Luciano Martins Costa em 4/1/2010-observatorio da imprensa
Comentário para o programa radiofônico do OI, 4/1/2010
Os jornais abrem o ano com a tradicional contagem dos mortos por causa de morros que deslizam e casas que desabam com as fortes chuvas do início do verão.
Mas há uma diferença flagrante de morro para morro: há os morros dos pobres e os morros dos ricos.
Em algumas dessas geografias, a culpa pela tragédia, na visão da imprensa, é sempre das vítimas, que insistem em ocupar ilegalmente áreas de encostas e outras topografias sujeitas a desmoronamentos e enchentes.
No máximo, autoridades que toleram tais invasões compartilham a condenação da imprensa.
Em outras geografias, a culpa é simplesmente da natureza.
Ou seja, a imprensa parece ver uma enorme diferença entre morros com barracos e morros com construções mais sofisticadas.
Ou será que as mansões de celebridades erguidas em áreas de proteção da Ilha Grande e outros locais do litoral brasileiro não deveriam também estar sujeitas ao crivo da imprensa, tanto quanto os amontoados de casas e barracos que sobem as encostas em lugares menos charmosos?
É muito provável que, em alguns dos casos, as autoridades encarregadas tenham falhado ou se omitido.
Também é muito provável que, em outros casos, essas mesmas autoridades tenham sido simplesmente subornadas.
Até esta segunda-feira, os jornais ainda escondiam, por exemplo, que em junho de 2009 o governador do Rio liberou as regras para construções em áreas de preservação ambiental em Angra e outras regiões do Estado.
O decreto, de no. 41.921, é conhecido como “lei Luciano Huck”, porque teria sido feito para beneficiar o apresentador da talevisão.
Quando busca as causas das tragédias que se repetem regularmente, nesta época do ano, a imprensa costuma escorregar pelos chavões das chuvas recordes e da inadequação das construções.
Mas nunca se aprofunda na investigação dos processos de ocupação de áreas de risco ou de áreas de proteção ambiental por propriedades privadas.
Praias fechadas por condomínios ou casas particulares são parte dessas irregularidades.
Quando os morros deslizam, revela-se não apenas a precariedade das construções.
Revelam-se também o descaso das autoridades e a omissão da imprensa ...(continua)
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Fatos marcantes da década
Listei abaixo alguns acontecimentos que acho que marcaram a década e então pensei nos fatos pessoalmente marcantes e os três primeiros também emcabeçam minha lista pessoal -e impublicável-, que tem icrivelmente muitos ítens felizes!
- O onze de setembro
- Tsunami na Ásia
– Eleição de Lula presidente do Brasil
- A implantação do Euro/comunidade europeia
- A invasão do Iraque
- Atentados da Al Qaeda em Madri
- O Furacão Katrina
- Terremoto na China
- A crise Econômica
- A eleição de Obama presidente dos EUA
- O onze de setembro
- Tsunami na Ásia
– Eleição de Lula presidente do Brasil
- A implantação do Euro/comunidade europeia
- A invasão do Iraque
- Atentados da Al Qaeda em Madri
- O Furacão Katrina
- Terremoto na China
- A crise Econômica
- A eleição de Obama presidente dos EUA
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Bye, bye... Ca'd'Oro
A transformação da cidade de Sâo Paulo é uma coisa absurda.
Às vezes conversando com meu pai que viveu em São Paulo na década de cinquenta, fico com a impressão de que tudo que sobrou daquela época foi o Gato que Ri no arouche.
Claro que não é bem assim, mas somente nos útimos 29 anos testemunhei muitas mudanças, umas ruins outras boas, mas no que diz respeito a região central certamente mais decadência do que qualquer outra coisa.
Agora leio no Estadão que o Ca'd'Oro fechou as portas.
Aquele Hotel emblemático que foi o primeiro cinco estrelas da cidade ...(leia mais no OESP)
Quem muito bem analisou este fenômeno foi o premiado arquiteto Paulo mendes da Rocha em entrevista memorável concedida à Carta Capital: "uma cidade degenerada"
Às vezes conversando com meu pai que viveu em São Paulo na década de cinquenta, fico com a impressão de que tudo que sobrou daquela época foi o Gato que Ri no arouche.
Claro que não é bem assim, mas somente nos útimos 29 anos testemunhei muitas mudanças, umas ruins outras boas, mas no que diz respeito a região central certamente mais decadência do que qualquer outra coisa.
Agora leio no Estadão que o Ca'd'Oro fechou as portas.
Aquele Hotel emblemático que foi o primeiro cinco estrelas da cidade ...(leia mais no OESP)
Quem muito bem analisou este fenômeno foi o premiado arquiteto Paulo mendes da Rocha em entrevista memorável concedida à Carta Capital: "uma cidade degenerada"
domingo, 20 de dezembro de 2009
...uma pausa, um descanso na loucura.
Fim de ano, tempo de reencontrar as origens. Sempre que possível venho à cidade onde nasci, Jataí-Go ver minha família e conseqüentemente, conferir a linha do tempo impressa no rosto daquelas pessoas que não vejo regularmente e imagino que elas fazem o mesmo comigo. Estranha é a sensação anual de voltar á casa onde nasci e revisitar fantasmas, ou melhor, ser visitado por eles. Tempo de ser açoitado por estilhaços de lembranças que explodem a todo instante nas gavetas da memória. Afinal deixei este lugar em Dezembro de 1980 rumo a São Paulo sem saber o que iria acontecer.Então chegando aqui, sinto falta de amigos e estava agora a pouco percebendo o quão difícil é manter alguma relação por toda vida, porque mudamos o tempo todo e só muito raramente os caminhos se sobrepõem ou mesmo permanecem paralelos -o que já é o máximo-. Entretanto, me considero um felizardo porque tenho ao menos uma irmandade que não se perdeu, que é meu primo Tininho que vem a ser a minha mais remota ligação com minhas origens no sentido mais amplo. Somos muito parecidos e diferentes ao mesmo tempo e sempre que nos encontramos é como se tivéssemos almoçado juntos ontem e não são necessárias muitas palavras para a comunhão.
Crescemos juntos no mesmo quarteirão e nunca perdemos as afinidades, carinho, respeito admiração mútua, lealdade e tudo o mais que dá sentido e consistência a uma relação. Grande fotógrafo, um cara sensível e com uma imensa curiosidade pela vida, documentarista meticuloso, mateiro dos bons e amante do cerrado, ontem me farejou e passou aqui em casa (sim porque até hoje minha mãe mantém numa casa espaçosa os quartos de todos os (sete) filhos com guarda roupa e alguns pertences básicos como se todos ainda estivéssemos aqui- mas isso é um tópico para outra hora) e me pegou para irmos passar o dia na serra do caiapó procurar uma águia cinzenta para fotografar. E lá ficamos o dia todo fotografando e observando pássaros. Falo nisso porque quando chegamos na serra ele já tinha tudo no carro. Ninguém falou no assunto, mas eu sabia que ele já tinha pensado em tudo assim como eu também faria. E lá estavam: minhas comidas goianas favoritas, duas cadeiras confortáveis, binóculos, repelentes cerveja, sucos água etc... numa mini geladeira e até uma super telefone celular que funciona no meio do mato e ficamos ali há 100 kilômetros de tudo, debaixo dos pés de pequis e jatobás no aparado da serra fotografando a chuva os pássaros, a paisagem bucólica, os desenhos aleatórios e caprichosos que a natureza imprime na argila e espiando o catálogo de pássaros comparando, identificando, rindo enquanto ele explicava que ali, (700 metros de altitude) outrora fora o mar no período pré-cambriano sessenta milhões de anos atrás bla,bla,bla... Só nós dois o dia todo escarafunchando a serra, percebendo os cheiros do cerrado e conversando sobre tudo e nada e vez por outra rememorando a infância... avaliando o presente, e... por assim dizer degustando a vida e apostando pra que lado as “mangas” de chuva iam desabar... e porque não, praguejando contra o capitalismo que não deixou uma única peroba-rosa em pé tão comuns por ali anos atrás.
Enfim um dia feliz que fez lembrar Guimarães Rosa que dizia mais ou menos assim: "Qualquer felicidade, qualquer tipo de amor vale a pena, pois é uma pausa, um tiquinho de saúde, um descanso na loucura!"
Algumas fotos de ontem podem ser vistas clicando aqui.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Hipocrisia: Garotas do Civita pode? Do Maroni não pode. Oh, dúvida cruel!
"...Se o fato de sair mulheres nuas na capa da sua revista Playboy ou nos conteúdos, sendo algumas delas, inclusive, garotas de programa que conheço e freqüentam o Bahamas Club, lhe pergunto, isso transforma você em um cafetão ou proxeneta? Como o seu repórter se referiu a minha pessoa. Ou o fato de você colocar fotos de mulheres nuas importadas de playboys estrangeiras ao rigor da lei de 1940, você e sua editora seriam enquadrados no artigo 234 do código penal" ...(continua)
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Acadêmicos amestrados
Se um marciano aterrissasse hoje no Brasil e se informasse pela Rede Globo e pelos três jornalões, seria difícil que nosso extra-terrestre escapasse da conclusão de que o maior filósofo brasileiro se chama Roberto Romano; que nosso grande cientista político é Bolívar Lamounier; que Marco Antonio Villa é o cume da historiografia nacional; que nossa maior antropóloga é Yvonne Maggie, e que o maior especialista em relações raciais é Demétrio Magnoli. Trata-se de outro monólogo que a mídia nos impõe com graus inauditos de desfaçatez: a mitologia do especialista convocado para validar as posições da própria mídia. Curiosamente, são sempre os mesmos.
Se você for acadêmico e quiser espaço na mídia brasileira, o processo é simples. Basta lançar-se numa ...(continua)
Se você for acadêmico e quiser espaço na mídia brasileira, o processo é simples. Basta lançar-se numa ...(continua)
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Praça Roosevelt
A propósito do triste acontecimento que foi o assalto no espaço Parlapatões onde foi baleado o dramaturgo Mario Bortolloto eu encontrei Ótimos textos no Blog do Rodolfo García Vásques sobre a Roosevelt e sobre uma matéria da FSP que sugere que a Praça não é um espaço de cultura e sim de botequeiros como se devesse existir fronteiras intransponíveis a partir de uma categorização instituida pelo jornal. O fato inconteste é que a região da Roosevelt foi sim revitalizada pela presença do teatro e tornou-se um opção no abandonado centro. Só o descaso da administração municipal e a intolerância de alguns, desejam substituir a alegria das calçadas pelos tiroteios e a volta da degradação.
Do Blog De olhos sempre abertos - vivendo o espanto.
..."Os moradores da Praça que nos odeiam devem estar felizes:
Agora não ouvem mais as gargalhadas dos artistas, mas os tiros que nos ameaçam."
"Eu mandei o e-mail abaixo para um morador da praça que está processando todos os teatros e bares da praça por balbúrdia e desordem. O e-mail foi mandado no último dia 30 de novembro às 13h55. Triste antecipação, trágica antecipação:Devido ao processo do Ministério Público aberto pelo sr. XXX, todos os bares e os teatros que tinham mesas na calçada da Praça foram orientados pela Prefeitura a retirar as mesmas para poder atender as exigências do Ministério Público. Todos os bares (nós, La Barca, Doca) atenderam o pedido da Prefeitura. Faz duas semanas que a Praça não vê mesas em suas calçadas (...continua)
"O repórter me procurou com uma tese já clara na sua cabeça: "A Praça já não é mais do teatro, mas da balada." Ele mesmo me disse isso no início da entrevista. Achei estranho o tema, pois não havia uma confirmação estatística, era apenas uma sensação, uma percepção do jornalista de que..."
"...Nunca, na Folha de São Paulo, se disse que na Vila Madalena existiam botequeiros!!! Nunca!!! Lá, na cool Vila Madalena, bairro onde moram muitos jornalistas endinheirados inclusive, as pessoas (entre os quais esses jornalistas) são chamados de "frequentadoras dos bares da Vila Madalena". Isso ocorre em qualquer caderno da ...(continua)
Do Blog De olhos sempre abertos - vivendo o espanto.
..."Os moradores da Praça que nos odeiam devem estar felizes:
Agora não ouvem mais as gargalhadas dos artistas, mas os tiros que nos ameaçam."
"Eu mandei o e-mail abaixo para um morador da praça que está processando todos os teatros e bares da praça por balbúrdia e desordem. O e-mail foi mandado no último dia 30 de novembro às 13h55. Triste antecipação, trágica antecipação:Devido ao processo do Ministério Público aberto pelo sr. XXX, todos os bares e os teatros que tinham mesas na calçada da Praça foram orientados pela Prefeitura a retirar as mesmas para poder atender as exigências do Ministério Público. Todos os bares (nós, La Barca, Doca) atenderam o pedido da Prefeitura. Faz duas semanas que a Praça não vê mesas em suas calçadas (...continua)
"O repórter me procurou com uma tese já clara na sua cabeça: "A Praça já não é mais do teatro, mas da balada." Ele mesmo me disse isso no início da entrevista. Achei estranho o tema, pois não havia uma confirmação estatística, era apenas uma sensação, uma percepção do jornalista de que..."
"...Nunca, na Folha de São Paulo, se disse que na Vila Madalena existiam botequeiros!!! Nunca!!! Lá, na cool Vila Madalena, bairro onde moram muitos jornalistas endinheirados inclusive, as pessoas (entre os quais esses jornalistas) são chamados de "frequentadoras dos bares da Vila Madalena". Isso ocorre em qualquer caderno da ...(continua)
domingo, 6 de dezembro de 2009
Uma vez Flamengo...
Campeão? Hexa?
Antes disso, um time que ousou desafiar o improvável.
Pet desafiou a idade. Aos 37 anos.
Angelim desafiou a medicina, ante a ameaça da amputação da perna
Adriano desafiou o vil metal ao escolher o seu lugar
Andrade desafiou a descrença de muitos experts
O time desafiou os prognósticos
E a torcida desafiou a razão
Parabéns Flamengo.
Um time além das obviedades.
Por Weden no Blog do Nassif
Antes disso, um time que ousou desafiar o improvável.
Pet desafiou a idade. Aos 37 anos.
Angelim desafiou a medicina, ante a ameaça da amputação da perna
Adriano desafiou o vil metal ao escolher o seu lugar
Andrade desafiou a descrença de muitos experts
O time desafiou os prognósticos
E a torcida desafiou a razão
Parabéns Flamengo.
Um time além das obviedades.
Por Weden no Blog do Nassif
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Natal
Bernard Shaw, o brilhante dramaturgo e frasista irlandês, disse certa vez que o melhor lugar para passar o Natal era um longínquo país oriental no qual a data não fosse comemorada. Concordo com ele e vou além porque fico raivoso em ver o povo bovinamente movendo-se nas ruas e shoppings estupidamente sem nem ao menos saber porque e transformando tarefas simples como ato de entrar num supermercado para apanhar nossa cerveja de cada dia num verdadeiro inferno. O Trânsito então nem se fala. E o que dizer das luzinhas chinesas, o chato do papai noel e a famigerada árvore de natal. Uma coisa sem sentido algum para mim e a histeria comercial? Afff!
Segundo um estudo ("Scroogenomics - Why You Shouldn't Buy Presents for the Holidays") da famosa escola de administração da Universidade da Pensilvânia, Para quem os recebe, nossos presentes valem apenas 53% ou seja 47% gasto com presentes são dinheiro jogado no lixo. O Psicalista Contardo Calligaris analisando o estudo, levanta questões interessantes:
... Por que oferecemos presentes de natal? Resposta óbvia: para produzir a maior satisfação possível no presenteado, para fazê-lo feliz. Talvez, mas vamos devagar. Por exemplo, é bem possível que a troca natalina de presentes seja sobre tudo um gigantesco "potlatch", como dizem os antropólogos, ou seja, uma maneira de torrarmos festivamente nossos recursos (dinheiro, bens e tempo) só para manifestar nossa riqueza (grande ou pequena) aos outros, ao céu e a nós mesmos. Além disso, cada um presenteia amigos e inimigos por razões que pouco têm a ver com a intenção de fazer o outro feliz. Há presentes pedagógicos e paternalistas (ofereço um vale-livros ao primo que não gosta de ler e uma camiseta P ao maridão que virou um boto), assim como há presentes que servem só para cumprir o protocolo ou para intimidar os presenteados (no estilo: "Este, meu caro, você nunca vai poder retribuir".)
... Quando alguém que amo (e que me ama) me oferece um presente, não espero receber aquele objeto que quero e procuro há tempo -claro, vou gostar de receber isso, e vai ser uma festa, mas, cá entre nós, esse tipo de coisa posso encontrar e comprar sozinho. De quem me ama, espero muito mais: espero receber algo que, até então, literalmente, eu não sabia que eu queria.
O verdadeiro presente é aquele que me revela meu próprio desejo. ...(continua)
Segundo um estudo ("Scroogenomics - Why You Shouldn't Buy Presents for the Holidays") da famosa escola de administração da Universidade da Pensilvânia, Para quem os recebe, nossos presentes valem apenas 53% ou seja 47% gasto com presentes são dinheiro jogado no lixo. O Psicalista Contardo Calligaris analisando o estudo, levanta questões interessantes:
... Por que oferecemos presentes de natal? Resposta óbvia: para produzir a maior satisfação possível no presenteado, para fazê-lo feliz. Talvez, mas vamos devagar. Por exemplo, é bem possível que a troca natalina de presentes seja sobre tudo um gigantesco "potlatch", como dizem os antropólogos, ou seja, uma maneira de torrarmos festivamente nossos recursos (dinheiro, bens e tempo) só para manifestar nossa riqueza (grande ou pequena) aos outros, ao céu e a nós mesmos. Além disso, cada um presenteia amigos e inimigos por razões que pouco têm a ver com a intenção de fazer o outro feliz. Há presentes pedagógicos e paternalistas (ofereço um vale-livros ao primo que não gosta de ler e uma camiseta P ao maridão que virou um boto), assim como há presentes que servem só para cumprir o protocolo ou para intimidar os presenteados (no estilo: "Este, meu caro, você nunca vai poder retribuir".)
... Quando alguém que amo (e que me ama) me oferece um presente, não espero receber aquele objeto que quero e procuro há tempo -claro, vou gostar de receber isso, e vai ser uma festa, mas, cá entre nós, esse tipo de coisa posso encontrar e comprar sozinho. De quem me ama, espero muito mais: espero receber algo que, até então, literalmente, eu não sabia que eu queria.
O verdadeiro presente é aquele que me revela meu próprio desejo. ...(continua)
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Buddy Guy

Estava em casa na modorra de um domingo de ressaca quando fui convocado a comparecer no Open Jazz -da horrorosa Cia Telefônica- e lá fui eu sem almoçar e sob terríveis calafrios e vertigens mas escoltado pela Renata e Mônica que gentilmente me apanharam em casa. A primeira apresentação foi da diva do jazz Dianne Reeves que gastou seu vozeirão num repertório que misturava Jazz, soul e rhythm'n'blues que já conseguiu me trazer de volta à vida, apesar de o local não ter os tradicionais quiosques nem ambulantes e conseqüentemente nada para beber e nem comer (coisa de organizadores infelizes e que combina com o padrão telefônica de pensamento) debaixo de um sol de 29C...
Em seguida entrou a lenda Buddy Guy no palco justamente aquele que segundo Eric Clapton é “o melhor guitarrista de blues, vivo” e como era de se esperar, não decepcionou. O cara simplesmente fez uma apresentação incendiária como cabe a um guitar hero de primeira: Fez de tudo com com sua guitarra... Tocou com uma mão, com sua guitarra nas costas, usou os dentes para tirar sons das cordas e a certa altura pegou a baqueta de seu baterista para tocar e inovando tocou até com a camisa, fazendo sua fender, chorar, cantar, gritar, gargalhar... Muito feeling e num momento mais intimista, deixou o palco e seguido pelos seguranças e fotógrafos, atravessou a área vip e foi tocar mais próximo das pessoas na platéia e distribuindo palhetas, etc Depois ainda convocou Dianne Reeves para uma canja. Demais!
Esse senhor de 73 anos que mais parecia um quarentão, cantou temas de Muddy Waters, John Lee Hooker além do próprio repertório levando a galera ao delírio com "Damn Right e I've Got the Blues" e foi então que já no finalzinho mandou bala num medley de "Voodoo Chile"(Hendrix) e "Sunshine of Your Love”(Cream)... e o mundo veio abaixo. Mesmo desidratado àquela altura ainda encontrei forças (risos!) para agradecer por estar vivo e ali. Um momento mágico e inesquecível de presenciar do que é capaz o gênio humano. Buddy Guy, saiu do Palco ovacionado enquanto a banda derramava "I Go Crazy" de James Brawn. E eu quase não fui por conta de uma esbórnia na madrugada anterior.
Que bom estar vivo! Tenho dito.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Pulp Fiction
Quando o canadense Roger Avary, vencedor do Oscar de roteiro original de 1995 por Pulp Fiction, foi sentenciado nos EUA a passar um ano atrás das grades por seu envolvimento em um acidente de carro fatal, parecia que sua carreira havia acabado. Mas uma série de posts no Twitter mostrou que ele ainda está fazendo a crônica das entranhas da cultura americana.
Em pequenos textos de até 140 caracteres –o máximo permitido no microblog–, Avary pintou um quadro vívido da rotina na prisão do condado de Ventura, na Califórnia, onde está preso ...(leia mais no the Guardian)
Em pequenos textos de até 140 caracteres –o máximo permitido no microblog–, Avary pintou um quadro vívido da rotina na prisão do condado de Ventura, na Califórnia, onde está preso ...(leia mais no the Guardian)
terça-feira, 24 de novembro de 2009
São Paulo é a capital menos violenta segundo pesquisa
Sempre digo que me sinto mais seguro em São Paulo do que em muitas pacatas cidades do interior, para os amigos que frequentemente reclamam de São Paulo e disparam a falar das delícias da vida do interior que eles idealizam e que claro, não conhecem tão bem assim.
Se "imágem é tudo" o ponto é sempre a espetacularização da noticia pelas TV's que apenas pinçam e martelam episódios que vão alavancar a audiência criando no imaginário da população uma cidade desfigurada e longe da realidade, tanto que mesmo depois de 28 anos em São Paulo, até hoje recebo telefonemas da minha mãe querendo saber se estou bem ou fui atingido por esse ou aquele cataclisma que ela acabou de ver na TV e invariavelmente, eu não sei nem do que ela está falando apesar de me considerar razoavelmente informado.
Agora saiu os resultados da pesquisa SEADE e Instituto Latino-Americano das Nações Unidas para Prevenção ao Delito e divulgada nesta terça-feira pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, no Fórum Brasileiro de Segurança Pública que mostra entre outras coisas, que São Paulo é a capital menos perigosa entre todas. Achei esse estudo muito interessante porque ofereçe um raio-x, ou melhor, traça o perfil sociodemográfico da violência no país. Vale muito a pena dar uma sapeada para entender o fenômeno e até para vitaminar os argumentos para aquele papo no boteco sexta feira. O estudo completo pode ser encontrado aqui e quem quiser apenas ver o ranking, é só ir direto ao sumário no finalzinho. E para a turma do "não tenho tempo" o blog informa que existem 191 municípios mais violentos que São Paulo entre os 266 analisados. São Paulo ocupa a modesta 192º posição.
Se "imágem é tudo" o ponto é sempre a espetacularização da noticia pelas TV's que apenas pinçam e martelam episódios que vão alavancar a audiência criando no imaginário da população uma cidade desfigurada e longe da realidade, tanto que mesmo depois de 28 anos em São Paulo, até hoje recebo telefonemas da minha mãe querendo saber se estou bem ou fui atingido por esse ou aquele cataclisma que ela acabou de ver na TV e invariavelmente, eu não sei nem do que ela está falando apesar de me considerar razoavelmente informado.
Agora saiu os resultados da pesquisa SEADE e Instituto Latino-Americano das Nações Unidas para Prevenção ao Delito e divulgada nesta terça-feira pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, no Fórum Brasileiro de Segurança Pública que mostra entre outras coisas, que São Paulo é a capital menos perigosa entre todas. Achei esse estudo muito interessante porque ofereçe um raio-x, ou melhor, traça o perfil sociodemográfico da violência no país. Vale muito a pena dar uma sapeada para entender o fenômeno e até para vitaminar os argumentos para aquele papo no boteco sexta feira. O estudo completo pode ser encontrado aqui e quem quiser apenas ver o ranking, é só ir direto ao sumário no finalzinho. E para a turma do "não tenho tempo" o blog informa que existem 191 municípios mais violentos que São Paulo entre os 266 analisados. São Paulo ocupa a modesta 192º posição.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Cientista escocês inventa álcool sintético que não faz mal a saúde nem causa ressaca
Deu no The Sun de hoje notícia alvissareira como diria meu amigo Pedrão. Pois é, o sonho de todo cachaceiro está chegando mais perto da realidade! O professor escocês David Nutt criou um tipo de álcool "sintético" que não causa ressaca nem problemas de saúde e agora quer testar o experimento nos conterrâneos.A Escócia sofre de um dos mais altos índices de doenças hepáticas relacionadas ao consumo de álcool.
O protótipo vem como uma injeção ou em forma de comprimido, mas no futuro poderá ser um líquido a ser misturado com alguma bebida (no melhor estilo Cuba Libre). O professor diz que com apoio político a invenção poderá ser vendida em três anos - se empresários estiverem dispostos a investir 10 milhões de libras.
"Você nunca vai parar de ter pessoas que gostem de um drinque. Mas se beberem, que o façam sem riscos. Espero que, no futuro, as pessoas brindem no meu túmulo com um copo de álcool sintético", disse o professor Nutt.
Sei não, mas esse Dr Nutt periga entrar para galeria dos grandes cientistas que prestaram enormes serviços á humanidade.
Fonte: The Scottish Sun
sábado, 14 de novembro de 2009
BBC
Deparei com duas notícias interessantes divulgadas no site da BBC que merecem atenção:
Brasil decola segundo The Economist
A ascensão econômica do Brasil é o tema da capa, de um editorial e de um especial de 14 páginas da edição desta semana da revista britânica The Economist, divulgada nesta quinta-feira. Intitulado Brazil Takes Off (“O Brasil Decola”, em tradução literal). A Economist afirma também que o Brasil chega a superar outros Bric. “Ao contrário da China, é uma democracia, ao contrário da Índia, não possui insurgentes, conflitos étnicos, religiosos ou vizinhos hostis. Ao contrário da Rússia, exporta mais que petróleo e armas e trata investidores estrangeiros com respeito.” e ...(continua)
Nasa descobre água na Lua
A Nasa (agência espacial americana) anunciou nesta sexta-feira que descobriu grande quantidade de água na Lua durante experimentos realizados no mês passado. Nas experiências, a Nasa lançou um foguete e logo depois com uma sonda em uma cratera perto do polo sul lunar. Se a água encontrada tiver bilhões de anos, ela pode conter informações sobre a origem do Sistema Solar.
No caso de serem encontradas grandes quantidades, a água também poderia ser usada em viagens espaciais ...(continua)
Brasil decola segundo The Economist
A ascensão econômica do Brasil é o tema da capa, de um editorial e de um especial de 14 páginas da edição desta semana da revista britânica The Economist, divulgada nesta quinta-feira. Intitulado Brazil Takes Off (“O Brasil Decola”, em tradução literal). A Economist afirma também que o Brasil chega a superar outros Bric. “Ao contrário da China, é uma democracia, ao contrário da Índia, não possui insurgentes, conflitos étnicos, religiosos ou vizinhos hostis. Ao contrário da Rússia, exporta mais que petróleo e armas e trata investidores estrangeiros com respeito.” e ...(continua)Nasa descobre água na Lua
A Nasa (agência espacial americana) anunciou nesta sexta-feira que descobriu grande quantidade de água na Lua durante experimentos realizados no mês passado. Nas experiências, a Nasa lançou um foguete e logo depois com uma sonda em uma cratera perto do polo sul lunar. Se a água encontrada tiver bilhões de anos, ela pode conter informações sobre a origem do Sistema Solar.No caso de serem encontradas grandes quantidades, a água também poderia ser usada em viagens espaciais ...(continua)
domingo, 8 de novembro de 2009
São Paulo
Só mesmo São Paulo para suportar dois festivais do porte do
Maquinária e Planeta Terra no mesmo dia e horário: Enquanto o maquinária bombava na chácara Joquei (Zona Sul), o páu comia no Planeta Terra (Play Center) zona norte com Macaco Bong, Móveis Coloniais de Acaju, Maximo Park, Primal Scream, Iggy Pop & The Stooges , Etienne de Crecy (live act), no main stage. Já no Maquinária onde eu estava, rolava: Nação Zumbí, Sepultura, Deftones, Jane’s Adiction e Faith no More. A coisa era tal que nem prestei atenção ao second stage. Resumindo foi o seguinte: O Jane’s addiction fez um dos melhores shows que já vi na vida. Impecavel! Solos precisos do Dave Navarro e que bateria era aquela! Perry Farrell a lenda esteve, claro, singularíssimo. Eu sempre quis vê-los mas nunca dava certo e ontem pelas mãos de amigos tive a chance e o enorme prazer. O Deftones me pareceu um pouco monótono e o Faith no More encerrou a noite debaixo de um pé d’água daqueles, com o Mike Patton gastando seu português e abusando da voz nos hits mais conhecidos que o povo cantava junto e alguns covers sensacionais. Ao final desceu do palco e partiu pra cima do público que delirava e os seguranças desesperados caçando o cara... Um final apoteótico em um dia inteiro de rock, gente bonita, muita organização, som acachapante e cristalino, tudo funcionando bem para os 17 mil fãs ali. Sem dúvida o melhor festival que vi por aqui. Foi duca! Parabéns São Paulo!
Maquinária e Planeta Terra no mesmo dia e horário: Enquanto o maquinária bombava na chácara Joquei (Zona Sul), o páu comia no Planeta Terra (Play Center) zona norte com Macaco Bong, Móveis Coloniais de Acaju, Maximo Park, Primal Scream, Iggy Pop & The Stooges , Etienne de Crecy (live act), no main stage. Já no Maquinária onde eu estava, rolava: Nação Zumbí, Sepultura, Deftones, Jane’s Adiction e Faith no More. A coisa era tal que nem prestei atenção ao second stage. Resumindo foi o seguinte: O Jane’s addiction fez um dos melhores shows que já vi na vida. Impecavel! Solos precisos do Dave Navarro e que bateria era aquela! Perry Farrell a lenda esteve, claro, singularíssimo. Eu sempre quis vê-los mas nunca dava certo e ontem pelas mãos de amigos tive a chance e o enorme prazer. O Deftones me pareceu um pouco monótono e o Faith no More encerrou a noite debaixo de um pé d’água daqueles, com o Mike Patton gastando seu português e abusando da voz nos hits mais conhecidos que o povo cantava junto e alguns covers sensacionais. Ao final desceu do palco e partiu pra cima do público que delirava e os seguranças desesperados caçando o cara... Um final apoteótico em um dia inteiro de rock, gente bonita, muita organização, som acachapante e cristalino, tudo funcionando bem para os 17 mil fãs ali. Sem dúvida o melhor festival que vi por aqui. Foi duca! Parabéns São Paulo!
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Garota do Barulho
Olhem só esta garotinha, Tal Wilkenfeld que empunha um instrumento pouco comum entre as mulheres; o contrabaixo. Fiquei hipnotizado ao vê-la em ação e após uma rápida busca descobri que estou atrasado na descoberta desta australiana que começou tocando guitarra aos 14 mas depois migrou para o baixo e em apenas quatro anos converteu-se em baixista do primeiro time.
Já tocou com Chick Corea, Hiram Bullock, Vinnie Colaiuta, the Allman Brothers Band, Wayne Krantz, Kenwood Dennard, Jeff “Tain” Watts, Eric Krazno, Susan Tedeschi e agora –pasmem!- toca com ninguém menos do que Jeff Beck. Na verdade, cheguei até ela quando estava pesquisando sobre um tributo que o Jeff Beck fez ao Stevie Ray Vaughan e acabei encontrando alguns vídeos incríveis onde se pode ver a guria estraçalhando! Selecionei os três que estão abaixo: Ela está I-N-A-C-R-E-D-I-T-A-V-E-L na clássica "Cause we ended as love" Preste atenção na cara do Jeff Beck pois parece que até ele duvida.
Já tocou com Chick Corea, Hiram Bullock, Vinnie Colaiuta, the Allman Brothers Band, Wayne Krantz, Kenwood Dennard, Jeff “Tain” Watts, Eric Krazno, Susan Tedeschi e agora –pasmem!- toca com ninguém menos do que Jeff Beck. Na verdade, cheguei até ela quando estava pesquisando sobre um tributo que o Jeff Beck fez ao Stevie Ray Vaughan e acabei encontrando alguns vídeos incríveis onde se pode ver a guria estraçalhando! Selecionei os três que estão abaixo: Ela está I-N-A-C-R-E-D-I-T-A-V-E-L na clássica "Cause we ended as love" Preste atenção na cara do Jeff Beck pois parece que até ele duvida.
sábado, 31 de outubro de 2009
Eugênio Bucci
Um gênio que não se compreende?
Por Eugênio Bucci
** Dois sentidos convergentes
O título deste artigo tem dois sentidos óbvios – são distintos, mas não são divergentes. O primeiro é mais imediato: refere-se a um gênio que não compreende a si mesmo, que não sabe dizer como é que ele próprio funciona, como pensa, quais máximas guiam suas ações – e, não obstante, ele funciona, pensa e age com maestria. O segundo sentido indaga se o suposto gênio não carece da compreensão dos seus contemporâneos. O interessante é que um e outro sentido nos servem. Por um ou por outro, chegaremos ao mesmo lugar. Pode ser um bom lugar, desde que essa condição que se vai associar à figura do presidente da República, a condição de um político genial, seja posta, por enquanto, sempre diante de uma interrogação. A genialidade não é algo que se afirme assim, sem mais nem menos. Mas, na altura em que nos encontramos, já é algo que se pode ao menos perguntar (...continua)
Por Eugênio Bucci
** Dois sentidos convergentes
O título deste artigo tem dois sentidos óbvios – são distintos, mas não são divergentes. O primeiro é mais imediato: refere-se a um gênio que não compreende a si mesmo, que não sabe dizer como é que ele próprio funciona, como pensa, quais máximas guiam suas ações – e, não obstante, ele funciona, pensa e age com maestria. O segundo sentido indaga se o suposto gênio não carece da compreensão dos seus contemporâneos. O interessante é que um e outro sentido nos servem. Por um ou por outro, chegaremos ao mesmo lugar. Pode ser um bom lugar, desde que essa condição que se vai associar à figura do presidente da República, a condição de um político genial, seja posta, por enquanto, sempre diante de uma interrogação. A genialidade não é algo que se afirme assim, sem mais nem menos. Mas, na altura em que nos encontramos, já é algo que se pode ao menos perguntar (...continua)
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Satyrianas 2009

Começa hoje o Satyrianas, um dos eventos mais bacanas da cidade. Fui no ano passado umas três vezes e achei o máximo. O Satyrianas é o já tradicional evento de teatro promovido pela Cia, Os Satyros, em São Paulo, que consiste na apresentação direta de 78 horas de espetáculos, onde cada um paga o quanto quiser, a partir de 2,00, e será armado na Praça Roosevelt, varias tendas, além dos teatros da Praça que participarão deste evento, assim como outros na cidade. E agora o Satyrianas é também "multidisciplinar" com, shows de música que completam a grade, ainda composta majoritariamente por peças e cenas inéditas. O mais interessante nisso, eu acho que é o fato da coisa acontecer ininterruptamente por 78 horas, ou seja, qualquer hora que aparecer por lá vai estar rolando alguma coisa e muita gente interessante de se ver e conhecer também. Este ano pretendo acampar por lá e recomendo fazerem o mesmo. Para ver a programação completa, clique aqui.
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