terça-feira, 23 de março de 2021

REVIRAVOLTA NO CASO LULA

Nunca imaginei que o golpe de 2016 fosse começar a derreter tão rapidamente e muito menos que o universo fosse trazer justiça a Lula tão cedo. Impressionante a reviravolta no julgamento de hoje reduzindo Moro e seus associados ao seu real tamanho.

Quem diria que a Lava Jato, que surgiu em 2014 para investigar casos de corrupção, -o que é louvável-, evoluiria rapidamente para tornar-se uma aberração político-partidária-autoritária que agindo em conluio com boa parte da mídia, influiria criminosamente na eleição presidencial de 2018; além de destruir a indústria de base do país, 4,4 milhões de empregos e afugentar R$ 172 bilhões em investimentos (dados do Dieese) valor este, que equivale a 40 vezes os R$ 4,3 bilhões supostamente recuperados pela operação. 

Com isso, os cofres públicos deixaram de arrecadar R$ 47,4 bilhões em impostos, sendo R$ 20,3 bilhões em contribuições sobre a folha de salários. Isso é só um detalhe do que se seguiu na política, no golpe e na eleição do genocida atualmente no poder.

Para além do desastre, espera-se agora, que os membros messiânicos do sistema judiciário que se associaram para influir na política, perseguir e assassinar reputações sejam processados e que fique claro que a mania nacional de procurar e endeusar “heróis” e “salvadores da pátria” dia sim e outro também, não é o melhor caminho.

Enfim após anos de massacre midiático em cima de uma narrativa unificada contra à esquerda, parece que as coisas começam a clarear o que ainda é muito pouco num país polarizado/imbecilizado e com a economia adoentada com o dólar a quase R$6,00, gasolina a R$5,69, arroz R$31,00 o pct de 5kg, óleo R$10,00 e uma cota diária de 3000 mortos de covid patrocinada por um psicopata, negacionista que não teve sequer competência para encomendar vacinas.
 
 

quarta-feira, 17 de março de 2021

Porque não tiram o Boçalnero?


Sempre vejo pessoas inocentes e indignadas bradarem; “mas porque não tiraram o boçalnero ainda? ”
Pois bem, quando tiraram a Dilma ela estava com 8% de aprovação ou menos e quando tentaram impichar o Temer ele tinha pífios 3% e mesmo assim se segurou.
Hoje o Datafolha publicou que a aprovação do Boçal se mantém em 30%.
Muito difícil acontecer um impeachment com aprovação neste patamar e sem fortes manifestações de rua.
Agora porque ele tem 30% de aprovação mesmo depois de patrocinar esse morticínio, já é muito complicado entender, mas chutando, além dos 15% de fanáticos boçais que até suicidam se o presidente propor, somam-se os religiosos-reaças inebriados com a possibilidade de impor suas pautas medievais, mais a turma do dinheiro grosso que vem faturando bem e ainda está de olho em mais “reformas” e tem também aquele grupo que não concorda com tudo, mas acha que ele é sincerão e enxerga nele um dos seus (aff!). 
A tudo isso pode-se agregar os ruralistas/exportadores de alimentos e outros que estão super felizes ganhando muito dinheiro com o dólar a quase R$6,00.
Dane-se quem morre de fome, de covid e de raiva, desde que os negócios sigam bem, todos possam se armar e meninas vistam rosa e meninos azul.

sábado, 13 de fevereiro de 2021

divagações na boca da noite

Acordei meio catatônico... às 17:54 e sentindo como se estivesse sozinho numa prisão,  privado de outros humanos e comecei a pensar nessa contradição de ser gregário que me acompanha e em certa medida atormenta.

Sempre que estou lendo, assistindo documentários, filmes etc, ou sabendo de alguma coisa nova, intrigante, etc, eu tenho um incontrolável desejo de dividir com alguém... receber um feedback, mas isso nem sempre é possível. Em parte, por vezes, não ter por perto pessoas que estejam interessadas “naquilo” e por outro lado quando há pessoas no entorno,  elas muitas vezes são do tipo (cloroquina) que dizem que astrologia é ciência, adeptas de teorias da conspiração -insuportáveis-, ou querem transformar tudo em debate superficial ou disputa de egos quando você só queria dividir, ou partilhar um fato ou a angustia trazida por aquela descoberta astronômica, uma tirada engraçada de Philip Roth, do Miró, do Machado ou uma memória do Discovery, History Channel, um som bacana do Toninho Horta, um design de uma poltrona, whatever e, não rola..., simplesmente não "acontece" na maior parte do tempo.

Hoje liguei pro meu irmão para falar sobre varias coisas e comentei sobre o assustador desaparecimento repentino do Mar de Aral que vi na BBC, porque sei que ele se interessaria e em muito acrescentaria porque é um curioso geológico e assim foi, mas é cada vez mais raro encontrar interlocutor e desconfio que o problema esteja comigo.

As vezes acontece de encontrar alguém com curiosidade, mas no mais das vezes sinto cada vez mais dificuldade de achar interlocução e deriva daí um quase vazio na alma e um tipo de silenciamento e distanciamento doloroso e progressivo. Acho que é isso que chamam de envelhecer e que vai dando uma vontade de ficar cada vez mais só com nossas próprias digressões sobre tudo que há.

Por alguma razão que não consigo entender, atualmente multiplicam-se as pessoas que só querem narrar o seu dia desinteressante -como é também o meu e da maioria dos mortais-, ou aderir a temas da moda, o que me dá vontade de tirar a vida da criatura, já que não dá pra pagar um terapeuta.

Não acho que a minha prosa seja melhor ou pior, acho apenas que estou na crise do envelhecimento e a curiosidade existencial vai ficando mais exacerbada, como o inesquecível Silva  personagem do fantástico romance “Fabrica de Espanhóis" de Valter Hugo Mãe que uma grande amiga me apresentou recentemente e que lavou minha alma nesse sentido.

Agora mesmo ando lendo Philip Roth e gostaria imensamente de falar a respeito e rir um pouco da nossa miséria humana especialmente em tempos de Covid. Acho que se ele tivesse vivo poderia escrever algo genial sobre esta comédia atual de horrores humanos.

As vezes queria ser como o Zé, meu gato (animal de estimação q. fique claro) ou uma capivara daquelas que perambulam pelo parque Tietê, sem maiores indagações, sabe!? Parecem seres etéreos vagueando entre o cotidiano e o instintivo apenas. Livres da percepção de ser  contingente e finito...

Neste momento aliás, o Zé está mordendo a minha perna pra chamar atenção porque assim como eu, ele também quer compartilhar algo e  ainda não pude parar pra falar com ele e de repente comecei a sentir o poderoso -ou fuderoso- cheiro de xixi dele. Não localizei nada ainda, mas desconfio que esse filho da puta mijou em algum lugar indevido para chamar atenção.

Bem, voltando ao assunto, hoje a minha namorada foi pra praia e pela primeira vez eu não quis ir. Achei que seria bom ter mais tempo para ler e apaziguar o espírito, ouvir minha própria voz interior, o silêncio, organizar umas coisas e pôr o pensamento em ordem, essas coisas que o Jô Soares chamaria de viadagem, antes da instalação das patrulhas, claro.

Almocei sozinho, falei com o Zé, li um pouco,  peguei no sono, despertei e depois troquei ideias com a Judith sobre o mercado editorial, adormeci novamente, li mais um pouco, falei com minha mãe, uma amiga de Itacaré e voltei a alternar leitura e soneca num ciclo preguiçoso e despreocupado.

Acordei agora a pouco por volta das 18:00hs, com má digestão, dor no peito pelos gases, meio down e subitamente me peguei pensando sobre a morte que campeia solta por aí e comecei a pensar na minha própria, o que tem acontecido muito a cada pigarro que já associo à covid e o fim eminente, engrossando os números macabros da globonews ao fim da noite. Afff!

Fui tomar um banho e pensando no que aconteceria se eu desabasse agora sob o chuveiro aberto, e fosse encontrado dias depois como aconteceu a pouco com o Ratinho no Copan.

Com a minha namorada longe, acredito que pelos próximos 5 ou 10 dias talvez ninguém me procure ou se procurar e não obtiver resposta, também não vai se incomodar a ponto de arrombar a porta.

O Zé coitado poderia beber agua do vaso sanitário por alguns dias, mas em algum momento iria sentir muita fome e começaria a miar, mas quem dá ouvidos a miados...

Então fiquei com um pouco de falta de ar e com vontade de sair para a rua, ver gente, tomar um trago, me sentir vivo e me livrar daquela sensação de ter uma bola de cabelo no estômago e então pensei, mas sair pra onde em tempos de pandemia?  Não fosse isso eu iria até a esquina entraria no primeiro boteco e arrumava conversa com alguém ou o garçom rs... Aliás por falar nisso, a Love Story fechou/faliu ontem, morreu de covid. Que tristeza!

Tentei voltar à leitura novamente mas minha mente estava povoada dessas especulações sobre a minha própria morte aqui e agora, visualizei a estupefação entre os amigos, as burocracias da finalização de uma vida, as milhares de coisas e objetos para trás... história de uma existência... brrr

Visões me vieram à mente como o exame necroscópico, a cremação, as pessoas se dispersando depois... um e outro retardatário incrédulo comentando o velório e a partir desse ponto, minha memória entre os vivos começaria a desvanecer lentamente, episódios seriam descritos de forma cada vez mais distorcida pelos esquecimentos, meu nome seria cada vez menos pronunciado, meu aniversário lembrado por um número minguante de pessoas e tudo que existiu, e fez sentido por um breve período seria vaporizado em pouco tempo assim como as roupas, objetos variados, cartas, livros, discos, fotos, pedaços de vida... que teriam que ter destinação que ninguém sabe direito qual.

Ainda pensei; será que as pessoas sairiam dali para comer um virado a paulista (com torresmo extra) em minha homenagem? ...cumprindo o ritual de quase todas as culturas em que  comer após o cerimonial de despedida de alguém, funciona como uma “celebração antropofágica destinada a reafirmar os direitos da vida sobre a morte!?”

Ri um pouco sozinho agora pensando nos torresmos extras (que meu cardiologista proibiu semana passada) e voltei para a outra questão; Quanto tempo demora para que todo vestígio deixado por alguém desapareça de vez?

Lembro que em 2007 minha mãe veio conhecer São Paulo e fui caminhar pelo centro histórico com ela e a cada  travessa, ela desfiava tudo sobre cada personagem que dava nome às ruas, conforme andávamos, com sua memória prodigiosa e eu pensava, poxa preciso virar nome de rua, é a única maneira de não desaparecer e ri novamente sozinho assaltado pela lembrança daquele dia.

Lembro de Deus -como solução-, essa nossa invenção mágica para dar sentido ao que não tem, mas isso já é outra conversa.

Bem, acho que vou tomar um willian lawson, porque a noite será longa e de vigília contra a morte, essa senhora inexorável...

Invejo as pessoas que não tem contato com seus demônios, dormem cedo e não tem nenhum pensamento além daqueles ligados puramente a sobrevivência e à própria fisiologia e vivem bem assim como as capivaras.

Conclusão: A solidão só é boa quando é assistida. Essa solidão que ninguém te liga ou lembra que você existe, não presta não.

R. R. 13.02.2021 20:32

A SENHORA E A MORTE - ANIMAÇÃO. 

(se o vídeo não carregar automaticamente clique aqui




quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Ah, o natal...!

 


Bernard Shaw, o brilhante dramaturgo e frasista irlandês, disse certa vez que o melhor lugar para passar o Natal era um longínquo país oriental no qual a data não fosse comemorada. Concordo com ele e vou além porque fico raivoso com o povaréu me abalroando e  movendo-se bovinamente nas ruas, supermercados e shoppings estupidamente sem nem ao menos saber porque e transformando tarefas simples como ato de entrar num supermercado para apanhar nossa cerveja de cada dia num verdadeiro inferno. O Trânsito então nem se fala. Aquelas luzinhas chinesas cafonas até mais não poder, o chato do papai noel e a famigerada árvore de natal... Uma coisa sem sentido algum!? E o que dizer da histeria geral e comercial? Afff! 
Bem, em princípio não tenho nada contra festas, mas tenho tudo contra a babaquice e a HISTERIA geral por causa do Natal e ano novo e seu zero-significado.  O mais enervante de tudo é  aquele contaminante estado de anti-climax de que vai acontecer algo grandiloquente e o desespero para comprar lixo e comidas horrorosas como chester, tender, peru, etc. Hoje mesmo, fui comprar um barbeador e peguei um fila de uns dez metros no caixa com aquela musiquinha intragável de fundo e todo mundo com o carrinho lotado de espumante vagabundo, panetone ordinário, uma alegria postiça contrabandeada sabe-se lá de onde e os inexpugnáveis rojões que já começam a estourar anunciando que "grande momento" se aproxima (danem-se os animais de estimação).
Segundo um estudo ("Scroogenomics- Why You Shouldn't Buy Presents for the Holidays") da famosa escola de administração da Universidade da Pensilvânia, Para quem os recebe, nossos presentes valem apenas 53% ou seja 47% gasto com presentes são dinheiro jogado no lixo. O Psicalista Contardo Calligaris analisando o estudo, levanta questões interessantes:


... Por que oferecemos presentes de natal? Resposta óbvia: para produzir a maior satisfação possível no presenteado, para fazê-lo feliz. Talvez, mas vamos devagar. Por exemplo, é bem possível que a troca natalina de presentes seja sobre tudo um gigantesco "potlatch", como dizem os antropólogos, ou seja, uma maneira de torrarmos festivamente nossos recursos (dinheiro, bens e tempo) só para manifestar nossa riqueza (grande ou pequena) aos outros, ao céu e a nós mesmos. Além disso, cada um presenteia amigos e inimigos por razões que pouco têm a ver com a intenção de fazer o outro feliz. Há presentes pedagógicos e paternalistas (ofereço um vale-livros ao primo que não gosta de ler e uma camiseta P ao maridão que virou um boto), assim como há presentes que servem só para cumprir o protocolo ou para intimidar os presenteados (no estilo: "Este, meu caro, você nunca vai poder retribuir".)

... Quando alguém que amo (e que me ama) me oferece um presente, não espero receber aquele objeto que quero e procuro há tempo -claro, vou gostar de receber isso, e vai ser uma festa, mas, cá entre nós, esse tipo de coisa posso encontrar e comprar sozinho. De quem me ama, espero muito mais: espero receber algo que, até então, literalmente, eu não sabia que eu queria.
O verdadeiro presente é aquele que me revela meu próprio desejo.
 ...(continua
Publicado originalmente no Diário da Manhã em 24/12/2011 e de lá pra cá só piorou

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

A Vacina e as Trevas

"Covid: enquanto a esquerda fica em casa, a direita está em campanha pelo capitão"


Este presidente vulgar, imbecil, miliciano, idiota boçal e os canalhas que lhe dão suporte, resolveram tirar vantagem da pandemia e adotaram a necro-estratégia, de sabotar todo o esforço anti-pandemia e à vacinação, porque assim conseguem conter as já represadas ações e manifestações que poderiam derrubá-los, porque ninguém minimamente esclarecido vai aglomerar agora e dessa maneira, se sentem a vontade para prosseguir com o seu projeto de destruição de tudo que há de civilizado no país.

Em seu devaneio de voltar à idade das trevas -em nome de deus e costumes extemporâneos-, acham que agora é a hora e estão aproveitando a “oportunidade” para esticar a pandemia com fins político-eleitorais e ir mantendo todo mundo imobilizado até o fim de 2022 que é o ano da eleição e “coincidentemente” a data em que “marcaram” para concluir a imunização (com a vacina mais atrasada que conseguirem, claro). Isso explica o descaso na aquisição de vacinas, deixando o Brasil antes exemplo de imunização, na posição vexatória de rabeira da fila mundial...

Assim, enquanto as pessoas civilizadas se resguardam esperando a vacina e ficam impedidas de reagir/manifestar, os infames continuam aglomerando e em campanha pela reeleição do genocida mentecapto, em comícios como ontem no Ceagesp. A tática é ir retardando ao máximo os esforços por imunização coletiva nem que para isso, precisem estender o auxílio emergencial/eleitoral e desmoralizar a Anvisa.

Esta macabra estratégia, não leva em conta os cadáveres que ficarão pelo caminho, pois como ensina o boçal-mor; “todos vão morrer um dia, né?"

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Começa a vacinação contra Covid

Ah, esses ingleses!
Sempre pensando neles mesmos, heim!? Mandaram no mundo por quase 500 anos, impuseram a língua deles como idioma universal, etc..., e agora na maior crise de saúde do século, saíram na frente "as an usual" e fecharam acordos com laboratórios de outros países e começam a vacinação de seu povo contra covid semana que vem, deixando para trás a Alemanha, USA, França, etc... que ainda estão patinando para arredondar detalhes burocráticos.
Enquanto todos discutem quantos anjos cabem na cabeça de um alfinete, o Reino Unido e seu famoso SUS (NHS) é o primeiro país do ocidente a iniciar a imunização com a vacina dos laboratórios alemão e americano, antes mesmo até dos países de origem desses laboratórios, quem diria!
Já aqui o governo boçal segue sabotando qualquer esforço contra a Covid e sonhando com a vacina inglesa de Oxford (que os próprios ingleses não esperaram), para dar sequência na sua ridícula guerra da vacina com o Instituto Butantã “do Dória” que é outro politiqueiro de baixa estatura.
Enquanto isso, brasileiros seguem morrendo como moscas sem nenhuma perspectiva, sem plano de vacinação e o SUS acéfalo comandado por militares desqualificados para a função saúde pública.
Então, porque será que o grosso da população vota em políticos do naipe de Boçalnaro, Dória, Covas..., etc !?
Provavelmente o Brasil tem o que merece!?