou ou se é como o lendário produtor André Midani disse: “Musicalmente somos todos datados fatalmente”, mas ando com a sensação que quase tudo que aparece me soa como uma espécie de “versão” (sofisticada ou vagabunda) de algo que alguém já fez antes e melhor, o que tem me levado a ouvir cada vez mais direto da fonte ou seja, “música velha.” 

Em se tratando de MPB por exemplo o que se vê agora são quase sempre uma espécie de “metamorfoseamento” do que já existia, com maneirismos e/ou toques pessoais, para não dizer imitações/clonagens mesmo.

Penso se essas novidades existiriam para preencher à nossa necessidade atávica de não parecer antigo ou se de fato são vanguarda, pois ao ouvir a coisa passada embalada como novidade, atenderíamos a um impositivo atual de não envelhecer, ao mesmo tempo que nosso ouvido não distanciaria muito da coisa antiga, ou se são de fato criações fantásticas e fui eu que perdi a sensibilidade auditiva ou a capacidade de identificar as novidades... vai saber.

Bem, Isso tudo me faz lembrar meu pai que sempre dizia que depois de Orlando Silva, Sinatra e Elizete Cardoso etc.., nada de interessante aconteceu (risos!) e que aqueles Beatles e a Jovem Guarda (que minha mãe gostava e eu também) eram muito ruinzinhos, o Raul Seixas, esquisito e  Roberto Carlos um Zé Mané que nem sabia cantar. 

É bom lembrar também que paradoxalmente o célebre autor de “Como nossos pais” já dizia que o “novo sempre vem! ” E ele já foi.

O Frejat recentemente tentou explicar esse desalento, dizendo que o que aconteceu, foi que a música desde os anos vinte primava pela melodia e do final dos anos 1990 para cá, o ritmo tomou o seu lugar e a gente (acostumado com a melodia) ficou um pouco órfão... se bem que a música que chamam de sertaneja está aí firme e forte na melodia, mas acho que ele não se referia a essas baladas sobre chifres e bebidas.

O fato é que ando sempre com a sensação de que quase tudo que aparece agora me soa como imitação anêmica de alguma coisa boa que já conheço ou um “Blend” sem alma com vestimenta nova para se vender como novidade e assim tenho me refugiado na música instrumental ou velha mesmo.

Exceções!? Humm..., raramente como o projeto do Leo Gandelman com os feras do Rap brasileiro que está tocando agora enquanto escrevo essas mal traçadas:  ♪...e êta que mundo bom de acabar♪♫

Obs: O Andre Midani provavelmente estava certo porque fui pesquisar o tal Gustavo Lima e achei um lixo.



terça-feira, 24 de março de 2020

A idiotia como lema de vida!




Diante das últimas declarações do Boçalnaro e ao ver os números do Datafolha não dá para não lembrar da famosa frase; “Os idiotas perderam a modéstia” de Nelson Rodrigues.

Pessoas ao fazerem más escolhas sob o pretexto do direito individual, muitas vezes podem prejudicar, contaminar e matar os vizinhos, filhos e eles próprios como já acontece em alguns lugares com aqueles que recusam-se a tomar vacinas por exemplo. Temo que ao votar em boçalnaro, seus eleitores nos colocaram sob grave risco porque ele é um doente mental.

Anteontem falei que tinha impressão que o Jair já era, mas hoje não estou bem certo, pois esses números de certa forma surpreenderam. Isso me fez pensar que provavelmente o boçalnarismo radical seja assim, uma coisa até anterior à existência do próprio Bolsonaro. Uma espécie de seita ou grupo silencioso envergonhado de suas teses desumanas e fascistas sempre dormentes à espera de algum mentecapto que possa vocalizá-las. Só isso explica que 3,5 em cada dez brasileiros continuem a apoiar a necropolítica boçal, que vem praticando a chacina social como política econômica, a negação da realidade, o culto ao atraso, à morte no lugar da saúde, e o ódio a tudo que não compreendem como as artes, o amor, a ciência a solidariedade e a convivência com quem pensa diferente deles.

Porque 35% de viventes se identificam com o boçalnarismo, mesmo diante da tentativa de assassinar sua população dando as costas à saúde diante da ameaça do vírus, por puro cálculo eleitoral? O mais provável é que essas pessoas que em sua canalhice atávica, que abdicaram do direito de pensar, seguem religiosamente um credo, um conjunto de ideias medievais e sempre estiveram por aí caladas à espera de alguém que, sem vergonha se pusesse a verbalizar toda sua mediocridade, estupidez, rancor, idiotia, ressentimento, misoginia e tudo o que há de mais nefasto e abjeto na alma humana. Não há outra explicação. 

Assim não importam, evidências científicas, educação, meio ambiente, saúde ou o que aconteça de absurdo, certo ou errado tanto faz, esses 30% estarão religiosamente sempre ao lado daquele que representa sua interioridade trevosa, que preconiza que meninos vestem azul e meninas rosa, a morte aos lgbtq´s, petistas, pobres, artistas, pretos, etc e agora até -pasmem-, a eles próprios.

Daqui para frente temos que nos preparar e não esquecer que essas pessoas sempre existiram e existirão e nos acautelar delas, porque são cultores da morte por ignorância ou canalhice, não importa.

sexta-feira, 20 de março de 2020

Solidão assistida.

E eu que sempre curti solidão, estou descobrindo que a solidão que gosto mesmo é aquela eletiva, tibetana/indiana que você põe um colar que significa que você não quer se relacionar com ninguém e segue andando no meio da multidão e fazendo tudo que gosta normalmente.

A solidão que gosto é aquela de quando meu celular toca sem parar e não dou a mínima, enquanto convites variados pipocam no whatsApp e você se resguarda para no momento que bem desejar, poder ir tomar todas naquele boteco vulgar quando reunir a diretoria, ...e apreciar o desfile de beldades que saem das aulas de natação na ACM.

Já essa solidão de agora é horrível; já consertei o rádio relógio de 1984 que adoro, com aquele mostrador vermelho que ilumina a casa inteira e orienta as visitas mais displicentes. Fazia muitos anos que queria localiza-lo e tentar reativar o despertador com o rádio e ontem realizei o feito.

O Toca discos Aiwa que estava parado desde 1997 entrou em forma também. Nem acreditei quando toquei o Vinil do Rick Wakeman “Viagem ao centro da terra” com todos os chiados e buracos que os filhos da puta dos amigos chapados fizeram nele nas lendárias reuniões da Rua Sergipe. Oh!

Também realizei a hercúlea tarefa de organizar o quarto do Gabriel que ficou parecendo uma fotografia da casa cor, onde antes eram só coisas jogadas, preservativos esquecidos, computador ligado eternamente, inalador, copos com meias, remédios, lenços, livros apostilas... basicamente um cenário pós-apocalíptico.

Só a Geladeira que ainda não encarei porque aí já é demais. Odeio isso.  Estou achando que vou atacar agora minha caixa de cabos e partes de computador e restos de aparelhos eletrônicos, que acumulo desde a invenção do vídeo cassete, mas ainda preciso de um pouco mais de energia e ímpeto organizador e tenho também, que rever centenas de revistas eróticas que acumulo desde 1978 e que venho postergando por ser uma missão muito dolorosa essa de ter que rever o passado... praticamente o diário de todas as semanas da minha vida desde aquela data.

Aqui estamos eu e o Zé (meu gato preto) que gosta de Tevê, alternando documentários, brincadeiras, internet, filmes pornôs, telejornais que as vezes são mais indecentes que os pornôs e também temos conversado muito. Antes eu brigava com ele por qualquer motivo como por exemplo, usar minha pen-drive como bolinha de futebol e depois eu levar um mês para localiza-la embaixo de um móvel que só era arrastado na limpeza bienal. Agora acho super fofo ele desaparecer com todas as minhas coisas entre as patinhas. Que graça! Apesar de ter umas cinco caixinhas de fio dental na casa, atualmente não encontro nenhuma e as tesourinhas e canetas sumiram todas.

Dormir em cima da impressora, pisotear o teclado que antes era infração gravíssima, também entrou no rol das coisas fofas... e pecados veniais como beber agua na pia do banheiro, lamber as escovas de dentes e dormir em cima das roupas tá super liberado.  Ficar miando sem parar me chamando para brincar ou dar de comer, só quando estou lendo algum livro que antes me causava irritação e raiva, agora acho o máximo da interatividade felina. Avançar na tela da TV dando unhadas quando aparecem imagem de pássaros que anteriormente era ameaçado com berros e juras de doação para Ong´s, agora é compreendido como impulso natural e residual selvagem...

E assim sigo aprendendo que a solidão só é bacana quando é optativa, assistida e seletiva. Essa solidão para valer que a gente fica barbudo, largado e ninguém lembra que você existe, ninguém quer beber contigo e você nem pode ir à rua apreciar os passantes, e o menear dos seus quadris, é um saco!

Como diz o protagonista do filme “Na Natureza Selvagem” na solidão dos seus últimos momentos, “as coisas só fazem sentido, quando podem ser compartilhadas” incluindo aí o isolamento por mais paradoxal que pareça.

Cheers!


                                                       O Zé caçando na tevê...