terça-feira, 14 de outubro de 2014

É a economia, estúpido!

Há muito ruido e pouca reflexão em torno da eleição presidencial, mas se deixarmos o clima o Fla x Flu de lado, e pensarmos que país queremos, veremos que está faltando discussão sobre a educação e economia no lugar de proselitismo barato tipo "redução da maioridade penal, etc"  
Alguma racionalidade acerca da política econômica dos candidatos, pode ajudar a entender o bê-á-bá do bastante tergiversado tema do crescimento econômico conforme ensina Bresser Pereira um dos fundadores do PSDB em entrevista recente.
Para ele, os grandes nós da economia como a depreciação cambial, não estão próximos de serem desatados, qualquer que seja o presidente eleito, porque os técnicos-economistas brasileiros não conseguem compreendê-los à luz de uma nova abordagem, uma vez que ficam atrelados a velhas ideias/receitas e os que compreendem, não tiveram ainda forças e apoio para enfrentar os interesses de curto prazo daqueles que rejeitam a depreciação cambial porque não querem que seus rendimentos diminuam e a inflação aumente, ainda que temporariamente, porque a oposição liberal e colonial encabeçada pelo PSDB e parte da elite do país, é incapaz de criticar a ortodoxia e não vê os conflitos entre os interesses do Brasil e a dos países ricos e por isso, ele acredita que o governo atual reúne mais condições para tentar reverter o quadro onde a economia brasileira deixará de estar somente a serviço de rentistas e financistas, como tem estado nos últimos 23 anos, pois para crescer, os interesses dos empresários ou do setor produtivo da economia precisam coincidir razoavelmente com os interesses dos trabalhadores e, afinal o PT já vem tentando há tempos reverter esta tendência -neoliberal-, a que o PSDB quer retomar e reforçar equivocadamente. O resto é blá,blá,blá, de horário eleitoral, tagarelice de rede social e discurso de ódio.
Leia a integra da entrevista de Bresser aqui.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Voto

Para deputado estadual, vou votar no Carlos Giannazi pela sua combatividade em prol da educação e para que ele continue azucrinando o governador Alkmin que demonstra desprezo pelos professores e a educação em geral.
Para deputado federal, no Paulo Teixeira novamente, aliás, quinta à noite temos encontro com ele na Av São João 126 4º Andar (Festa da Diversidade) e entre varias coisas acho que uma das bandeiras mais importantes da sua plataforma é a desmilitarização da Policia. Tem também a PL 4471/2012 que propõe o fim do “Auto de resistência” que é um entulho da ditadura e que na prática, funciona como autorização para a polícia matar á vontade.
Para Senador, votarei no Eduardo Suplicy que é desde sempre, um exemplo de político serio, progressista e ativo.
Para Governador, votarei no Alexandre Padilha 13 que fez um bom trabalho como ministro e é um médico seríssimo e que por acaso, trabalhou e morou com meu irmão Ralph, quando ambos “ralavam” na selva amazônica cuidando das comunidades carentes ribeirinhas do Rio Tapajós, o que da mostras de sua dedicação à Saúde.
Para Presidente, votarei na Dilma Rousseff para que sejam continuadas as políticas de inclusão social que em 12 anos já resgataram 36 MILHÕES de brasileiros da miséria.
Obs: Na eleição passada votei no Nabil Bonduki para Vereador e noFernando Haddad para prefeito e acompanho o trabalho dos dois e estou muito satisfeito e me sinto representado. Acho que o mais importante é se APROXIMAR, conhecer, acompanhar e cobrar dos representantes ao invés de se deixar conduzir somente pela “fofoca da política” veiculada persistentemente pela mídia gorda, preguiçosa e comprometida com seus próprios interesses. É isso.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Para o meu Pai.

Meu Pai se foi hoje e nem deu tempo de despedir.

Pai,
De tanto conviver com crianças e adolescentes nos últimos dias em que o seu neto Gabriel esteve aqui, não pude deixar de lembrar muitas vezes do senhor e também de comparar o modo de ser dos garotos de 14 anos de hoje e o garoto de 14 que fui; Aos  quatorze anos eu dirigia sob suas ordens, um trator Massey Ferguson 65x, uma caminhonete C14 e uma Rural, ajudando nas plantações de arroz, além de estudar de manhã e desempenhar varias outras tarefas como, cuidar da Granja, triturar milho, colher ovos, etc e etc. Não sei se o senhor se lembra mas aos 10 anos de idade eu tinha a incumbência de cuidar dos irmãos mais novos, preparando mamadeira, trocando etc, enquanto o senhor ia com a mamãe aos ensaios do coral da igreja. Pois bem, esta semana,  aqui no litoral, pedi um dos garotos pra ir ao mercadinho em frente comprar presunto enquanto eu preparava o café da manhã para eles mesmos e ouvi uma inacreditável e interminável arenga para não ir por pura preguiça. Fiquei Irado e lembrei que quando o senhor me mandava (uma única vez) fazer algo como levar uma marmita de comida a 3 kilometros de distância para um trabalhador na plantação, ou comprar gasolina para o moinho, eu mais que depressa tentava ser o mais eficaz e eficiente possível para marcar pontos e fincar o pé no mundo adulto conquistando respeitabilidade. Passo seguinte, adquiri o direito de empunhar aquela velha espingarda 36 para "espantar" as capivaras que atacavam o arrozal e me sentia o máximo! (risos).
Hoje se pedimos a um guri para ir na esquina buscar um molho de tomate numa emergência, ele desdenha da gente e nem tira o olho do videogame para responder e os pais dizem que é “assim mesmo” vivemos em “outros tempos...” Então eu acho que embora o senhor tenha sido muitas vezes excessivamente violento em algumas situações, o balanço geral foi positivo por me ensinar a ter uma rica “noção de ser e estar no mundo” que considero um legado fenomenal e por isso tenho tentado esquecer a parte bizarro-religiosa e violenta.
Daí que dois dias atrás quando voltei da praia com os imberbes, liguei pra minha mãe e ela disse que o senhor estava ótimo e com certa lucidez e então eu pedi a ela que dissesse que eu não guardava mais tantas mágoas (por ter sido excessivamente severo comigo na 1ª infância) porque entendi que em contrapartida havia me passado preciosos conceitos e ensinamentos que fizeram de mim uma pessoa razoável bla,bla,bla..., entendendo que educar e preparar uma criança para a vida, é uma tarefa das mais desgastantes. Agora acabo de saber que não deu tempo, né? Hoje de manhã o senhor teve uma piora repentina e se foi e eu fiquei com um travo amargo na boca em não ter podido dizer isso a tempo, mas eu também só fui perceber que eu não tinha mais raiva recentemente... assim como só nestes últimos tempos foi que pude saber o quanto é difícil educar uma criança e o senhor tinha sete! Enfim, estou aqui meio atarantado sem saber como ir para Jataí para reencontrar pessoas que amo e me assombrar com os demônios que me espreitam em cada esquina. Sim eles são muitos ainda. Uns travestidos de religiosidade pseudo-light, outros de bufonarias variadas e lembranças agônicas que saem do parque de jatobás à noite com suas caras medonhas vindas diretamente do passado para terrificar. Penso no senhor e imagino como poderia ter vivido mais e ter sido mais livre e feliz se não tivesse sido tão aterrorizado pelo negrume do medo do inferno e tão esmagado pelo julgo da culpa judaico-cristã, que ainda continua rondando a área, ainda que transmutada em maneirismos variados e dissimulada de moderninha-inofensiva para açambarcar novas vítimas-fieis. Agh! Vi umas fotos do senhor agora a pouco e lembrei de sua risada, do seu carinho e ternura, quando não estava tenso, irado/preocupado com a CULPA-pecado e outras sandices que lhe foram covardemente impressas na alma infantil e indefesa. Quisera eu que o senhor não tivesse repassado esta carga (calvinista) miserável também... enfim, fiquei aqui um tempo relembrando que quando pequenino e não havia TV ainda, depois do jantar o senhor ficava no alpendre me ensinando ver as estrelas e contando estórias de um tempo que chegou tão rápido que não deu nem tempo de entender o fim.
Fique bem, querido pai e me perdoe pela impulsividade e pela pressa de querer crescer e partir, mas eu tinha que fugir daquela opressão, daquelas igrejas todas e da religiosidade exarcebada e insana. Eu vivia aterrorizado pela coisa toda, mas pressentia que se subisse à tona encontraria alívio, frescor e vida. Era só isso que eu queria; me libertar daquela atmosfera escatológica. Eu era só uma criança com barba naquela madrugada em que desapareci. Só eu é que não sabia. Até hoje fico pensando no que o senhor sentiu quando acordou e viu que eu com 17 anos tinha ido embora. Desculpe, viu!? Foi mal!  E olha, eu só sobrevivi porque o senhor me preparou para a dureza. Só não preparou para as artimanhas da vida pois o senhor acreditava e me ensinou a também crer na intervenção e na proteção divina e eu demorei muito e me lasquei bastante até perceber que tratava-se de uma mera abstração delirante e comecei a me ligar que estava mesmo só num mundo cruel.
Não foi fácil me curar e libertar do ranço religioso, mas consegui grandes progressos. Não espero que compreenda tudo isso, mas gostaria que soubesse que já não tenho tanta ojeriza e raiva da bobageira toda a que fui submetido. Diria até que hoje, compreendo melhor o bizarro fenômeno religioso e suas desencadeantes, mas não tenho paciência com o circo ainda. Só falei disto  porque sei o quanto isso te infelicitou ainda que o senhor não tenha nunca sabido e talvez por isso eu já não tenha tanta raiva. Só lamento ver que tudo continua igual, quando vejo seus netos já sendo adestrados desde a tenra idade.
Olha pai, boa Viagem para onde quer que seja e eu vou tocando como der por aqui, sempre sonhando que um dia a ciência talvez vença a morte, essa intrusa desagradável e inconveniente.
Sempre que passo na rua das palmeiras em Santa Cecília ou em frente ao Mackenzie, lembro do senhor e fico pensando em porque não gostou daqui na sua juventude. Eu desde que cheguei aqui naquele libertador dezembro de 1980 adorei tudo e embora tenha estado em tantos outros lugares eu sempre volto pra cá.
Olha, dia desses vou te escrever uma carta com mais detalhes porque agora tenho que fazer as malas e ir até aí...
Saudades,

Ricardo

quinta-feira, 17 de abril de 2014

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O Natal totalitário nosso de cada ano


A máxima repisada de Nelson Rodrigues  “A unanimidade é burra” nunca foi tão lembrada como ontem por mim, que por razões supervenientes tive que circular pela cidade em lugares que evito até em feriados, a saber; Rua Oriente, 25 de Março, shoppings e outras embaixadas do inferno rsrsrs. Levei 35 minutos para vencer três quarteirões entre bolsadas, esbarrões, sacoladas, buzinaços, etc.
Ocorre que para além da unanimidade as tais festas natalinas são ocasiões TOTALITÁRIAS porque não comportam nenhuma alternativa. Basicamente não amar o natal e não participar da histeria natalina á quase comparável a cometer um crime hediondo tipo infanticídio, matricídio etc... você é condenado, um pária destinado ao limbo eterno se não “confraternizar”.

Bem que poderia ser uma festa mais democrática como o carnaval, por exemplo: Comemora quem quer e quem prefere alternativa pode ir para a praia, sitio ou se isolar nas montanhas etc..., mas não, não há alternativa, pois ninguém admite que você não ache o natal o máximo! E haja explicações e contorcionismos verbais para dar sentido à toda bobageira natalina afff!

O mundo para no Natal. Agh! Ainda que você queira ir para as águas termais de algum balneário ou para os confins da galáxia, haverá apenas natal lá também. Mesmo o ano tendo 365 dias todos precisam se reunir no dia 25 em torno daquela arvore brega, para comer, comer e comer e nos casos mais agudos ouvir as infames musiquinhas do natal rsrsrs... e trocar quinquilharias bem embaladas.
Desafiar a medíocre ditadura das unanimidades é coisa perigosa. Certa vez em outra data cretina que é o dia dos namorados, tive que me ausentar do bar mais cedo e deixar minha namorada na companhia dos amigos porque no dia seguinte ia levantar muito cedo, certo de que ela compreendia que eu gostava dela independentemente da data elegida pelas conveniências das associações comerciais e paguei caro pela “audácia.”   Assim sendo, mesmo não tendo saco para o bom velhinho, tratarei de abraçar um dos cem mil convites para “passar o natal.”  Sim, quando você não tem família, todos ficam preocupados aonde você vai “passar” o natal com medo de que você corte os pulsos. Então convites espocam aos milhares.

Muito tempo atrás quando morava na zona norte minha namorada veio de Botucatu passar férias comigo e passamos o natal dormindo como um dia normal e sem nenhuma inovadora forma de apresentação das proteínas, carboidratos, etc e novamente eu achava que ela compreendia meu tédio com o natal, mas anos depois na última desavença -fatal-, ela esgrimiu aquela última e insuperável mágoa que foi passar um natal sob os lençóis (que eu particularmente considerei uma delicia), porque  para ela, não ter o perú da Sadia e a música da Simone, a bendita árvore que pisca e o famigerado amigo secreto, foi o fim!

Por tudo isso, sim eu provavelmente degustarei aquele tender inundado de sódio e recoberto com algum ingrediente adocicado em alguns lugares, para fugir da danação eterna e  demais consequências que perseguem implacavelmente quem se atreve a não ficar histérico em Dezembro.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

No ritmo atual Brasil levará 30 anos para ficar rico

Da Folha de São Paulo

Mantido o atual ritmo de crescimento da economia, o Brasil levará 30 anos para atingir um patamar de renda por habitante de países hoje listados entre os ricos. Não se trata de riqueza nos padrões da Suécia ou dos Estados Unidos: esse é o tempo necessário para alcançar a renda atual da Eslováquia, a menor entre as economias consideradas avançadas pelo FMI (Fundo Monetário Internacional). Um eslovaco tem renda média anual de US$ 18 mil, enquanto o brasileiro deverá ficar nos US$ 11 mil em 2013. Com a economia do país (ou seja, o Produto Interno Bruto) crescendo a 2,5%, e a população a 0,9%, a renda nacional por habitante terá expansão estimada de 1,6% neste ano. Nessa velocidade, será necessário um século inteiro para atingir uma renda de US$ 55 mil, semelhante à dos americanos e suecos hoje. Esses dois países ricos representam dois modelos diferentes de organização da economia e do gasto público, ambos influentes no Brasil. Os EUA têm carga tributária relativamente baixa _na casa de 25% da renda do país, contra 35% no Brasil_ e gasta relativamente pouco com proteção social _9% do PIB, contra quase 13% no Brasil. Já a Suécia é referência mundial em programas de previdência, assistência e amparo ao trabalhador, que somam gastos de 22% do PIB e exigem uma carga tributária de 50%. Desde a Constituição de 1988, o Brasil se inclina mais para a linha sueca de elevação das despesas sociais e dos impostos, o que ajudou a reduzir a miséria e a desigualdade. Em contrapartida, o crescimento econômico ficou mais lento. É claro que só uma renda elevada não basta para que um país seja desenvolvido. Graças ao petróleo, o Qatar tem renda per capita de US$ 105 mil, só inferior aos US$ 110 mil de Luxemburgo, mas a escolaridade média de seus habitantes, de sete anos, é semelhante à do Brasil.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Um cara saltou do 8º andar agora!

Cheguei a pouco (depois de passar na banca em frente pra carregar o Celular) em casa esbaforido de uma noite sem dormir e ainda tive que ligar no SAC da Vivo (ligar no SAC da Vivo sempre me faz ter vontade de virar morador de rua), e me atirei no sofá por alguns instantes e estava pensando em como se sentem os moradores de rua cagando e andando pra Vivo, Net, Mastercard e congêneres, quando escutei um grito; Nããããoooo !!! e ouvi um estrondo parecendo batida de automóvel. Corri até á janela e vi uma mulher desesperada na janela do 8º andar no prédio em frente olhando pra baixo e o teto da banca de jornal destruído e curiosos já se aglomerando. Claro que também fui lá e vi que o F.D.P caiu bem no lugar onde eu fico esperando o troco quando compro o jornal ou recarrego o Vivo e o dono da banca em estado de choque. Olhei para o sujeito e assim como os demais fiz a pergunta mais imbecil que alguém pode formular naquela situação; Cê tá bem? Ele não parecia muito bem, mas mesmo assim queria me responder ou xingar e tentava se levantar assim meio desajeitado e os mais próximos convenceram-no a ficar ali mesmo estatelado esperando o Samu. Ele parecia meio chateado e/ou decepcionado e algo tenso talvez. Intuí que ele estava mais chateado com o que o levou a saltar do que com a situação em si. Sei lá... Sempre penso em porque esses caras pulam sem o menor cuidado ou aviso em cima dos outros!?..., quer dizer... você está andando alegremente pela rua e um estúpido desses cai em cima de você!? Sacagem isso e é o tipo de situação onde são diminutas as chances de você pagar com a mesma moeda, entende? Em minutos chegaram os bombeiros, a PM, a força tática, etc... (Só faltaram os paraquedistas) e levaram o cara para o hospital. Indignado, tirei as seguintes lições: Melhor assinar o Jornal do que comprar na banca e cancelar o Vivo e não ter que colocar os malditos créditos em locais perigosos e me livrar da tentação de virar morador de rua que é um persecutório e recorrente sentimento, que aflora sempre que falo com o SAC da famigerada herdeira da Telesp

Publicado originalmente no Diário da Manhã 

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Cadê meu Analista !?

Visitar o passado é exercício pesado e pantanoso (risos).  Então sempre que retorno à casa paterna fico reflexivo, pois sempre há mdanças e também recordações num mix frenético-comparativo.
Num raio de uns quinhentos metros da casa dos meus pais  em Jataí-Go sobrou uma única família dos meus tempos. 
Onde eu armava arapucas e caçava tatús tem agora um prédio vistoso de  doze andares. Alias, a última coisa que eu faria se vivesse aqui seria me engaiolar num edifício, mas como dizia Freud “somos o que nos falta”.  O povo aqui agora só pensa em ir ao shopping. Sim esta desgraça dos tempos modernos já chegou aqui e é o “must”  comer na praça de alimentação (agh!) um subway, mc Donald´s, girafas etc, ou ficar em casa e pedir um “Delivery” tudo tudinho  muito chic como se vê nas novelas e filmes. De outro lado, eu também segundo o axioma atribuído ao velho Freud, procuro uma galinhada com pequi, uma coxinha sem pressa feita com massa de batata, a cachaça artesanal do  Zé-Rodrigues acompanhada de um naco de linguiça de porco caipira, porque para os padrões vigentes eu sou antigo e brega, ou no máximo, excêntrico. Isso sem falar das minhas refeições que minha mãe já sabe que precisa ter  milho refogado com cebolinha, gueroba, quibebe, cortado de abobrinha com jiló e arroz com suã, senão eu dou chilique e faço inflamado discurso anti-modernidade (risos) com ofensas aos traidores do modo goiano de comer. Fotos da comilança de hoje, aqui
Perguntei por que precisam de quatro carros aqui em casa e as explicações são variadas, mas o fato é que quase todo mundo tem uma picape (quase do tamanho de um ônibus) pra ir à padaria ou ao banco que fica bem pertinho.
Como acontece em quase todas as cidades do Brasil se você não tiver um carrão e uma TV de 60 polegadas (mesmo que a sala tenha só 2m x 2m), você é um pobre lazarento, Então agora também aqui já temos congestionamentos, estacionamentos e Casas Bahia...
Da música breganeja eu nem falo nada porque é uma metástase nacional.
Mas os demônios que me assombram quando volto aqui são relativos à infância/adolescência, período especialmente sensível onde  -para o bem e para o mal-,  é forjada e definida a nossa  existência...
Tem ainda os espíritos dos Jatobás em cuja sombra eu brincava, fazia confissões e mais tarde descobriria a sexualidade algo dolorida, na época. Eles continuam frondosos todos aqui em frente de casa numa área milagrosamente salva e transformada agora num parque e testemunhando a passagem do tempo. Alguns anos atrás quando meu pai ainda conversava, ele me contou que quando era criança esses Jatobás eram do mesmo tamanho e alguns ficavam nas terras do meu avô e ele (meu pai) tinha um cavalo que se chamava moquinha que sempre empacava debaixo de um deles rsrsrs... bla,bla,bla...
Não sei precisar o quanto vivem esses jatobás, mas eles são talvez, minha mais umbilical ligação com o passado e testemunhas da infância e adolescência marcadas por todo tipo de horror e terrorismo físico e psíquico, infringidos pela doentia repressão religiosa e parental nos anos 60 e 70 e que moldaram a relação de  amor e ódio com o lugar e as pessoas por aqui e é  por isso que eu exclamo; Cadê meu Analista?

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Análise acurada sobre as manifestações em junho de 2013



"Os manifestantes, simbolicamente, malgrado eles próprios e malgrado suas afirmações explícitas contra a política, realizaram um evento político!
O estopim das manifestações paulistanas foi o aumento da tarifa do transporte público e a ação contestatória da esquerda com o Movimento Passe Livre (MPL), cuja existência data de 2005 e é composto por militantes de partidos de esquerda. Em sua reivindicação específica, o movimento foi vitorioso sob dois aspectos. Conseguiu a redução da tarifa e definiu a questão do transporte público no plano dos direitos dos cidadãos, e portanto afirmou o núcleo da prática democrática, qual seja, a criação e defesa de direitos por intermédio da explicitação (e não do ocultamento) dos conflitos sociais e políticos. 
Políticas (públicas?) definidas e orientadas pelos imperativos dos interesses privados, as montadoras de veículos, empreiteiras da construção civil e empresas de transporte coletivo dominam a cidade sem assumir nenhuma responsabilidade pública, impondo ao longo dos anos o que ficou conhecido como inferno urbano   ...leia mais

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Pat Metheny no Ibirapuera

Vá lá que o Pat Metheny não seja um cara que se preocupa em agradar o público, mas também não precisava exagerar, porque ontem em apresentação no parque Ibirapuera ele ficou no palco com seu novo grupo Unit Band por quase duas horas e não tocou nem um mísero acorde de trabalhos anteriores que nos embalava nos anos 80/90...  Limitou-se à setlist de sua última turnê, sem fazer nenhuma concessão ao público ansioso para ouvir Last train home, American garage,  Airstream...   NADA!  Claro que ele continua virtuoso, criativo, denso e incrivelmente técnico, afinal é um dos poucos músicos que alcançaram a marca de 20 prêmios Grammy na carreira, porém não precisava ficar assim tão “autista” em relação aos fãs, penso eu. Sei lá!?  Pode ser só nostalgia mas senti falta do Lyle Mays na banda. Ele esbanjou técnica, ousadia e interplays na performance, mas chegou ao fim sem emocionar o público que foi embora  com aquela sensação de incompletude, sabe?  Algo como ir a um show do Roberto Carlos ou Ozzy Osbourne e não ouvir nenhuma música conhecida.
O repertório escolhido funciona maravilhosamente num anfiteatro onde toda a virtuose pode ser visualizada/acompanhada de perto mas, no parque com milhares de pessoas, o ambiente dispersivo não favoreceu e é alí que encaixaria bem uns “sons” mais sincopados-amigáveis...
Na saída, encontrei tantos amigos e músicos conhecidos que externaram a mesma sensação, ou seja, embora a apresentação tenha sido impecável, não emocionou!  E ficamos ali na marquise entre goles, conjecturando, que mal faria temperar o espetáculo com umas três músicas do inesquecível Pat Metheny Group !? 

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Miró - Balada literária 2012


Dia 28 próximo começa a Balada Literária que vai até 02/12 com a curadoria de Marcelino Freire que  vai   juntar diversos artistas da palavra abrangendo desde escritores e poetas badalados até a crua poesia de "rua cama mesa e banho" como diz o poeta pernanbucano Miró, grande amigo que, aliás, se apresentará no dia 29/11.
A programação completa pode ser vista clicando aqui.

MIRÓ DIA 29 Nov. 2012 ás 21:00
CENTRO CULTURAL b_arco
Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 426 - Pinheiros.
www.obarco.com.br

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Paulo Moreira Leite

Sem domínio, sem fatos 


 Talvez seja a idade, quem sabe as lembranças ainda vivas de quem atravessou a adolescência e o início da idade adulta em plena ditadura. Mas não consigo conviver com a ideia de que cidadãos como José Genoíno e José Dirceu possam ser condenados por corrupção ativa sem que sejam oferecidas provas consistentes e claras. A Justiça é um direito de todos. Mas não estamos falando de personagens banais. Sei que os mandantes de atos considerados criminosos não assinam papéis, não falam ao telefone nem deixam impressão digital. Isso não me leva a acreditar que toda pessoa que não assina papel, não fala ao telefone nem deixa impressão digital seja chefe de uma quadrilha. Sei que existe a teoria do domínio do fato. Mas ela não é assim, um absoluto. Tanto que, recentemente, o célebre Taradão, apontado, por essa visão, como mandante do assassinato de irmá Dorothy, conseguiu sentença para sair da prisão. Contra Taradão havia confissões, testemunhas variadas, uma soma impressionante de indícios que não vi no mensalão. Mesmo assim, ele foi solto ...(continua)

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Bens Posicionais

O economista e filósofo Eduardo Giannetti, autor de O Valor do Amanhã: Ensaio sobre a Natureza dos Juros e do best-seller Felicidade: Diálogos sobre o Bem-estar na Civilização (ambos Companhia das Letras), acredita que nós brasileiros "estamos vivendo uma corrida armamentista do consumo". Para Giannetti, nós brasileiros estamos dispostos a pagar preços estratosféricos por carros importados (luxuosos e nem tanto), pois eles nos conferem a ilusória ideia de status. São "bens posicionais", que hierarquizam a sociedade na antiga fórmula quanto mais caro, mais exclusivo; quanto mais exclusivo, mais status. "Primeiro é um tênis de marca, depois um carro importado, um iate, um jatinho, uma viagem a Marte. A corrida sempre se renova", diz. É o carro do ano, o look exclusivo da fashion week, o restaurante badalado, a deserta ilha paradisíaca e outras extravagâncias de gente chique. Para serem almejados, os objetos devem continuar um privilégio de poucos, fora do alcance dos plebeus. Nessa lógica, o diamante só brilha se refletir nos olhos dos outros ...(continua)

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Como estará geopolíticamente o mundo em 2025...?

O historiador luis Felipe Alencastro analisa alguns trechos do relatório quinquenal do National Intelligence Council já divulgados sobre as perspectivas geopolíticas, pois o relatório definitivo será entregue em novembro ao próximo presidente dos Estados Unidos, mas os trechos antecipados são muito interessantes uma vez que projetam as tendências globais da política mundial. Vários institutos de estudos estratégicos, jornais e a blogosfera ja comentam o assunto.

"Como observou o jornal parisiense “Le Monde”, a principal análise do relatório consiste em projetar as tendências para 2030 num contexto pós-americano. Nesta perspectiva o relatório traça um o cenário otimista e outro pessimista. O primeiro prevê uma perda de influência gradual dos Estados Unidos, num mundo em que a cooperação internacional se acentuaria e as crises políticas e econômicas seriam resolvidas, pacificamente e em boa ordem, pelas negociações multilaterais. No segundo cenário ocorreria uma “desintegração”. O declínio americano, seguido pela ascensão das potências asiáticas, daria lugar a um mundo fragmentado, no qual as instituições internacionais perderiam sua influência, e os riscos de conflitos armados aumentariam, principalmente na Ásia e no Oriente Médio. Embora a notícia não tenha repercutido no Brasil, o país é citado em várias partes do novo relatório, nos textos preparatórios e nos comentários postados por especialistas. A reforma do Conselho de Segurança da ONU é comentada pelo jurista William Burke-White, que foi professor da Universidade de Princeton e conselheiro do Departamento de Estado. Para ele, o apoio explícito dos EUA à Índia e o incentivo, menos explícito, ao Brasil, para a entrada dos dois países como membros permanentes do Conselho Segurança (CS), não teve ainda maiores consequências. Mas a reforma do CS parece ser inevitável. Num outro texto, o mesmo autor escreve que o próximo CS contaria com o Brasil, China, Índia, Japão, Rússia, Estados Unidos, um ou mais países europeus, e um ou mais países africanos. A situação é mais complicada é a da Europa, onde a Inglaterra e a França já tem assento permanente no Conselho de Segurança (CS), e a Alemanha pleiteia o mesmo privilégio. Segundo Burke-White, quanto mais o tempo passa, mais as pretensões europeias parecem irrealistas. Parece improvável que ainda haja, em 2030, dois assentos concedidos aos países europeus no CS. Outros textos questionam o estatuto do Brasil, China, Índia e África do Sul como potências mundiais, dadas as contradições políticas e sociais existentes nestes países. A situação da China parece particularmente duvidosa. Dada às vulnerabilidades ligadas à sua evolução demográfica, à corrupção endêmica e à erosão da legitimidade do regime, a China pode conhecer sérios problemas num quadro de estagnação econômica. Neste caso, o cenário previsto é o de uma situação de hipernacionalismo, como no Japão e na Alemanha nos anos 1920-1930. As análises mais detalhadas só serão conhecidas na publicação do relatório definitivo, depois das eleições presidenciais americanas. No entanto, há um dado comum na maioria dos cenários esboçados até agora: a hiperpotência americana não se perpetuará ao longo dos próximos anos".