sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Vale a pena se afastar de familiares e amigos por causa da política ?

"Não vale a pena perder amigos ou se afastar de familiares por causa de política".
Desculpem-me pela frieza, mas vale a pena, sim. Mais do que isso: é fundamental perder amigos e se afastar de parentes.
Se o "por causa de política" se refere ao fato de esses amigos ou parentes fazerem apologia (ainda que de forma velada) à desigualdade, ao racismo, à concentração de renda, ao sexismo, à xenofobia, à discriminação, à humilhação simbólica de classes desfavorecidas, à regressão do país à condição de colônia ou a estupidezes semelhantes (a lista é longa), faço questão absoluta de tomar providências para nunca mais ver pela frente esses "amigos" e para só encontrar esses parentes em inevitáveis eventos familiares (interagindo o mínimo possível).
Cansei da eterna concertação, do "deixa disso", do "vamos conversar".
Se é a sociedade e o país nos quais terão que viver os meus filhos e os filhos dos (estes sim) efetivos amigos e lúcidos parentes que estão sendo sacrificados, digo com muito gosto: sumam da minha frente. Tenho muita gente fantástica com quem interagir.


sábado, 23 de julho de 2016

A dívida pública é um mega esquema de corrupção institucionalizado

Dois meses antes de o governo Dilma Rousseff anunciar oficialmente o corte de 70 bilhões de reais do Orçamento por conta do ajuste fiscal, uma brasileira foi convidada pelo Syriza, partido grego de esquerda que venceu as últimas eleições,para compor o Comitê pela Auditoria da Dívida Grega com outros 30 especialistas internacionais. A brasileira em questão é Maria Lucia Fattorelli, auditora aposentada da Receita Federal e fundadora do movimento “Auditoria Cidadã da Dívida” no Brasil. Mas o que o ajuste tem a ver com a recuperação da economia na Grécia? Tudo, diz Fattorelli. “A dívida pública é a espinha dorsal”.
Enquanto o Brasil caminha em direção à austeridade, a estudiosa participa da comissão que vai investigar os acordos, esquemas e fraudes na dívida pública que levaram a Grécia, segundo o Syriza, à crise econômica e social. “Existe um ‘sistema da dívida’. É a utilização desse instrumento [dívida pública] como veículo para desviar recursos públicos em direção ao sistema financeiro”, complementa Fattorelli.
Esta não é a primeira vez que a auditora é acionada para esse tipo de missão. Em 2007, Fattorelli foi convidada pelo presidente do Equador, Rafael Correa, para ajudar na identificação e comprovação de diversas ilegalidades na dívida do país. O trabalho reduziu em 70% o estoque da dívida pública equatoriana.
Em entrevista a CartaCapital, direto da Grécia, Fattorelli falou sobre como o “esquema”, controlado por bancos e grandes empresas, também se repete no pagamento dos juros da dívida brasileira, atualmente em 334,6 bilhões de reais, e provoca a necessidade do tal ajuste.
Leia a entrevista:

CartaCapital:
 O que é a dívida pública?
Maria Lucia Fattorelli: A dívida pública, de forma técnica, como aprendemos nos livros de Economia, é uma forma de complementar o financiamento do Estado. Em princípio, não há (leia mais)

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Deus salve o Brasil

Depois de ler todo este diálogo do presidente do congresso Renan Calheiros, com o mesmo Sergio Machado do vazamento anterior, fica impossível compreender que ainda exista "governo Temer". Aliás, fica difícil entender que funcione com normalidade STF, Congresso, etc, com tamanha desmoralização e contaminação geral... Ficou claríssima aquela frase "Dilma caiu por ser honesta" e por "não salvar ninguém", independente dos erros de gestão que ela possa ter cometido.

Um dia antes, na outra gravação, apareceu o ministro Jucá falando que estava costurando acordo com generais, STF, forças políticas e o diabo, para pôr o Michel no lugar de Dilma para estancar a sangria da lava jato.

Em ambas as gravações, a saída foi sempre "ela licenciar ou ser varrida" para entrar o Michel para "reorganizar" as coisas e repor a normalidade ao país..., sabe !?

O pior deste período de gestação do golpe foi o surgimento dos movimentos facistóides que capitalizaram a boa vontade e ingenuidade dos analfabetos políticos e que agora juntamente coma bancada BBB proporcionarão as condições para o aniquilamento das conquistas de minorias e alguns avanços conseguidos a duras penas. Haja vista que o ministro brucutu da educação se reuniu hoje com o ator pornô Alexandre Frota e o grupelho revoltado on-line para receber sugestões para a educação. (Valei-me, Deus!).

Como disse o Prof. Dr. Jessé Souza, o tema “corrupção” nunca foi nada aqui, além de apenas motivo para insuflar o povo e derrubar governos.

De fato a agitação toda foi muito bem vista enquanto foi instrumentalizada apenas para criminalizar o PT e destruir o governo Dilma. Mas, quando “perdeu-se o controle” e começou ameaçar os donos do país, aí se tornou inconveniente.

Se você é um daqueles que acha que vestir a camisa amarela da corrupta CBF e gritar “fora PT” e bater panelas vai mudar o Brasil, lamento informar, mas você precisa robustecer sua leitura da realidade -e também de história-, claro.

Não há como moralizar o país dentro deste presidencialismo de coalizão onde o jogo político se baseia unicamente na obtenção de vantagens em troca de apoio político, independente de quem seja eleito.

Sem uma ampla discussão sobre representatividade e democracia direta, que deságue numa reforma política pra valer, não haverá avanços nem solução.

domingo, 22 de maio de 2016

Tributo ao Jupiter - Virada 2016

Das melhores coisas que eu vi nos últimos tempos foi o tributo ao Júpiter na Virada 2016. Acho que eles poderiam transformar aquela apresentação em um show... porque está sensacional com a participação de grandes ídolos do Rock Gaúcho como Wander Wildner e Plato Divorak, e ainda músicos e amigos: Rogério Skylab, Astronauta Pinguim, Clayton Martin, Violeta de Outono, Ray-Z, Julio Cascaes, Dustan Gallas, Tatá Aeroplano, Glauco Caruso, Bibiana Graeff, Fabio Golfetti, Marcelo Gross, entre outras pessoas importantíssimas e o Jupiter deve estar feliz onde quer que esteja.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

CRONOLOGIA DOS GOLPES DE ESTADO NO BRASIL - Atualização


Fui pesquisar por curiosidade a historiografia dos golpes de estado no Brasil e não encontrei nenhuma lista definitiva ou coisa parecida, mas escarafunchando por aí deu para encontrar mais de dez de caráter militar, parlamentar, misto etc, com apoio de parte da sociedade civil inclusive. Pode ser que tenha faltado algum, porque mesmo entre os especialistas há controversias se são 10 ou 12, mas já dá pra ter uma ideia do desapreço brasileiro pela legalidade e inclinação para os casuísmos / jeitinhos.                                       
Entre motivos e pretextos mais utilizados o mais frequente é a corrupção..., e ao final, fica sempre a pergunta; Torcer as regras por conveniência e auto-engano para golpear a legalidade não é em si mesmo, uma forma de corrupção?  

1º  Golpe
1840: Posse de Pedro II através de golpe parlamentar antecipando a maioridade de Pedro aos 14 anos para que ele pudesse assumir e que ficou conhecido como golpe da maioridade.

2º Golpe
1889:  D. Pedro 2º foi deposto pelos militares do Rio de Janeiro e banido do país com toda sua família e assume o marechal Deodoro da Fonseca.

3º Golpe
1891: Com a renúncia de Deodoro da Fonseca, assumiu o vice, Floriano Peixoto. A Constituição mandava que fossem realizadas novas eleições. Floriano ignorou a constituição governando com mão de ferro até 1894. Chamaram-no "Golpe do Marechal de Ferro".

4º Golpe
1930: Getúlio Vargas é derrotado na eleição presidencial e lidera uma revolta que termina na deposição do presidente Washington Luiz, pelos militares do Rio de Janeiro.

5º Golpe
1937: Getúlio Vargas fechou o Congresso, cm o apoio dos militares integralistas e suspendeu a eleição presidencial que marcara,  criando a ditadura do Estado Novo.

6º Golpe
1945: Os militares depuseram Getúlio Vargas, que convocara eleições para eleger seu sucessor. Elas deveriam ser realizadas em dezembro, mas Getúlio foi deposto em outubro e tomou posse o presidente do Supremo Tribunal Federal. 

7º Golpe
1955: O presidente era Café Filho que precisou se retirar por problemas cardíacos. Deixou em seu lugar o presidente da câmara Carlos Luz, que demitiu o ministro da Guerra, Henrique Lott, e em poucas horas foi deposto pelos militares. O Congresso então providenciou um impeachment para Carlos Luz e empossou o presidente do Senado, Nereu Ramos.

8º Golpe
1961: Jânio Quadros renuncia e os ministros militares não concordaram com a posse do vice-presidente João Goulart. Com o país à beira de uma guerra civil, em poucos dias o Congresso votou uma emenda parlamentarista, golpeando e mutilando os poderes do presidente Jango, que finalmente assumiu.

9º Golpe
1964: Insuflados por uma parcela da população, inicia-se uma revolta militar. O presidente Jango desiste do confronto e o presidente do Congresso declara vaga a presidência da República, extinguindo o mandato de João Goulart que teve que fugir para o Uruguai e assumiu então o Marechal Humberto Castelo Branco.

10º Golpe
1968: Chamado golpe dentro do golpe, o marechal Costa e Silva assume o poder e baixa o Ato Institucional nº 5, que fechou o Congresso e suspendeu as liberdades, mergulhando o país no mais tenebroso período da história recente onde floresceu a tortura e desaparecimentos de pessoas contrárias ao regime.

11º Golpe
1969: O Marechal Costa e Silva, sofreu um AVC e ficou incapacitado. Os três ministros militares então avisaram o vice Pedro Aleixo, que ele não assumiria e formaram uma Junta Militar para governar dando continuidade ao regime até 1985, quando houve a redemocratização do país.

12º Golpe
2016: Após a eleição de 2014, o candidato derrotado Aécio Neves se insurgiu contra o resultado e a despeito das campanhas dele e Dilma terem tido os mesmíssimos financiadores, decretou que o poder dela era ilegítimo. Em seguida recorreu à justiça pedindo recontagem de votos e não satisfeito, deu inicio a uma campanha pela desgovernabilidade, sabotando a economia e paralisando o país incitando seus seguidores ao ódio à Presidente Dilma eleita, chegando ao absurdo de levar seu partido PSDB, a votar contra a responsabilidade fiscal que eles próprios instituíram. Ato continuo, a plutocracia se assanhou  -enxergando a chance de voltar ao poder sem votos-,  com a mídia familiar, mais setores do MPF e Policia federal que, alinhados deram o inicio ao vale tudo numa campanha golpista sob a égide de restaurar a “moralidade”.  Apesar da maioria do congresso ser composta por corruptos notórios, e comandados por um chefe já réu num STF no mínimo apático, a Presidente foi deposta ironicamente sob o pretexto de  irresponsabilidade fiscal, já que não foi possível culpa-la de nada. Houve até quem tentasse envernizar o golpe dizendo cinicamente na tribuna, que a presidente estava sendo deposta pelo conjunto da obra, para disfarçar os verdadeiros motivos: A usurpação do poder por aqueles não o conseguiram nas urnas.

O fato é que a receita dos golpes quase sempre teve e tem os mesmos ingredientes: Insatisfação popular, um caso de corrupção bem escabroso amplificado e turbinado pela mídia familiar e seus interesses oligárquicos, autoridades, juízes, promotores e policiais alçados à categoria de semideuses, grupelhos facistóides insuflando a população contra o comunismo, cuba, a política, etc... e contra tudo-isso-que-está-aí, seja lá o que isso signifique. Sob esta mistura aplica-se o glacê golpista-parlamentar e/ou militar e enfeita-se a coisa com alguma cereja-jurídica de ocasião para dar uma tosca aparência de legalidade e está pronto mais um golpe contra a democracia, com o incondicional beneplácito da elite autocrática brasileira. 

Mesmo conservadores como o Jurista  Cláudio Lembo, admite que  agora na américa latina, o impeachment tornou-se uma versão light para golpes e uma alternativa menos sinistra do que o golpe militar, mas ainda sim GOLPE!

O Brasil, assim como países do oriente médio e África não consegue ficar mais de 30 anos sem um golpe de estado. O dano à imagem do país é irremediável e em todos os cantos do planeta a imprensa estrangeira fez da cobertura da crise brasileira um show de bizarrice e humor com âncoras fazendo piadas sobre as patetices de um congresso corrupto, depondo uma presidente honesta, dando o tom e clima burlesco, á farsa. O golpe contra si próprio, um país continental e uma grande economia antes vista como promissora, assusta o mundo civilizado.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Manifestação em defesa da democracia - Pça da sé.

Senti uma certa melancolia aqui na Sé onde estive 32 anos atrás pedindo eleições diretas e democracia e agora precisar voltar novamente para defender a democracia, a legalidade... essa coisas basilares... é *F!
Nossa democracia parece aquele adolescente que se recusa a amadurecer e aquela sensação que tive na aos 22 anos, (1984) de que o Brasil nos 30 anos seguintes seria pelo menos como a Coreia do Sul não se confirmou.
Não investimos o suficiente em educação para a cidadania. Que pena, que *M !

Atualização: Inacreditável a cara de pau, dos grandes portais de internet, Jornais e tv´s: Parece que não aconteceu nada demais...  a programação seguia normal e as manchetes seguem sendo a lava jato etc... só um ou outro destaquezinho sobre as manifestações bem escondido no meio das "denúncias" e novas descobertas de Moro. Afff... 








sábado, 19 de março de 2016

Choque de Realidade

Ontem animado com o ato em defesa da legalidade na Paulista segui para um convescote, onde encontrei casualmente com uma pessoa que conheço das altas esferas do Judiciário e falando com ela sobre o futuro da nação, ela me atirou um balde de gelo e demolidora vaticinou: Olha, não quero te desanimar não, mas é o seguinte: Está em curso um movimento muito mais forte do que você pode imaginar e que não será possível deter, pois envolve até interesses internacionais, as reservas naturais do Brasil, etc. É chumbo grosso e nem a massa de manobra que lota a Paulista pedindo a cabeça da presidente faz idéia do quê está realmente em jogo.
Aquilo que o conservador Claudio Lembo num ataque de sincericídio chamou de Elite Branca que perpassa todo o tecido social, partiu para um tudo ou nada depois das eleições. Inconformados e raivosos acionaram seus tentáculos no Judiciário, Mídia e Empresariado para remover os progressistas do poder a qualquer preço e não opinião dela, não vão parar de fabricar factoides e insuflar o ódio popular, amplificando escândalos, mentindo no horário nobre e torcendo a verdade factual, até conseguirem derrubar a presidente e instalar alguém deles no trono.  Acham que já concederam demais ao zé povinho que deve voltar pra casinha. Contudo tem um enorme problema que é o Lula e precisam demolir o mito e encarcerá-lo o mais rapidamente possível e para isso tem feito o possível e o impossível porque já que não podem matá-lo, porque pegaria mal e o transformaria num mártir, precisam urgentemente desconstruí-lo a qualquer preço.
Encarcerar o Lula e exibi-lo de algemas é uma questão de tempo. Só falta dourar a pílula achando o pelo em ovo.  Fácil, fácil... Pode até ser o pedalinho mesmo ou que soar melhor no momento certo.
Quanto a derrubar a Dilma está demorando mais porque precisam de toda maneira, dar um ar de legalidade ao processo, para não ficar com cara de golpe tosco. Ainda vão precisar de mais tempo para caramelizar o Golpe, mas está quase pronto para ir ao forno.
Na opinião dela, a conclusão do golpe com forte apoio de setores do judiciário e a prisão do Lula é só questão de tempo.
Fiquei pasmo, mas achei que ela estava exagerando, mas considerando que ela nem é eleitora da Dilma, nem petista e ocupando o cargo que ocupa, me acendeu uma luz vermelha, mas mantive o ar esperançoso até saber que o Ministro Gilmar Mendes suspendeu a nomeação de Lula para Casa Civil, pois isso de tão absurdo que é desconsiderando a independência entre poderes e a própria jurisprudência do STF, me fez entender que já estamos agora no vale tudo mesmo e quaisquer escrúpulos de consciência que ainda achava que existia no Brasil não existe mais pois a tal elite branca tem até bancada no STF que o Lula disse ser um tribunal acovardado e que depois disso, falou grosso com ele mas fecha os olhos para os ataques a legalidade perpetrado continuamente, neste vale tudo.
Apesar de tudo lá no fundo a gente ainda guarda  uma pontinha de esperança de que ocorra um ataque de decência aí no senado, na cnj ou mais provavelmente no STF e reponham o bom senso na mesa
Segundo Boaventura Santos, "se a democracia ainda puder ser salva, será pelas mãos do judiciario mas para isso, este poder  precisará ser antes salvo ele mesmo, daqueles que sequestraram a justiça para agir como justiçeiros." Do contrário, será instalada República Judicial das Bananas, regida pelos descendentes daqueles quase vinte mil apaniguados que acompanharam a fuga de Dom João VI, em dezenas de caravelas, mais os dos senhores das casas grandes, que ainda se julgam os donos do país e pensam o pré-sal como o novo pau brasil.

sexta-feira, 4 de março de 2016

O Delírio dos Midiotas.


Passei o dia trabalhando pesado e desconectado e só cheguei em casa agora, quando soube da humilhação do Lula e ao ver o que se passou e a repercussão, me bateu uma preguiiiiça de tudo isso, de debater, lutar por um país melhor... essas coisas assim de comunista, de esquerdista, de vai pra cuba..., sabe? Porque, parece que estamos sempre fadados a regredir como uma espécie de punição por cada ousadia de avanço; Para cada soluço progressista, temos que revisitar nossa mentalidade escravagista e lustrar as botas dos senhores de engenho como uma espécie de punição!? Por aqui o compadrio e o patrimonialismo sempre triunfam sob aplausos da escumalha adestrada e forjada na sídrome de estocolmo, que vibra ao ver o negro de volta ao tronco.

Na noite de 24 de agosto de 1954 também Getúlio Vargas foi humilhado. Era a época do “mar de lama”. Como agora, a mídia familiar, conduzia parcelas da população bovinamente a acreditar no mar de lama, bla,bla... Hoje 62 anos depois do suicídio de Vargas, não se conhece um único caso de corrupção dos milhares atribuídos a ele, que agora é tido e havido como um dos maiores estadistas, o homem que mudou o Brasil, mas contudo, “Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la”, como ensinou Edmund Burke.

O nosso Brasilzão que já foi um lugar tão venturoso, vive agora seu momento mais eclipsado, mais careta, mais Bolsonaro, mais babacóide, com tanta feiura, gente odienta, burra, muito burra demais. Até xenófobos estamos ficando. Ando cansado de tanta burrice que dá essa preguiça, esse desalento, essa vontade de jogar a toalha à cada ataque misógino, de caretice, de bolsonite..., a cada vômito verbal dos midiotas e mentecaptos que pululam... e se extasiam com o “mar de lama”, com mendigos incendiados, trombadinhas amarrados a postes, etc. E tem ainda a plateia dos descerebrados que aplaude o show sem saber do que se trata, reproduzindo o que ouviram na TV e desaguando sua fúria comentadora ad nauseam nas redes.

O ex-Presidente, como qualquer cidadão, pode e deve ser investigado quando houver qualquer suspeita fundada, por parte das autoridades públicas, mas também, como qualquer cidadão, deve ter seus direitos fundamentais, garantidos na Constituição e nas leis, observados durante a  investigação, o que foi negado a ele pelo achincalhe e absurdo jurídico de ontem, conforme  posicionamento de grandes juristas brasileiros de diversos matizes.
Este caso, na verdade resume-se ao seguinte: Já existe um culpado e precisa-se urgentemente encontrar algo para encarcerá-lo ou ao menos desmoralizá-lo para inviabilizar sua candidatura em 2018.

E o Lula? Bem, o Lula segue pagando pelo erro dele de um dia ter achado que poderia ser aceito pela casa grande!? (risos!). Agora recebe o “volta pra casinha” em doses diárias, dos eternos donos do Brasil.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Caminhos e escolhas

"...a materia prima da vida é a tristeza e a angústia existencial. A vida e o universo debocha de nós e nos detona a todo instante, mas os intervalos e a pausa entre as detonações podem ser entremeados com coisas boas e é isso que vale a pena"

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Feliz Natal !

Bernard Shaw, o brilhante dramaturgo e frasista irlandês, disse certa vez que o melhor lugar para passar o Natal era um longínquo país oriental no qual a data não fosse comemorada. Concordo com ele e vou além porque fico raivoso em ver o povo bovinamente movendo-se nas ruas e shoppings estupidamente sem nem ao menos saber porque e transformando tarefas simples como ato de entrar num supermercado para apanhar nossa cerveja de cada dia num verdadeiro inferno. O Trânsito então nem se fala. E o que dizer das luzinhas chinesas, o chato do papai noel e a famigerada árvore de natal. Uma coisa sem sentido algum para mim e a histeria comercial? Afff!
Segundo um estudo ("Scroogenomics - Why You Shouldn't Buy Presents for the Holidays") da famosa escola de administração da Universidade da Pensilvânia, Para quem os recebe, nossos presentes valem apenas 53% ou seja 47% gasto com presentes são dinheiro jogado no lixo. O Psicalista Contardo Calligaris analisando o estudo, levanta questões interessantes:

... Por que oferecemos presentes de natal? Resposta óbvia: para produzir a maior satisfação possível no presenteado, para fazê-lo feliz. Talvez, mas vamos devagar. Por exemplo, é bem possível que a troca natalina de presentes seja sobre tudo um gigantesco "potlatch", como dizem os antropólogos, ou seja, uma maneira de torrarmos festivamente nossos recursos (dinheiro, bens e tempo) só para manifestar nossa riqueza (grande ou pequena) aos outros, ao céu e a nós mesmos. Além disso, cada um presenteia amigos e inimigos por razões que pouco têm a ver com a intenção de fazer o outro feliz. Há presentes pedagógicos e paternalistas (ofereço um vale-livros ao primo que não gosta de ler e uma camiseta P ao maridão que virou um boto), assim como há presentes que servem só para cumprir o protocolo ou para intimidar os presenteados (no estilo: "Este, meu caro, você nunca vai poder retribuir".)

... Quando alguém que amo (e que me ama) me oferece um presente, não espero receber aquele objeto que quero e procuro há tempo -claro, vou gostar de receber isso, e vai ser uma festa, mas, cá entre nós, esse tipo de coisa posso encontrar e comprar sozinho. De quem me ama, espero muito mais: espero receber algo que, até então, literalmente, eu não sabia que eu queria.
O verdadeiro presente é aquele que me revela meu próprio desejo.
 ...(continua)

Publicado originalmente em 24/12/2009 e de lá pra cá só piorou

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

2015 o ano Zika !

2015 é um ano para não esquecer mesmo !
1-Eduardo cunha é eleito presidente da Câmera com os votos do PSDB, PMDB, PPS e nanicos e decidiu afundar o país com pautas bombas e sabotando qualquer medida que venha do Governo.
2-Temos o pior congresso da história política brasileira em ação.
3-A Samarco, Vale e BHP, destruiu toda a bacia hidrográfica do rio doce e ninguém foi punido.
4-Presidente da CBF José Maria Marin é preso na suíça, mas aqui é gente boa que organiza o futebol.
5-Terroristas islâmicos decepam cabeças ao vivo no oriente médio.
6-Aqui, pessoas sem cabeça vão as ruas pedir golpe civil ou militar para depor Dilma.
7-Aedes aegypti ataca novamente, desta vez trazendo também a chicungunha (que rima com cunha).
8-Inexplicavelmente Dilma resolve adotar receituário neoliberal do PSDB com Joaquim Levy, que tira dos pobres e dá aos rentistas.
9-Aécio é citado pela 2ª vez na lava jato, mas fica por isso mesmo.
10-Wesley Safadão é a revelação “musical” do ano (Deus tenha misericórdia!)
11-Governador do Paraná Beto Richa mandou espancar os professores e a imprensa não viu nada.
12-Governador Alckmin de São Paulo, ordena o fechamento de escolas, alunos resistem e ele manda a policia militar espancá-los e a mídia sabuja não vê nada (na agressão a crianças) além do correto trabalho da puliça.
13-Auge da crise hídrica em São Paulo e Minas, mas o governador Alckmin ganha prémio de melhor gestor hídrico. (é sério!)
14-Dilma cede a chantagem e entrega vários ministérios aos chantagistas do PMDB, para evitar apoio o golpe via impeachment.
15-Incêndio devasta a Chapada Diamantina.
16- Incêndio destrói o Museu da Língua Portuguesa e parte da bela estação da Luz.
17-Em 37 rodadas nenhum pênalti é marcado contra o Corinthians.
18-Policiais executaram 19 pessoas na periferia de São Paulo.
19- Policia Militar do Rio de janeiro extermina Jovens, negros e pobres “por engano” e segue...
20- Corregedoria da Policia Militar de São Paulo recebe propina para acobertar policiais corruptos.
21- Morre o ex-vocalista do Stone Temple Pilots, Scott Weiland.
22- Presidente da Câmara envolvido em vários episódios de corrupção, tem a cabeça pedida pela PGR, mas ainda assim, desatou o impeachment de Dilma, apoiado pelos aliados PSDB e DEM que não aceitaram o resultado das eleições até hoje e seguem empurrando o país para o abismo.
23-Taxistas espancam motoristas do Uber.
24-Zika vírus chega trazendo surto de microcefalia já beirando os 3 mil casos.
25-Morre o genial cantor e compositor Júpiter Maçã.
... e olha que o ano não acabou ainda, heim?

Atualização em 12/02/2016 : Morreu o grande Lemmy no dia 28 de Dezembro e 12 dias depois David Bowie

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Cronologia dos golpes de estado no Brasil

Fui pesquisar por curiosidade a historiografia dos golpes de estado no Brasil e não encontrei nenhuma lista definitiva ou coisa parecida, mas escarafunchando por aí deu para encontrar mais de dez de caráter militar, parlamentar, misto etc, com apoio de parte da sociedade civil inclusive. 
Pode ser que tenha faltado algum, mas já dá pra ter uma ideia do desapreço brasileiro pela legalidade e inclinação para os casuísmos /” jeitinho”.  E no final fica sempre a pergunta; Torcer as regras por conveniência para golpear a legalidade não é também uma forma de corrupção?  Logo ela que sempre esteve no centro e entre os pretextos favoritos para os golpes por maior que possa ser esta contradição!?
Vamos a eles:

1º  Golpe
1840: Posse de Pedro II através de golpe parlamentar antecipando a maioridade de Pedro aos 14 anos para que ele pudesse assumir e que ficou conhecido como golpe da maioridade.

2º Golpe
1889:  D. Pedro 2º foi deposto pelos militares do Rio de Janeiro e banido do país com toda sua família e assume o marechal Deodoro da Fonseca.

3º Golpe
1891: Com a renúncia de Deodoro da Fonseca, assumiu o vice, Floriano Peixoto. A Constituição mandava que fossem realizadas novas eleições. Floriano ignorou a constituição governando com mão de ferro até 1894. Chamaram-no "Golpe do Marechal de Ferro".

4º Golpe
1930: Getúlio Vargas é derrotado na eleição presidencial e lidera uma revolta que termina na deposição do presidente Washington Luiz, pelos militares do Rio de Janeiro.

5º Golpe
1937: Getúlio Vargas fechou o Congresso, cm o apoio dos militares integralistas e suspendeu a eleição presidencial que marcara,  criando a ditadura do Estado Novo.

6º Golpe
1945: Os militares depuseram Getúlio Vargas, que convocara eleições para eleger seu sucessor. Elas deveriam ser realizadas em dezembro, mas Getúlio foi deposto em outubro e tomou posse o presidente do Supremo Tribunal Federal. 

7º Golpe
1955: O presidente era Café Filho que precisou se retirar por problemas cardíacos. Deixou em seu lugar o presidente da câmara Carlos Luz, que demitiu o ministro da Guerra, Henrique Lott, e em poucas horas foi deposto pelos militares. O Congresso então providenciou um impeachment para Carlos Luz e empossou o presidente do Senado, Nereu Ramos.

8º Golpe
1961: Jânio Quadros renuncia e os ministros militares não concordaram com a posse do vice-presidente João Goulart. Com o país à beira de uma guerra civil, em poucos dias o Congresso votou uma emenda parlamentarista, golpeando e mutilando os poderes do presidente Jango, que finalmente assumiu.

9º Golpe
1964: Insuflados por uma parcela da população, inicia-se uma revolta militar. O presidente Jango desiste do confronto e o presidente do Congresso declara vaga a presidência da República, extinguindo o mandato de João Goulart que teve que fugir para o Uruguai e assumiu então o Marechal Humberto Castelo Branco.

10º Golpe
1968: Chamado golpe dentro do golpe, o marechal Costa e Silva assume o poder e baixa o Ato Institucional nº 5, que fechou o Congresso e suspendeu as liberdades, mergulhando o país no mais tenebroso período da história recente onde floresceu a tortura e desaparecimentos de pessoas contrárias ao regime.

11º Golpe
1969: O Marechal Costa e Silva, sofreu um AVC e ficou incapacitado. Os três ministros militares então avisaram o vice Pedro Aleixo, que ele não assumiria e formaram uma Junta Militar para governar dando continuidade ao regime até 1985, quando houve a redemocratização do país.

12º ?!!  2015
Esboça-se e avizinha-se mais um jeitinho, um novo golpe encabeçado pelos políticos derrotados na eleição de 2014 em aliança, com a mídia partidarizada e oligarca que martela dia e noite a corrupção de um partido e santifica os demais, insuflando segmentos sociais insatisfeitos com o partido dos trabalhadores no poder pela 4º vez consecutiva eleito pelo voto popular. Para dar uma aparência de legalidade ao golpe estão sendo gestada e alimentada uma crise com o objetivo de jogar a população contra a presidente eleita e um artifício jurídico como sempre, para envernizar o golpe, que são as tais "pedaladas fiscais" que apesar de indesejáveis, são apenas jogadas contábeis praticadas desde sempre por todos os governantes, sem nunca ter sido objeto de querelas e muito menos indignação.

Se o golpe vai triunfar novamente depois do mais longo período de democracia da historia brasileira, ainda não sabemos, mas os tempos agora são outros, a nação está dividida e pode ser que a aventura acabe mal, em violência ou jogando o país na vala das republiquetas condenadas a viverem eternamente de golpe em golpe. A Conferir!

O fato é que a receita dos golpes quase sempre teve e tem os mesmos ingredientes: Insatisfação popular, um caso de corrupção bem escabroso amplificado e turbinado pela mídia familiar e seus interesses oligárquicos, autoridades, juízes, promotores e policiais alçados à categoria de semideuses, grupelhos facistóides insuflando a população contra o comunismo, cuba, a política, etc... e contra tudo-isso-que-está-aí, seja lá o que isso signifique. Sob esta mistura aplica-se o glacê golpista-parlamentar e/ou militar e enfeita-se a coisa com alguma cereja-jurídica de ocasião para dar uma tosca aparência de legalidade e está pronto mais um golpe contra a democracia, com o incondicional beneplácito da elite autocrática brasileira. 

Mesmo conservadores como o Jurista  Cláudio Lembo, admite que  agora na américa latina, o impeachment tornou-se uma versão light para golpes e uma alternativa menos sinistra do que o golpe militar, mas ainda sim GOLPE!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Ser ou não ser uma democracia !?


Agora não podemos mais nem falar que estamos parecendo o Paraguai porque já o ultrapassamos em matéria de absurdos políticos. Como pode um ladravaz, pego com a boca na botija com suas contas no exterior entre outras cositas, ser alçado à condição de acusador da presidenta Dilma  -que goste-se dela ou não-,  não tem contra si NENHUMA suspeita ou acusação de desonestidade?
Pesa contra ela ter ganhado a eleição com 51,64% dos votos totais, o que os adversários se negam a aceitar e desde então sabotam a governabilidade e empurram o país ladeira abaixo para voltarem ao poder como salvadores da pátria. Esta oposição canalha e golpista aliada à grande mídia partidarizada criou e alimentou a situação a que chegamos, que é ter um Calhorda chantagista ameaçando a democracia brasileira. Inacreditável!
Embora o STF tenha dado duas liminares sustando as iniciativas de impeachment pelas regras baixadas por Cunha, o ainda presidente da Câmara apertou um foda-se para o STF e assumiu os riscos que, para ele, já são nada agora sabendo que cedo ou tarde será liquidado. Sabe que só o golpe pode lhe dar uma sobrevida ao embaralhar tudo, o que também interessa a vários políticos com o rabo preso em todos os partidos. A confusão Interessa muito também ao PMDB, Michel Temer e Renan Calheiros & Cia... recentemente citados por Delcídio em gravação. Jogar no ventilador tonou-se conveniente para tirar essa turma toda do foco.
Cunha, antes louvado pelos Tucanos & Demos que o abandonaram quando caiu em desgraça, espera agora ser recompensado e acolhido novamente pela revoada tucana que embalada pelos avarandados sem noção, sonham em atirar o Brasil no abismo junto com a democracia. Nesta vendeta política e sanha golpista estão jogando o bebê junto com a agua suja da bacia, mas não estão nem aí, afinal os senhores de engenho e seus capitães do mato sempre fizeram isso e acham que está na hora de “repor as coisas” aos seus devidos lugares, porque esta coisa de acabar com a pobreza/fome já levou muito desconforto aos aquários sociais.
Dilma é inábil politicamente e aderiu ao credo neoliberal -programa de tucanos diga-se-, e por isso perdeu meu (nosso) apoio entusiástico mas não é por isso que vamos aceitar o desrespeito às regras do jogo e embarcar na aventura golpista de paralisar o país e inventar pretexto para depor quem foi legitimamente eleito. Para sermos uma democracia de prestígio mundial, precisamos abandonar o casuísmo e interromper a sequencia cíclica  de golpes civil, militar, híbridos, intercalados com pequenos espasmos democráticos, como tem sido a triste história política do nosso país e consolidarmos a democracia de fato. É isto que está realmente em jogo agora.

Publicado originalmente no Diário Da Manhã

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

SOBRE O FENÔMENO DOS TRABALHOS DE MERDA

Em 1930, John Maynard Keynes previu que até o final do século a tecnologia teria avançado o suficiente, para que países como a Grã-Bretanha ou os Estados Unidos implementassem a semana de trabalho de 15 horas. Existem muitas razões para acreditar que ele estava certo e no entanto isso não aconteceu. Ao contrário, a tecnologia foi sendo configurada de maneira a nos fazer trabalhar mais. No intuito de alcançar este objetivo, trabalhos efetivamente inúteis tiveram de ser criados. Exércitos de pessoas, na Europa e na América do Norte em particular, passaram vidas inteiras realizando tarefas que eles no fundo acreditavam serem desnecessárias. O dano moral e espiritual deste fato é profundo. É uma marca em nossa alma coletiva. No entanto, quase ninguém fala sobre isso.
Por que a utopia prometida por Keynes nunca se materializou? A resposta mais comum hoje é que ele não visualizou o aumento maciço do consumismo.Dada a escolha entre menos horas de trabalho ou mais brinquedos e prazeres, escolhemos os últimos. Isto pode parecer um bom conto moralista, mas um pouco de reflexão nos revela que não é bem assim. Sim, nós temos testemunhado a criação de uma variedade infinita de novos empregos e de novas indústrias desde os anos 20, mas muito poucas tem a ver com a produção e distribuição de sushi, iPhones ou tênis extravagantes.
Quais são esses novos postos de trabalho precisamente? Um relatório recente comparando o emprego nos Estados Unidos entre 1910 e 2000, nos dá uma boa ideia. No decorrer do último século, o número de “trabalhadores braçais” na indústria e no setor agrícola diminuiu drasticamente. Ao mesmo tempo, empregos como de gerentes, assistentes, vendedores e outros cresceram de um quarto para três quartos do emprego total. Em outras palavras, trabalhos produtivos foram largamente automatizados como previsto (ainda que você leve em consideração os trabalhadores da industria de maneira global, incluindo China e Índia, a porcentagem é muito menor do que costumava ser).
Mas em vez de permitir uma redução maciça da jornada de trabalho, para que a população mundial tivesse a oportunidade de correr atrás seus próprios projetos, prazeres, visões e ideias, temos visto um crescimento não só do setor de “serviços”, como do setor administrativo, incluindo a criação de novas indústrias como a de serviços financeiros ou telemarketing, ou a expansão sem precedentes de setores como direito corporativo, administração da saúde e acadêmica, recursos humanos e relações públicas. Esses números ainda não são suficientes para refletir esse contingente de pessoas cujo trabalho é prover apoio administrativo, técnico ou de segurança, pois existe toda uma cadeia de indústrias auxiliares (de petshops a pizzarias 24h) que só existem porque todo mundo está gastando muito tempo trabalhando nessa “nova” indústria.
Estes são os que proponho chamar de “empregos de merda.”
É como se alguém estivesse criando empregos inúteis apenas para nos manter trabalhando. Aqui precisamente reside o mistério. No capitalismo, isto é exatamente o que não deveria acontecer. Certamente foi o que aconteceu nos velhos e ineficientes estados socialistas da União Soviética, pois o emprego era considerado tanto um direito quanto um dever sagrado, onde o próprio sistema criou tantos empregos quanto considerava necessário (razão pela qual as lojas de departamento na União Soviética tinham até 3 funcionários para vender um pedaço de carne). Supostamente esse é um problema que a competição no mercado deveria corrigir. Pelo menos de acordo com a teoria econômica, a última coisa que uma empresa com fins lucrativos deveria fazer seria gastar dinheiro com trabalhadores que elas não precisam empregar. Ainda assim, de alguma forma isso acontece.
Se por um lado as corporações podem, de tempos em tempos, diminuir de tamanho drasticamente, os cortes e demissões normalmente recaem sobre aqueles que estão efetivamente se mexendo, ajustando, pensando e fazendo o negócio girar; através de uma estranha alquimia que ninguém pode explicar, o número de burocratas assalariados está se expandindo e um número cada vez maior de empregados encontra-se, não como os trabalhadores da União Soviética é claro, trabalhando 40 ou 50 horas por semana, mas efetivamente 15 horas como Keynes havia previsto, desde que passem o resto da semana assistindo, organizando e participando de seminários motivacionais, atualizando seus perfis no Facebook, ou fazendo downloads de séries.
A resposta claramente não é econômica: é moral e política. A classe dominante descobriu que uma população feliz, produtiva e com tempo livre disponível é um perigo mortal (pense no que ocorreu quando esse sonho se tornou possível nos anos 60). Por outro lado, o sentimento de que o trabalho é um valor moral em si, e de que qualquer um que não esteja disposto a se submeter a uma intensa disciplina de trabalho não merece nada, é extremamente conveniente.
Observando o crescimento aparentemente interminável das responsabilidades administrativas dos departamentos acadêmicos ingleses, eu tive uma possível visão do inferno. O inferno é um conjunto de indivíduos, que estão gastando a maior parte de seu tempo trabalhando em uma tarefa que eles não gostam e não são bons nela. Digamos que eles foram contratados porque eram excelentes marceneiros, mas depois chegaram a conclusão de que na verdade boa parte deles deveria passar a maior parte do tempo fritando peixe. O empregados então se tornam obcecados e ressentidos ao pensar que alguns de seus colegas de trabalho possam estar gastando mais tempo fazendo armários e não compartilhando a justa responsabilidade de fritar peixes. Em pouco tempo, pilhas de peixe frito ruim se acumulam e isso é tudo o que eles realmente fazem.
Todos os argumentos que eu venha a usar vão suscitar imediatamente as seguintes objeções: “quem é você para dizer quais trabalhos são realmente ‘necessários”? O que é ‘necessário’ afinal? Você é um professor de antropologia, qual a ‘necessidade’ disso?” (leitores de tabloides certamente caracterizariam o meu trabalho como a definição de desperdício de gastos sociais). Em algum nível, isso obviamente é verdade. Não deve existir nenhuma métrica objetiva de valor social.
Eu não me atreveria a convencer alguém, que acredita que está fazendo uma contribuição importante para o mundo, do contrário. Sobre as pessoas que estão convencidas de que seus trabalhos não fazem sentido, o que podemos dizer? Não faz muito tempo eu voltei a ter contato com um amigo do colégio que eu não via desde os doze anos. Fiquei encantado em descobrir que nesse tempo ele se tornou um grande poeta e vocalista de uma banda de indie rock. Eu já tinha ouvido algumas de suas músicas no rádio sem saber que eu o conhecia. Ele era obviamente brilhante, inovador, e seu trabalho tinha sem dúvida iluminado e melhorado a vida de muitas pessoas. No entanto, depois de dois álbuns que não tiveram sucesso ele perdeu o contrato. Atormentado com dívidas e um filho recém-nascido, acabou “escolhendo a opção de muitos que não sabem o que fazer da vida: direito”. Agora ele é um advogado corporativo que trabalha em uma firma proeminente em Nova Iorque. Ele admitiu que seu trabalho é totalmente sem sentido, que não contribui em nada para o mundo e em sua própria avaliação não deveria existir.
Existem muitas questões que poderíamos fazer, por exemplo: o que dizer de uma sociedade que parece ter uma demanda extremamente limitada por músicos-poetas, mas aparentemente uma demanda infinita por especialistas em leis corporativas? (Resposta: se 1% da população controla a maior parte da riqueza disponível, o que nós chamamos de “mercado” reflete o que eles acham útil ou importante, não qualquer outra pessoa). Isso mostra, que a maioria das pessoas que ocupam esses cargos, estão em última análise cientes disso. De fato, eu não me lembro de ter conhecido um advogado corporativo que não considere seu trabalho um trabalho de merda. O mesmo vale para quase todas as novas indústrias citadas acima. Existe toda uma classe de assalariados que você irá encontrar em festas. Diga que você faz um trabalho interessante (um antropólogo por exemplo). Eles vão evitar em falar sobre seus próprios trabalhos. Ofereça alguns drinks e em pouco tempo eles farão discursos sobre como seus trabalhos são estúpidos e inúteis.
Temos aqui uma violência psicológica profunda. Como alguém pode sequer começar a falar sobre dignidade no trabalho quando se pensa que o emprego do outro não deveria existir? Como isso pode não criar uma profunda sensação de raiva e ressentimento? No entanto, essa é a genialidade um tanto peculiar da nossa sociedade, onde os que ditam as regras descobriram uma maneira, no caso dos fritadores de peixe, de se certificarem de que essa raiva fosse direcionada diretamente para aqueles que fazem o trabalho que importa. Por exemplo: em nossa sociedade parece existir uma regra geral onde quanto mais o seu trabalho beneficia outras pessoas, menos remuneração você receberá. De novo, uma medida objetiva é difícil de encontrar, mas para entender basta perguntar: o que aconteceria se toda essa classe de pessoas simplesmente desaparecesse? Diga o que quiser sobre enfermeiras, catadores de lixo, mecânicos, mas se eles desaparecessem do nada, os resultados seriam imediatamente catastróficos. Um mundo sem professores ou estivadores estaria em apuros, e mesmo um mundo sem escritores de ficção científica ou sem músicos de skaseria certamente um mundo pior. Não está exatamente claro que tipo de problema a sociedade teria se todos os CEOs, lobistas, pesquisadores de relações públicas, atuários, operadores de telemarketing, oficiais de justiça ou consultores jurídicos desaparecessem. (Muitos suspeitam que poderia melhorar muito). Tirando alguma exceções (como por exemplo médicos), a regra parece fazer sentido.
De maneira ainda mais perversa, parece existir um consenso de que é assim que as coisas devem ser. Esse é um dos pontos fortes do populismo de direita. Perceba como os tabloides mostram os dentes quando funcionários do metrô param Londres por conta de negociações salariais: eles param Londres porque seu ofícios são necessários, mas isso parece incomodar as pessoas. Isto é ainda mais claro nos Estados Unidos, onde os Republicanos tiveram sucesso notável na tarefa de mobilizar o ressentimento contra os professores, trabalhadores da indústria automobilística (mas não contra os administradores das escolas ou gerentes das indústrias automobilísticas, que de fato parecem ser a fonte dos problemas) por causa de seus salários e benefícios supostamente elevados. Como se eles estivessem dizendo “mas vocês são professores! Ou fazem carros! Precisam arrumar empregos de verdade! Vocês esperam aposentadoria e planos de saúde de classe média?”
Se alguém tivesse inventado um regime de trabalho perfeitamente adequado à manutenção do poder do capital financeiro, dificilmente conseguiria obter um maior êxito. Os trabalhadores “reais” e produtivos são implacavelmente explorados. O restante está dividido entre uma porção aterrorizada (universalmente demonizada) de desempregados e uma outra que é basicamente paga para não fazer nada, em postos de trabalho criados para a identificação com as perspectivas e sensibilidades da classe dominante (gerentes, administradores, etc) — e particularmente com seus avatares financeiros — mas, ao mesmo tempo, promovem um ressentimento feroz contra aqueles que realizam um trabalho que tem inegavelmente um valor social. Obviamente, o sistema nunca foi conscientemente construído. Ele emergiu de quase um século de tentativa e erro, mas é a única explicação que encontrei, pela qual a despeito de nossas capacidades tecnológicas, nós não estamos trabalhado 3 ou 4 horas por dia.
David Graeber é professor de antropologia da London School of Economics.

Tradução livre de Ivan LP. Artigo publicado originalmente na revista Strike.

Publicado originalmente em https://medium.com/@vertigens/sobre-o-fen%C3%B4meno-dos-trabalhos-de-merda-3dc505ef1d01#.w6cvmjgln