quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Nomadismo

...foi então que lá pelo terceiro macieira, tive um estalo e comecei a lembrar dos diferentes lugares que morei: Jataí-Go (onde nasci), Rio Verde-GO, Goiânia-GO, Arujá-SP, Ferraz-SP, São Paulo; São Miguel, Penha,  Tatuapé, Vila Diva, CECAP (Guarulhos-SP),  Vila Mariana, Santana, Centro (copan), Vila Diva, Santana, Bela Vista, Vila mariana, Centro (baixo augusta), Paraíso, Centro (Copan novamente), Higienópolis, (Belo Horizonte-MG), São Paulo novamente; Pinheiros, Vila Madalena, Imirim, Aclimação, Santa Efigênia, Aclimação novamente, Richmond-CA (USA), Novato-CA (USA), San Rafael CA (USA), San Francisco CA (USA), Santa Efigênia (Luz), Saúde, Centro (prox Pça Roosevelt), Santa Cecília, Barra Funda, Mirandópolis e República.

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

30 anos sem Stevie Ray Vaughan


Hoje faz 30 anos da morte trágica de um dos maiores guitarristas que o blues e o rock já conheceu, Stevie Ray Vaughan. Eu me lembro até hoje a primeira vez que ouvi. Foi nos anos 80 eu estava em Belo Horizonte a trabalho num hotel e um amigo me apresentou Double Trouble - Texas Flood e eu fiquei bestificado e com vergonha de ainda não conhecer... No fim de semana seguinte já comprei tudo que encontrei... São os vinis que mais tenho zelo até hoje. Acho que todo mundo que não é surdo deve se emocionar com aquela pegada matadora e pela mistura de blues com rock... senão eu já fico desconfiado da pessoa rs... e já não convido mais pra ir em casa rs,rs... Parece que foi ontem que ele se foi, mas já se vão 30 anos que o helicóptero em que estava se acidentou levando precocemente um dos mais geniais e criativos guitarristas de todos os tempos.

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Vitrola

Depois de muitos, muitos anos sem bolir com os vinis resolvi reformar uma das pick-ups, mas não gostei muito do som inicialmente e também senti uma preguiça danada de tirar os discos da capa, limpar e ouvir duas faixas e depois guardar e pegar outro...  Também fiquei meio nostálgico e emocionado porque parecia um rewind no tempo o que é sempre dolorido...  Até quase vi o Júlio Rivera em carne e osso quando peguei um álbum do Santana e vi rabiscos no encarte e número de telefone..., quase me teletransportei para as tardes do Copan e da Rua Sergipe nos anos 80. Senti um sacudir nas gavetas da memória enquanto lembrava da espera na porta do Mappin, museu do disco ou da musical discos pra comprar os lançamentos...

Já fazia uns 3 meses desde o conserto da pick-up e depois do teste, que nunca mais tinha usado por preguiça e então a Bruna pareceu em casa ontem e ela que parece ter nascido nos anos 60 -apesar dos seus 17 anos-, ficou toda eufórica com a novidade e já começou a tocar todos que pôde e foi bem bacana aquele momento de animação.

Penso que o certo seria eu desapegar e doar todos (mais de 200 vinís de uma vida inteira) pra ela que tanto gosta, mas ainda estou com grande apego pois fazem parte dos meus bens posicionais e a minha história de vida, porém acho que não vou mais conseguir fazer o caminho de volta do youtube para as prateleiras de vinis.

Acho que vou ligar para o meu analista.






quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Os iluminados e Torquemadas da era digital

Olha..., não tá facil pra ninguém, mas esse povo do “cancelamento” está cada dia mais bizarro. Agora resolveram linchar a Lilia Schwarcz, a Maria Rita Kehl, o Wilson Gomes... e o cancelamento tem um aspecto curioso que -independente do mérito das questões-, é ser o oposto do debate tão mais necessário para não cair em tentações inquisitoriais. O argumento normalmente se ancora no badalado "lugar de fala"

Dia desses vi em algum lugar, uma dessas celebridades fiscais do fiofó alheio, falando que pediu pitú ou lagostim num quiosque chique e os bichos vieram inteiros... “tipo animal mesmo sabe!?” assim com "o rabo e os olhos" e aí ela já começou a chorar... Disse que adorava os decápodes, mas só os havia consumido em patê ou em cubos e que nunca tinha visto nada brutal "daquele jeito

Devia ser assim algo sugestivo de que os crustáceos dão em árvore tipo Pé-de-lagostim, né!? Achei muito fofa essa ideia.

Bem, esse é o tipo de gente que atualmente diz reciclar tudo (até papel higiênico), são os novos arautos da pureza eco-epistêmica e que engordam o exército dos corretos, encorpam a cultura do cancelamento nas redes, das patrulhas do politicamente ok e bizarrices como usar uma camiseta com a frase “eu apoio a causa animal” enquanto saboreiam seu patê de Pitú supostamente vegetal, pensando no próximo “ogro carnícula” ou intelectual “inconveniente” que vão cancelar.
 
Dificil arranjar paciência para o lero-lero dessa gente fofa que diz fazer a própria pasta de dente e desodorante em casa..., que usam o creme antirugas mais caro das divisões eco-ok, das gigantes multinacionais dos cométicos (sem saber, claro), mas propagam que o dentifrício e desodorante da mesma companhia é cancerígeno. Deslocam-se em carrões ultra sofisticados, viajam sob turbinas rolls royce, mas escovam dente com pasta de carvão e borrifam acido cítrico nas axililas, porque só eles sabem o que ninguém mais sabe. Ai meu Deus do céu!

E pode notar que todo fiscalzinho do c... alheio, faz discursinho fofo nas redes, mas deixa a roupa suja para a mãe botar na máquina, estender/recolher, a pia entulhada de louça para alguém lidar e pegam auxilio pandemia para gastar com gasolina. São enfim uns bostas.

Ando com o saco cheio desses tipinhos todos; Patrulhadores das palavras alheias, do cú alheio, das risadas, do útero, do lixo alheio, do pensamento, da comida, etc, etc... sempre escudando em alguma “sacralidade” para lacrar.
 
...e como os ungidos tem muito tempo e energia para caçar "heresias" tem também agora o cancelamento de estátuas, monumentos e personalidades do passado sem contextualizar o período em que viveram e principalmente sem debate.

E aí de você se cuspir um chiclete mascado na lata de lixo de cor errada. Será cancelado também

Eita povinho custoso e duro de aguentar, viu !?
 
Agora topei com um artigo do Christan Dunker sobre os cancelantes que quase lacrou também rs,rs. Para ler a matéria desse grande pensador, Clique aqui.
 
Enfim, não seja aquela pessoa que leva as outras a odiar a sua pauta ou o seu candidato. A sua vontade de encher o saco dos outros ou o seu fervor, não deve ser maior do que sua causa senão fica improdutivo e/ou até obtém efeito contrário.

domingo, 2 de agosto de 2020

A Vacina da Rússia


Segundo agências de notícias russas, o país poderá ser o primeiro a iniciar uma campanha de imunização da população. Ainda há poucas informações divulgadas sobre a vacina e sua eficácia. O ministro da Saúde russo, Mikhail Murashko, declarou que o Centro Nacional de Pesquisa para Epidemiologia e Microbiologia Gamalei terminou os testes clínicos e está se preparando para começar a campanha de vacinação em outubro

Organizações científicas internacionais criticam a rapidez com que a Rússia está anunciando resultados. Há o temor de que influências políticas estejam sendo colocadas à frente da saúde da população, ponderou o jornal norte-americano "The New York Times". Na Rússia, a notícia foi anunciada como vitória política. O chefe do Fundo Russo de Investimento Direto, Kirill Dmitriev, associou o desenvolvimento da vacina, que usa adenovírus como base, ao lançamento do Sputinik 1 pela União Soviética, que foi o primeiro satélite a ser colocado em órbita, em 1957, e surpreendeu o mundo que subestimava as capacidades dos russos e esse acontecimento da ciência russa, além de marco histórico, iniciou a corrida espacial.

Para os críticos da vacina é bom lembrar as palavras de um russólogo citado por Fernando Morais: “A Rússia herdou da União Soviética o maior centro de pesquisas de guerra biológica do mundo, o Instituto Vector. Eles temiam ataques biológicos desde os anos 1920, ao final da Revolução, e começaram a pesquisar antídotos. No tempo da Guerra Fria isso cresceu, perdeu um pouco a importância depois do fim da URSS, mas a Rússia não descartou suas pesquisas e cepas biológicas. Eles têm culturas preservadas até de doenças erradicadas. Ao chegar ao poder, Putin voltou a investir no centro de pesquisas Vector, que hoje é o maior do mundo. Se há um lugar capaz de descobrir uma vacina rapidamente, é lá, pois esta é a função dos cientistas especializados que trabalham no Instituto Vector. Como se trata de uma instalação militar, dificilmente irão divulgar dados da pesquisa, mas pela experiência deles, jogo minhas fichas lá.”

quinta-feira, 11 de junho de 2020

O Novo Normal

Muito ja se falou sobre a expressão “novo normal” que tem sido objeto de debates constantes, mas como encontrei (virtualmente) uma amiga anteontem que desconhecia o novo termo e estava toda serelepe esperando pela volta da “normalidade”, achei oportuno lembrar que a normalidade tal como conhecíamos talvez não volte tão cedo ou nunca mais...  Pelo menos até a descoberta de uma vacina e sua completa cobertura vacinal a nível mundial o novo normal vai imperar.

Devido as características de roleta russa do novo corona vírus e a descoberta de outros 472 irmãos deles hospedados em mamíferos e prontinhos para dar o tal “salto” entre espécies a vida daqui para a frente será bem diferente do que foi.

Entender isso e se preparar para o “novo normal” desde já poderá evitar muitas frustrações e depressão, pois muita coisa já mudou e vai mudar nas relações que serão mais esparsas, raras, distantes, com poucos ou nenhum evento, aglomerações, muitos parceiros, Jogos, shows, bares, hábitos de consumo... e principalmente o mundo será mais virtualizado/digital em todas as áreas.

Portanto ficar esperando a normalização da vida, pode ser uma espécie de autoengano que pode sair caro em termos de perda de tempo e frustração.

Segundo especialistas, o “Novo Normal” que é uma expressão cunhada por Mohamed El-Erian para caracterizar o fato novo, esta crise não é como as que vivemos nas últimas décadas, com repercussões basicamente cíclicas, mas uma crise que está provocando uma ruptura estrutural: quando ela passar e as coisas voltarem ao normal, esse não vai ser o mesmo normal de antes. Não reconhecer isso é arriscar a surpresa de se planejar para a volta do normal anterior e se descobrir numa realidade bem diferente.

Todo o cenário atual decorrente da pandemia está causando um redesenho do futuro da educação, da saúde, da gestão, da economia, da política, das relações pessoais, internacionais, nacionais e regionais. Por outro lado, se sairmos dessa crise simplesmente apenas mais resilientes, como muitos desejam, estaremos assumindo nossa incapacidade de mudar, aprender e colocar em prática o que se discute há anos em termos de inovação, colaboração, compartilhamento e sustentabilidade e colocando a vida em risco permanente por desinteligência. Precisamos aceitar o novo normal em curso e temos a obrigação de sairmos dessa pandemia melhores.”

Para saber mais clique aqui

domingo, 24 de maio de 2020

A carta da esposa de Aldous Huxley após injetar LSD no marido em seu leito de morte

 Não resisti e copiei/colei da Hypeness

O escritor inglês Aldous Huxley não foi somente um desbravador da literatura, mas também da consciência humana. Autor de clássicos imortais como Admiravel Mundo Novo e As Portas da Percepção, Huxley explorou o uso de alucinógenos como a mescalina, o LSD e outros psicodélicos a fim de expandir a consciência e descobrir, através da abertura justo das portas da percepção, novos horizontes do pensamento humano. A experiência com drogas psicodélicas foi tão importante para Huxley, que o autor planejou deixar a vida em uma viagem de LSD – e, com a ajuda de sua mulher, assim o fez.

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Laura e Aldous Huxley

Aldou Huxley morreu em novembro de 1963 – curiosamente no mesmo dia em que o presidente dos EUA John Kennedy foi assassinado – depois de três anos de luta contra um câncer e, após o diagnóstico derradeiro de um médico, horas antes de sua morte, conforme seu pedido, sua mulher, Laura, lhe injetou diversas doses de LSD. Em uma impressionante carta endereçada ao irmão de Huxley, Laura conta em detalhes como se deu a morte de um dos grandes autores do século XX, sob o efeito do ácido.

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O jovem Huxley

“Eu fui avisada de que pela manhã ele poderia ter convulsões perturbadoras, próximo ao fim, ou algum tipo de contração pulmonar, com ruídos. As pessoas tentaram me preparar para reações físicas horríveis que ocorreriam. Nada disso aconteceu, na realidade o cessar da respiração não foi em nada dramático, pois aconteceu tão lentamente, tão gentilmente, como uma peça musical simplesmente encerrando em um sempre piu piano dolcement”, ela escreveu. “As cinco pessoas presentes na sala disseram que foi a mais serena e bonita morte. Ambos os médicos e a enfermeira disseram jamais ter visto alguém em tais condições físicas ir embora tão completamente sem dor ou sofrimento”, escreveu Laura Huxley.

Mais adiante, na carta, ela descreve o último momento em que Aldous reagiu às suas palavras, no qual ela passou a incentiva-lo que deixasse a vida com calma e sem dor. “‘Vá, vá, deixe ir, querido; pra frente e adiante. Vá na direção da luz. Por vontade própria e consciente você está indo, e está indo de forma linda. Está fazendo isso com tanta beleza – indo na direção de um amor maior. É tão gracioso e lindo. Leve e livre. Você está indo na direção de algo melhor, de um amor maior’, eu disse a ele, bem perto de seu ouvido. Então perguntei se ele estava me ouvindo, e ele apertou a minha mão. Algum tempo depois ele me pediu que não mais fizesse perguntas, que estava tudo bem”.

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Por fim, ela comenta sobre a sensação que pairou sobre todos, de que havia sido uma morte especialmente tranquila e bonita. “Nunca saberemos se tudo isso foi uma autossugestão nossa, ou se foi real, mas certamente todos os sinais e nossos sentimentos internos deram a indicação de que foi lindo, pacífico e leve”.

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Aldous Huxley morreu aos 69 anos em sua casa, em Los Angeles, da forma que quis – o que parece ser realmente uma saída bonita para a própria vida. A carta na integra, em inglês, está nesse link – e pode ser ouvida, também em inglês, no vídeo abaixo, lida pela própria Laura.


terça-feira, 19 de maio de 2020

a desumanidade da ganância sem limites


Desumano o não reconhecimento de vacina que nem foi descoberta ainda como um "bem público mundial para a saúde" como propõe a OMS. O governo americano, rejeitou a ideia. Quer garantir às farmacêuticas os lucros ilimitados para os desenvolvedores, mesmo que milhares morram como moscas nos países que não puderem pagar... e segue o baile.

Poderia ser uma boa oportunidade para todos os seres refletirem e exigir e mudanças na selvageria do capitalismo vigente no mundo que está destruindo o planeta e colocando em risco nossa própria existência a médio prazo.

Além da insustentabilidade do capitalismo mundial tal como está, há ainda neste caso um gritante exemplo de injustiça, ausência de empatia e reafirmação da brutal desigualdade com pretextos irracionais como regulação de patentes e outras baboseiras, tudo para justificar a ganância sem fim de uma minoria poderosa no planeta que ao fim poderá levar tudo e todos à extinção.

Veja a reportagem de Jamil Chade sobre esse absurdo aqui.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Como em 1964 !?


A história se repetindo...
Novamente, empresários, banqueiros com apoio dos idiotas/perversos e militares de pijama, pressionaram o presidente da câmara e do senado nos bastidores a contemporizarem com a política de extermínio social via peste e/ou privação em curso, comandada por Guedes que em tese perpetuaria os lucros dessa galera altruísta, ainda que milhares pereçam.


A ideia central é romper a política de isolamento social e fazer a economia andar que na visão desse pessoal é o que importa e é o que garantiria a continuidade deles no poder, do contrário viria o caos... bla,bla,bla...

Segundo essa turma, se deixarem o Guedes trabalhar o Brasil seria o único país do globo que driblaria a recessão mundial que se avizinha (provavelmente por ação divina).
Apesar do absurdo plano genocida, vê-se que Maia voltou a namorar o Boçal, Alcolumbre se recolheu, o toma lá dá cá desabrido entrou na ordem do dia, o velho Mourão colocou as asinhas pra fora novamente espalhando o terror em artigo no estadão, parte da mídia fechou com a turma de genocidas e se o ministro da saúde não colaborar, a ideia é forçar a demissão e colocar mais um militar na cadeira.

Assim estaria pavimentado de vez o caminho da pizza-autocrata metade verde oliva e metade civil miliciana narco-evangélica, para manter as aparências de democracia. Tudo isso claro, com o apoio incondicional de 30% de insanos irrecuperáveis que querem ver o país livre do cumunismo (sic). Resta saber o que farão os governadores não alinhados e o que pensam os demais 70% da população.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Divagações em tempos de covid 19



Nesses dias de Covid-19 tem sido inevitável pensar na morte e no que se fez da vida... e aqui na solidão desse apartamento não avarandado onde só enxergo paredes, fiquei pensando em tudo que armazeno aqui e que para além de serem meus bens posicionais, são as coisas que juntei pela vida a fora... e fiquei pensando se eu morresse hoje o que seria disso tudo e será que alguém iria aproveitar “meus tesouros...”?

Será que alguém iria ver o que tem nos meus Hd´s ou simplesmente formatariam para dar novo uso? E aquele resfriador de nitrogênio para processadores ultrarápidos? Alguém saberia do que se trata ou colocaria no lixo como sucata? E os discos, livros que são parte de mim, fotografias que são fiapos de vida que me conectam com diversas significações, assim como meus filmes eróticos, anotações, revistas, cartas (sim sou desse tempo), escritos variados e por aí vai!? Que fim teriam?  O que é a vida e o que realmente vale?  E a aquela minha caixa que tem todos os tipos de cabos e conexões, conversores, placas, adaptadores, ferramentas, memórias, coolers, multímetros, fontes e tudo que é coisa que eu talvez possa precisar numa madrugada insone caso alguma coisa quebre ou colapse? E o que seria da minha incrível caixa de remédios salvadora que o Miró uma vez apelidou de caixa mágica? Redes sociais sem senhas, contas bancárias, roupas, chocolates e  outras guloseimas escondidas de mim mesmo, planos para o futuro, pensamentos obscuros, coisa por fazer, garrafas por terminar como aquele Hennessy escondido na gavetas de cuecas!? E aquele plano de ir numa casa de swing sempre adiado? Só agora notei como a morte  é desrespeitosa!  Não tem um pingo de consideração...!? ...e nem fiz a transiberiana ainda, pô!

Olhei para para o lado e a Tv não para de falar dos até então invisíveis 30 milhões de pessoas esquecidas em habitações precárias sem agua e esgoto que juntamente com as centenas e milhares de pessoas que vivem nas ruas.. e que agora poderão contaminar e matar os bem-nascidos ou quem sabe até ocupar leitos hospitalares salvadores que poderiam ser destinados a gente de bem(?). Pensei na ironia e na tal lei do retorno ao ouvir isso. Subitamente descobrimos agora que eles existem e passaram a ser objeto de preocupação geral, quem diria!? 
Nessas paranoias e divagações senti uns calafrios de imaginar que caso aconteça algo comigo e resolvam me enterrar Brrrr...!  Tenho pavor disso (tenho falta de ar). Preferiria ser cremado e poderiam distribuir minhas cinzas em quatro lugares: 1- Edifício Copan, 2- o número 102 da Rua Sergipe em Higienópolis, 3-numa praia do litoral norte que pode ser Bonete, praia do alto, Mococa, Felix, e 4- no pé de jatobá a poucos metros da casa onde nasci e cresci e por favor não permitam que nenhum familiar ou amigo pietista promova arenga religiosa e nem choradeira pois tenho vivido uma vida boa -depois que me afastei de religião-, até aqui. Prefiro celebração, música boa, alegria, fotos, boas lembranças, muita caipirinha e torresmo.  

Deitado olhando para o teto  no modo retrospectiva  eu não acho que mudei muito ao longo da vida...  fui apenas sublinhando e negritando o meu sentido de existência sem nunca dar nenhum cavalo de pau e virar outra pessoa como um amigo mais velho da adolescência que me mostrou Pink Floyd, Gênesis, etc e me deu um livro do psicanalista Erick From e outro do Sartre e que foram a centelha para eu me descobrir, quando eu ainda tinha uns 15 anos e sem saber quem eu era direito...  Bom, esse cabra eu reencontrei uns 20 anos depois acidentalmente e a primeira frase que ele falou não foi olá como tem passado, nem algo do tipo sabe, ele simplesmente como todo fundamentalista descerebrado atirou a queima roupa; “Como está sua vida com Deus?” e eu fiquei paralisado sem saber se era uma piada, mas logo percebi que não. O cara tinha virado um intrépido religioso e bolsomínion para minha estupefação. Sem assunto, indaguei sobre sua antiga discoteca com Lp´s progressivos dos anos 70 e ele mudou de assunto e depois eu soube que ele havia quebrado todos numa época que se acreditava que tocados de trás pra frente, os discos de rock conteriam mensagens satânicas segundo a crença patética, com perdão do pleonasmo.

Como é de conhecimento geral Tenho verdadeiro horror à religião (inclusive as que disfarçam/negam que são religiões), a partir da minha vivência e do que ainda hoje vejo ao meu redor a todo instante, mas não faço mais disso um cavalo de batalha, nem perdi minha espiritualidade no sentido de acreditar em uma possibilidade de transcendência, mas sem aderir a nenhum credo disponível nas prateleiras dos hipermercados da fé. É mais uma espécie de reverência aos mistérios insondáveis da vida e seus porquês. Diferentemente do que preconiza o Dawkins e de certa forma também o Christopher Hitchens, modestamente reconheço que há mistérios. 

Até vejo poesia e coisas pontuais interessantes e bacana nos livros religiosos como a Bíblia que é como outro livro qualquer que fica na prateleira de livros, e claro como todo ocidental me simpatizo mais com ela do que com os escritos corânicos, budistas, hinduistas etc.  Tenho muita simpatia pela parte do Jesus histórico, mas verdadeira ojeriza de seus explicadores calvinistas e quejandos. Já aquela parte abraâmica eu não curto muito não. Há também outros quase seis mil mitos de criação mais  -digamos-, divertidos por aí e assim não vejo porque esse monoteismo todo muito chato e exclusivista e que malucos por toda lugar teimam em levar a sério.

Falando nisso, o que tenho visto de conhecidos/amigos cristãos migrando para o Budismo ultimamente é uma enormidade e eu brinco com eles que só trocaram de droga, mas o vício permanece...  Aliás no budismo parecem que ficaram ainda muito mais cegos e fanáticos...  Não entendo!  Converso muito com eles e me parece uma coisa assim bem amalucada e ainda estou por entender o motivo dessa reconversão e suspeito que o budismo por não trabalhar com a "culpa" ele entrega mais por menos. um melhor  custo/benefício talvez. Ainda vejo o taoísmo com mais interesse para assuntos de boteco.

Toda religião claro, é nociva ao desenvolvimento humano sem dúvida, mas mais chato que religião só mesmo seus seguidores com destaque para  os religiosos cristãos e seus argumentos malabares que podem ir de  Karl Barth até Malafaia rs,rs,rs... dependendo da necessidade que é o que define o sofisticação do verniz a ser aplicado sob a pintura.  Dia desses por exemplo, me chegou um texto tão rebuscado e tão erudito para me reconvencer da fé cristã, que logo ví que me superestimaram, afinal não sou um conhecedor profundo do pensamento de Kant, Kierkegaard, Wittgenstein, Paul Tillich etc, e sem isso ficaria muito difícil a compreensão e alcance da mensagem, dadas as idiossincrasias envolvidas para aceitação da proposta redentora que culminaria com a assumpção de uma tonelada de culpa e claro, o pagamento em energia, medo do inferno e também o dízimo, porque ninguém é de ferro.  Neste ponto aliás, o bispo Edir Macedo e seus rivais tem sido bem mais bem-sucedidos porque não gastam tempo com firulas, mas essa já é outra conversa que ficaria melhor e mais produtiva com a presença de Bertrand Russell e algumas  camisas de força, quem sabe!?

Atribuo sem dúvida alguma à religião todas as desgraças da humanidade ao longo da história e que continua ainda hoje. Não me animo de jeito nenhum com aquela conversinha conciliadora (para boi dormir), de sumidades como Marcelo Gleiser passando pano para a religião, dizendo que houveram contribuições... variadas como monges que manipularam ervilhas e deram origem a genética ou porque a religião nos deu Michelangelo bla, bla, bla...!  No final das contas, se com religião e seus horrores a humanidade conseguiu tantos avanços, imagine sem ela?  Provavelmente já teríamos colonizado encéladus e vencido a morte ou pelo menos adiado em muito.

Tento aproveitar a dádiva da vida como posso e se possível avançar um tiquinho e superar limitações com a ajuda da psicanálise, a arte e sobretudo à ciência a quem aliás credito todos os avanços da humanidade desde que descemos das arvores no pleistoceno há três milhões de anos.

Assim pensando me veio aqui dos meus botões um pensamento que pode advir disso tudo, um certo pânico que sempre tenho de voltar à cidade natal (Jataí), cidade onde nasci e vivi até os 17 e remexer nas gavetas da memória e encontrar com meus demônios adormecidos que sempre acordam enfurecidos e também de falar com pessoas do passado ou gente que aparece como fantasmas pretéritos com aquela prosa ruim, pegajosa típicas de figuras tenebrosas e inquisitoriais que paralisaram no tempo, mas ironicamente  são também susceptíveis ao novo corona vírus, embora se julguem protegidas e cujas mortes sempre ganham manchetes por paradoxais.

Nestes dias é quase impossível não lembrar do filme  "O sacrifício" de Tarkovsky com aquele clima apreensivo de merda, espera, medo, fatalismo, impotência e raiva sobretudo.

Bem, acho que está na hora de dar uma atenção para o zé, que não para de miar, abrir um vinho e ler alguma coisa leve como "Variações sobre a vida e a morte"  (Rubem Alves) para acalmar o espírito, ao som de Layle Mays, Toninho Horta... e esperar que essa peste não me leve e nem leve ninguém querido ou distante o que parece difícil, dada às circunstâncias locais Boçalnáricas e mundiais que nos legaram essa praga anunciada e prevista pelos microbiologistas que nunca foram ouvidos pelo Capital.