terça-feira, 20 de setembro de 2011
Usineiros incentivam crack para cortadores de cana trabalharem 14 h
Segundo a a Frente Parlamentar de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas, da Assembleia Legislativa de São Paulo, formada por 29 parlamentares, "esta prática acontece com plena conivência dos empresários e das autoridades".
É o sonho do capitalista ter um funcionário que rende muito num primeiro momento e depois é descartado e substituido sem nehum custo, já que não possuem vínculo.
Em muitas plantações de cana-de-açúcar no interior do Estado de São Paulo, já existem estes funcionários que são a realização do desejo, de qualquer usineiro, pois conseguem trabalhar cerca de 14 horas por dia sem interrupção. O segredo da produtividade é pequeno, barato e cada vez mais fácil de conseguir: o crack. As consequências para o 'superfuncionário', porém, são conhecidas: após poucos anos, uma saúde devastada e, não raro, a morte, ...(continua)
sábado, 20 de agosto de 2011
A Copa do Mundo já tem seus derrotados
As primeiras reações à escolha do Brasil como sede da Copa do Mundo 2014 foram de festa.
De certo modo justificada: depois de mais de 60 anos, o país que tem o futebol como uma marca de cultura popular, com centenas de milhares de campos de várzea espalhados por todos os cantos, poderia voltar a ver de perto o maior evento futebolístico do planeta.
O menino da favela poderia, quem sabe, ir ao estádio ver seus maiores ídolos, que costumam se exibir apenas nos campos europeus. Um sonho…
Que não tardou muito em gerar desilusão.
De início, apareceu o incômodo problema de quem iria pagar a conta.
E veio a resposta, ainda mais incômoda, de que 98,5% do gordo orçamento do evento seriam financiados com dinheiro público, segundo estudo do TCU.
Boa parte do BNDES, é verdade.
Mas o capital do BNDES é alimentado pelo Orçamento Geral da União, portanto, dinheiro público, apesar dos malabarismos explicativos do Ministro dos Esportes.
Dinheiro que deveria ser investido no SUS, na educação, em habitação popular e tantos outros gargalos mais urgentes do país.
A questão torna-se ainda mais grave quando ...(continua)
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Cães
Uma idéia simples, mas que funcionou bem fotograficamente falando, foi capturar imagens de cães se sacudindo da fotógrafa americana Carli Davidson.
As imagens mostram os bichos deformados e contorcidos numa fração de segundo em que dificilmente podemos observar. Para ver as fotos no site da fotógrafa clique aqui.
quinta-feira, 28 de julho de 2011
ENSAIO - Adalto Novaes
O trabalho sequestrou o tempo. Se, no século 19, o controle do tempo era apresentado ao operário como um "aprendizado de qualidades morais" que, na realidade, significava a integração da vida operária ao processo de produção, hoje o controle é aceito com naturalidade, e até mesmo desejado.
O homem se integra voluntariamente "a um tempo que não é mais o da existência, de seus prazeres, de seus desejos e de seu corpo, mas a um tempo que é o da continuidade da produção, do lucro ...(leia mais)
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Internete
NYT Roger Cohen
Uma moça que conheço vai se casar em outubro. Por essa razão, ela vem fazendo na web buscas relacionadas a casamento. De repente, toda vez que ela vai on-line, é bombardeada com anúncios de empresas que confeccionam vestidos de noiva, imprimem convites, montam tendas para eventos ao ar livre, fornecem comida para eventos, oferecem música, iluminação e assim por diante.
Sempre que eu vou para meu site favorito, nytimes.com, oferecem algo chamado "Recomendado a Você" -dez artigos que correspondem ao trabalho silencioso de traçar um perfil dos meus gostos que minhas buscas embutiram em algum algoritmo. Hoje, no topo da lista, encontro "Otto Von Hapsburg, candidato a monarca, morre aos 98", seguido por artigos sobre uma estátua de Reagan que será inaugurada em Londres, carros elétricos que suscitam pouco interesse na China e a crise financeira grega.
Reconheço que a seleção não é péssima, embora a dinastia dos Hapsburgos e os candidatos a monarcas nunca tenham feito parte dos meus interesses. Não me recordo da última vez em que pensei nos Hapsburgos.
A lista parece errática, um pouco como a tecnologia de reconhecimento de voz que às vezes funciona. Mas esse tipo de equívoco não é o que mais irrita. O que incomoda é a ideia de que algum algoritmo esteja dizendo o que devo ler.
Não quero ser direcionado. Deixe que eu mesmo viva minha vida! Mande apenas a "Lista de artigos mais enviados por e-mail", que reflete os assuntos que interessam à maioria -como cachorros, amor, comida, gatos, sexo, a Toscana e problemas conjugais, pelo que vejo.
Como tudo isso sugere, a internet, com o Google no centro dela, converteu-se no maior sistema que já existiu para traçar perfis de seres humanos ...(continua)
segunda-feira, 4 de julho de 2011
A "cura" do envelhecimento
Se as previsões do Biomédico gerontologista Dr.Aubrey de Grey, cientista-chefe de uma fundação dedicada a pesquisas da longevidade estiverem certas, a primeira pessoa a comemorar seu aniversário de 150 anos já nasceu.
Em poucos anos, os médicos poderão ter à mão todas as ferramentas necessárias para "curar" o envelhecimento - extirpando as doenças decorrentes da idade e prolongando a vida indefinidamente.
Ele descreve o envelhecimento como o acúmulo de vários danos moleculares e celulares no organismo. "A ideia é adotar o que se poderia chamar de geriatria preventiva, em que você vai regularmente reparar o danos molecular e celular antes que ele chegue ao nível de abundância que é patogênico", explicou o cientista, cofundador da Fundação Sens (sigla de "Estratégias para a Senilitude Programada Desprezível"), com sede na Califórnia.
"Eu diria que temos uma chance de 50 por cento de colocar o envelhecimento sob aquilo que eu chamaria de nível decisivo de controle médico dentro de mais ou menos 25 anos", disse De Grey numa entrevista antes de proferir uma palestra no Britain's Royal Institution, uma academia britânica de ciências. ...(leia mais)
Acabei me lembrando de um documentário do History Channel sobre o assunto.
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Gente diferenciada e as Zelite
A continuar esta mentalidade de que transporte público é coisa para pobre, em breve ficaremos todos paralisados nesta cidade que não comporta mais carros, ainda mais agora que os diferenciados estão podendo comprar automóvel.
Abaixo, segue texto da Folha de São Paulo com as pérolas da diferenciação:
"Nesta terça-feira (10), a associação do bairro de Higienópolis conseguiu que o governo impedisse as obras da estação Higienópolis, na avenida Angélica esquina com rua sergipe, acreditando que tal construção acarretaria na chegada de um "público diferenciado" ao bairro, promovendo a degradação de suas ruas sagradas e aumentando assim o número de ocorrências policiais. "Prevaleceu o bom senso", declarou o presidente da entidade Defenda Higienópolis, o empresário Pedro Ivanow. No Twitter, o jargão “gente diferenciada” chegou ao topo dos Trending Topics (assuntos mais comentados). A expressão foi dita ao jornal "Folha de S. Paulo" por uma psicóloga, quando começou o movimento contrário à estação. “Não uso metrô e não usaria. Isso vai acabar com a tradição do bairro. Você já viu o tipo de gente que fica ao redor das estações do metrô? Uma gente diferenciada…” Afff ! Pior que isso só mesmo o Metrô se curvar ao capricho, (apesar da desculpa de "razões técnicas" para a capitulação) que não houve na construção da linha verde onde os moradores da região nobre da chácara klabim por exemplo, não registraram hordas de diferenciados. Continua tudo como antes alí.
terça-feira, 3 de maio de 2011
O espaço tem um conceito inato comum à visão?
Se de repente um cego pudesse ver, ele seria capaz de reconhecer de vista a forma de um objeto que antes só conhecia pelo toque? Apresentado a um cubo e um globo, ele saberia distingui-los só de ver? Faça uma pausa e pense na resposta. Depois continue lendo.
A pergunta ataca diretamente um problema da filosofia da mente: o espaço tem um conceito inato comum à visão e ao tato ou só aprendemos essa relação através da experiência? Uma pesquisa divulgada no dia 10 de abril pela publicação "Nature Neuroscience" pode ter finalmente respondido essa questão, que inquieta filósofos e cientistas há mais de 300 anos.
William Molyneux, político e cientista irlandês, foi o primeiro a levantar a dúvida numa carta enviada a John Locke em 1688. Locke analisou o que veio a ser conhecido como o problema de Molyneux em "Ensaio acerca do Entendimento Humano", publicado poucos anos depois.
A resposta de Locke foi "não". "Ele não seria capaz de afirmar com certeza qual ...(continua)
segunda-feira, 21 de março de 2011
Obama no Brasil
A melhor tirada sobre a fala do presidente Barack Obama no Rio foi do Jânio de Freitas que a chamou de "discurso de churrascaria”, mas a melhor análise sobre a vinda do presidente americano ao Brasil foi do Vinicius Torres na Folha de domingo:
CHICLETE COM OBAMA
Vinicius Torres Freire
A QUESTÃO das "relações bilaterais" entre EUA e Brasil ainda parece muito com a da pauta estabelecida por Gordurinha e Almira Castilho em "Chiclete com Banana" nos idos de 1959, cantada pelo embaixador do forró, Jackson do Pandeiro.
Espécie de manifesto geopolítico, canção de protesto "avant la lettre", tapa na Bossa Nova e crítica antecipada ao Tropicalismo "entreguista", "Chiclete com Banana" dizia: "Eu só ponho bebop/ No meu samba/ Quando Tio Sam tocar o tamborim". Seguindo um princípio básico da diplomacia, o da reciprocidade, Gordurinha e Almira ofereciam um mix de chiclete com banana, de samba com rock, "mas em compensação" queriam ver um "boogie-woogie de pandeiro e violão".
O que os EUA têm a oferecer? O que queremos? Os governos petistas querem apoio para uma vaga no Conselho de Segurança da ONU, ambição duvidosa que, satisfeita, deve render mais dor de cabeça e conflito do que vantagem real.
Barack Obama veio ao Brasil fazer relações públicas, "discursos históricos" e vender umas coisas. Bom que a gente converse, bom para nós e o mundo que Obama seja um tipo amistoso e "cool" etc. E daí?
As relações econômicas entre Brasil e EUA são determinadas por realidades bem mesquinhas. Nada será diferente se a "diplomacia presidencial" for apenas algo mais calorosa. Quede planos?
Claro que os EUA já foram mais relevantes e intrometidos. Por exemplo, quando deram uma força meio fraca à industrialização, em meados do século 20. Quando vieram com a "modernização" da Aliança para o Progresso, nos anos 1960, que distribuiu umas latas de leite, fez propaganda anticomunista, financiou a subversão da Constituição brasileira e ajudou empresas americanas. Ou quando mandou uma frota para auxiliar os golpistas de 1964, "just in case".
Agora, os americanos querem mercado para sua indústria, que aos poucos migra para a China e arredores. Querem que ajudemos num tico a evitar a desindustrialização deles. O que vamos ganhar?
Querem um ponto de abastecimento de petróleo mais confiável. Mas mesmo que o pré-sal seja um sucesso, seremos fornecedores menores. Ainda que fôssemos maiores, em termos políticos isso talvez seja mais um risco do que uma vantagem. Basta ver as intervenções americanas nos países petrolíferos.
A conversa sobre livre comércio morreu desde a desastrosa e inaceitável negociação da Alca em 2002. Foi quando o "sub do sub", o ministro da negociação comercial dos EUA, Robert Zoellick, disse que o Brasil teria de fazer comércio na Antártida se rejeitasse a Alca. Desde então, os EUA nada fizeram para retomar o diálogo de forma menos extorsiva e estúpida que a de Zoellick.
Na OMC, os EUA fazem de tudo para burlar decisões pró-Brasil. Obama pode fazer quase nada sobre o protecionismo agrícola, decidido em barganhas no Congresso, como no caso do etanol, barrado no baile de subsídios americanos. Por falar em etanol, aliás, se o plano de energia limpa de Obama decolar, nossos biocombustíveis terão sérios problemas. Os EUA querem ainda aliados para detonar a bárbara política comercial chinesa. Como em parte isso nos interessa também, ok. Mas os chineses não dão a mínima.
Então, a que veio Obama?
Fonte: Folha de São Paulo
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Eugênio Bucci
Passada a temporada dos balanços do governo Lula - os balanços jornalísticos, bem entendido, posto que o julgamento da História só virá mais tarde -, uma quase unanimidade se sobressaiu. De positivo, a imensa maioria dos analistas registrou que o ex-presidente se saiu bem, muito bem, em pautar o tema da exclusão social como prioridade de sua gestão. Ele ampliou as ofertas de emprego, contribuiu para a elevação dos padrões de consumo dos mais pobres e também para a abertura das vias de acesso à universidade para famílias que, até então, estavam alijadas dos cursos superiores. Todos elogiaram o compromisso do ex-presidente com a estabilidade da moeda e, também, com o crescimento econômico. O Brasil é hoje uma estrela entre as nações, está mais confiante, mais otimista e mais feliz. Do lado negativo, a avaliação também é ...continua
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Refrigerante de maconha será vendido nos EUA

Algumas bebidas, por exemplo, têm até 2,5 gramas de THC, que equivale a uma quantidade de erva pronta para fumar
Agora deu na Time que um refrigerante de maconha, o "Canna Cola", estará nas lojas do Estado americano de Colorado em fevereiro e brevemente será vendido em 15 estados americanos ...(leia mais)
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
A Terra sem ninguem
Encontro pessoas que abominam a televisão e descarregam nela a responsabilidade por tudo de ruim que acontece no mundo. Bobagem, na verdade uma visão simplista de uma realidade complexa que demanda um pouquinho de esforço para compreender. Dia desses quase fui linchado num boteco onde discutia-se televisão e eu disse que trata-se de um artefato que pode ser usado de diferentes maneiras/finalidades... De nada adiantou; os xiitas acham que a televisão é um mal ao invés de analisarem a geração de conteúdo X lucro, etc. Até concordo que é lastimável o Brasil inteiro assistir um só canal de TV e ser regido por ele, mas não é demonizando a TV que vai melhorar. Embora não assista muito TV eu me delicio com as séries “O segredo das coisas,” “O Universo” e a "Terra sem Ninguém". Esta semana me vi inadvertidamente propagandeando a Terra Sem Ninguém, e percebi o quanto eu estava curtindo a série. Entretanto, ainda não consegui um único telespectador para o History Channel (risos), mas não desisti tanto que estou aqui falando dele (risos) que é interessantíssimo, pois simula um mundo sem humanos onde as coisas aconteceriam mais ou menos assim: Nos primeiros seis meses, os animais selvagens já estariam novamente vivendo nas cidades. Com um ano, o mato estaria tomando conta da área urbana, e com cinco anos as ruas e estradas teriam desaparecido embaixo da selva. Passados 25 anos sem ninguém, as estruturas de concreto e aço começam a ruir sem o trabalho humano de conservação, e após 200 anos somente as mais resistentes estruturas de concreto reforçado ainda estarão de pé. Transcorridos 500 anos, mesmo estas sucumbirão, e após mil anos quase todas as evidencias da civilização terão desaparecido e as cidades serão novamente grandes florestas...
sábado, 1 de janeiro de 2011
"Não crer em Deus algum pode ser um atalho para a felicidade"
Quando o filósofo americano Sam Harris soube que o atentado ao World Trade Center em Nova York (Estados Unidos), no dia 11 de setembro de 2001, teve motivações religiosas, a briga passou a ser pessoal. Harris publicou em 2004 o livro A Morte da Fé (Companhia das Letras) — uma brutal investida contra as religiões, segundo ele, responsáveis pelo sofrimento desnecessário de milhões. Para Harris, os únicos anjos que deveríamos invocar são a ‘razão’, a ‘honestidade’ e o ‘amor’.
Ao entrar de cabeça em um assunto tão delicado, o filósofo de 43 anos conquistou uma legião de inimigos e deu início a uma espécie de combate literário. Em resposta à repercussão de seu primeiro livro, que levou à publicação de livros-resposta sob as perspectivas muçulmana, católica e outras, os ataques de Harris à fé religiosa continuaram em 2006, com o lançamento do livro Carta a Uma Nação Cristã (Companhia das Letras).
Criado em um lar secular, que nunca discutiu a existência de Deus e nunca criticou outras religiões, Harris recebeu o título de Doutor em Neurociência em 2009 pela Universidade da Califórnia (Estados Unidos). A pesquisa de doutorado serviu como base para seu terceiro livro, lançado em outubro de 2010: The Moral Landscape (ainda sem edição brasileira). Nele, Harris conquista novos inimigos. Agora, Harris tenta utilizar a razão e a investigação científica para resolver problemas morais, sugerindo a criação do que ele chama de "ciência da moralidade" ...(continua)
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
A "pacificação" do Rio
Para não dizer que todos se calaram, o Fernado de Barros e Silva escreveu na Folha de ao Paulo:
A SORTE DOS POBRES
Fernando de Barros e Siva
"Esse silêncio seria inadmissível se os mortos fossem moradores ricos de Ipanema, mas, como é gente pobre, vale tudo".
A professora da Vila Cruzeiro se refere ao silêncio das autoridades e dos órgãos públicos do Rio a respeito da identificação e do paradeiro dos que morreram (supostamente) em confronto com a polícia na megaoperação contra o tráfico.
São, segundo a PM, 37 cadáveres desde o último dia 21, na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão. Para a Secretaria de Segurança Pública, porém, morreram 18 pessoas, uma delas ainda não (ou nunca mais) identificada. A secretaria só reconhece os mortos a partir do dia 25 e afirma que nem o IML tem dados sobre as vítimas entre os dias 21 e 24. Quem precisa de Kafka diante de um Estado como esse?
As jornalistas Laura Capriglione e Marlene Bergamo explicam, na reportagem "Onde estão os mortos?", na Folha de ontem, que a contabilidade de araque serve, na prática, para evitar a menção à morte de pessoas inocentes. Como a estudante de 14 anos, morta dentro de casa, na frente do computador, por um tiro nas costas.
O IML, além disso, não dá nenhuma informação sobre as circunstâncias das mortes a partir do dia 25. Houve execuções? Sabemos apenas, pela relação do jornal, que 15 das 18 vítimas eram negros ou pardos. Todos eram homens e só três tinham mais de 30 anos.
O corpo do mais novo, de 17 anos, ficou exposto a céu aberto por dois dias, ao lado de um campinho. Já havia sido dilacerado por porcos quando foi recolhido por familiares e levado ao IML. Nem a polícia nem o serviço funerário se prestaram à tarefa. Kafka? Ora, ora...
No clima que se criou, esses episódios não devem figurar nem como nota de rodapé nos relatos da "batalha do Alemão". Mas eles nos ensinam, muito mais que a narrativa apoteótica da guerra, sobre o que ainda há de descompromisso, arbitrariedade e humilhação na relação do Estado com os pobres.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Natal
Com a inauguração da árvore de natal do Ibirapuera, está instaurada oficialmente a temporada mais mentecapta do ano. O festival de sandices não tem fim e apesar de gostar do mês de Dezembro e das pessoas nascidas neste mês, tenho um trilhão de motivos para desejar seu fim; Para além do besteirol natalino e dos incautoS que apreciam esta festa brega, tem o insuportável ”amigo secreto” que é quando alguém jura que nunca mais entra na tal brincadeira, que vai romper com o consumismo e o caralho... Conversa fiada porque a essência do natal é o consumo, ora bolas. Então tem sempre pelo menos uma troca de presentes de amigo secreto cuja participação é irrecusável. Para piorar tem a cena clássica de alguém que quer transformar o ritual de troca de presentes em algo descontraído, o que só piora a cafonice com aqueles palpites sobre quem foi que fulaninho tirou... Afff!E como diz um amigo, “...toda família que se preza tem pelo menos uma tia velha que, no auge da festa de Natal, cai em prantos, anuncia que morrerá em breve e estraga a ceia. A frase é um clássico: Eu quero dizer pra vocês que esse é meu último Natal; ano que vem eu não estou mais aqui ... No ano seguinte lá está ela, vivinha da silva, anunciando a morte próxima e preparada para, no fundo, enterrar a família inteira”
Lojas, shoppings e supermercados se transformam em filiais do inferno, com aquelas musiquetas deprimentes, crianças birrentas, Papai Noel com cara de que se pudesse evaporava e os casais decadentes trocando juras de amor prometendo a si mesmos um novo recomeço que não ultrapassa o réveillon (risos!)
Ir ao bar e/ou restaurante nosso de cada dia, nem pensar, pois é altíssimo o risco de dar de cara com uma festa do pessoal de alguma empresa com bebuns de primeira viagem que na segunda taça, já começam a chamar Jesus de Genésio, enquanto uma recatada funcionária surpreende a todos com a ameaça de um strip-tease, e os chorões te abraçam e fazem declarações de eterna amizade inundando tudo com uma chuva de saliva... agh!
E têm ainda as Renas os indefectíveis pinheiros artificiais ou naturais-decepados e aquelas bolas horrorosas sem falar da tal ceia que é uma mistureba de sabores como se comer bem fosse comer tudo que existe num mesmo dia e hora. Credo! Acho eu aliás, que no natal come-se a pior refeição do ano. E o que dizer do trânsito? Sem comentários.
À Jesus -que ninguém lembra, mas nasceu nesse dia-, peço que afaste de mim esse cálice!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Jabuti 2010
Tudo que lí a respeito tinha um clima Fla x Flu. Uma guerra de versões, visões e interesses apaixonados... Agora o Diplô apresenta duas opiniões diferentes com relação ao ocorrido: O curador do premio e um escritor com coragem de criticar ambos os lados
Do Le Monde Diplomatique Brasil
O Jabuti e a validade das premiações literárias
O Prêmio Jabuti 2010 gerou polêmica, foi criticado, elogiado e entrou para os Trending Topics do Twitter. À convite do Le Monde Diplomatique Brasil, duas figuras importantes no cenário literário do Brasil discutiram a questão: José Luiz Goldfarb, curador do prêmio, e o escritor Marcelo Mirisola
Nunca um Prêmio Jabuti havia sido tão comentado. A repercussão do resultado final gerou uma discussão que vai muito além do prêmio em si, pois abarca questões e dúvidas sobre a legitimidade de prêmios literários em geral. Há quem defenda o modelo do Jabuti, vendo nele um importante instrumento para melhorar a literatura brasileira, mas há também quem considere os prêmios como frutos do interesse das grandes editoras. À convite do Le Monde Diplomatique Brasil, duas figuras importantes no cenário literário do Brasil... (continua)
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
O Índice de ódio, aversão e intolerância à diversidade
Há algo de podre que teima em não desaparecer na cultura social e política brasileira que é o preconceito contra os pobres, homossexuais, ateus, negros e dependentes químicos, estes últimos quando associados à pobreza, porque se for celebridade, tudo bem. Muito embora o racismo, homofobia, uso de drogas etc, não seja exclusividade de São Paulo, é aqui onde a mídia comercial disfarçadamente fomenta esse ódio.Como bem disse Sonia Amorim, “É desta cidade, berço e domínio político-administrativo do tucanato, da fina flor da socialdemocracia, que se irradiou para o Brasil todo a imunda campanha eleitoral semeando o separatismo, a divisão, o ódio entre regiões, estados e cidadãos, instigando o preconceito e a intolerância” Afinal, não dá para separar as recentes manifestações de ódio e violência a esses grupos desde a internet até o ataque homofóbico na Avenida Paulista, da campanha suja desencadeada pelo candidato da elite e seus apoiadores na eleição presidencial.
A fundação Perseu Abramo publicou um estudo que esmiúça esta realidade assustadora mostrando o percentual de ódio (isso mesmo; ódio) destinado aos diversos grupos sociais mais rejeitados e surpreendentemente, encabeçando a lista estão os ateus, brindados com 42% de ódio e antipatia. Estarrecedor!
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
BALADA LITERÁRIA 2010

Dia 18 começa a Balada Literária que vai até 21/11 com a curadoria de Marcelino Freire que vai juntar diversos artistas da palavra abrangendo desde escritores e poetas badalados até a crua poesia de "rua cama mesa e banho" como diz o poeta pernanbucano Miró, grande amigo que, aliás, se apresentará no dia 18/11 quando será exibido o curta de Wilson freire: "São Paulo é Fogo"
A programação completa pode ser vista clicando aqui.
MIRÓ DIA 18 nOV 2010 ás 20:30
CENTRO CULTURAL b_arco
Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 426 - Pinheiros.
www.obarco.com.br
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Ressaca
"A maioria das pessoas, gosta de acreditar que a obra de Marx é o mesmo que os campos de concentração de Stalin." Nestas situações reajo mercurialmente ou afundo no tédio.
Fui!

